Missão Janus será lançada em 2022 para estudar asteroides binários

Por Danielle Cassita | 12 de Setembro de 2020 às 20h30
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Os asteroides binários são objetos um tanto quanto misteriosos no Sistema Solar, mas é possível que tenhamos mais informações sobre eles em breve: a NASA aprovou, no início de setembro, o desenvolvimento da missão Janus, que será realizada pela Universidade do Colorado junto da empresa Lockheed Martin. A missão deverá ser lançada em 2022 e vai contar com duas naves, que irão estudar os pares de asteroides binários 1996 FG3 e 1991 VH de perto para coletar detalhes sobre eles.

O nome “Janus” foi inspirado no deus romano de duas faces, e esta escolha não foi por acaso. A equipe da missão pretende lançar duas naves idênticas e pequenas, que viajarão por milhares de quilômetros para voar perto do sistema de asteroides binários: “com os avanços tecnológicos, agora podemos explorar o Sistema Solar e responder perguntas científicas importantes com naves menores”, diz Josh Wood, membro da Lockheed Martin. Para Daniel Scheeres, principal investigador da Janus e professor da Universidade, as observações poderão abrir uma nova janela sobre como estes corpos evoluem e se separam ao longo do tempo. A equipe irá rastrear a dinâmica dos asteroides com detalhes incrivelmente precisos por meio de um conjunto de câmeras.

Padrão orbital do asteroide binário 1996 FG3 (Imagem: NASA/JPL)

Como o nome indica, os asteroides binários são pares de asteroides que orbitam um ao outro no espaço de forma bastante parecida com o que acontece com a Lua e a Terra, mas ainda não temos dados científicos em alta resolução sobre eles, como explica Scheeres: “tudo que temos sobre eles é baseado em observações em solo, que não dão tantos detalhes quanto os que podemos conseguir de perto”. Por isso, Wood acredita que a Janus poderá inaugurar uma nova era de exploração espacial.

Os pares de asteroides binários em questão têm um comportamento interessante: cada um deles se move de uma forma. O par 1991 VH, por exemplo, tem uma espécie de “lua” que se move com um asteroide primário muito maior, seguindo um padrão de movimento imprevisível. Ainda, estes asteroides podem trazer um novo nível de complexidade à história dos detritos de rochas no espaço: “pensamos que os asteroides binários se formam quando um único asteroide começa a rotacionar tão rápido que se rompe em dois, e inicia essa ‘dança’’, diz o professor.

A equipe espera conseguir aprender mais sobre o movimento dos asteroides tanto no espaço quanto em relação ao movimento que realizam em volta do outro. “Assim que conseguirmos vê-los de perto, vamos conseguir responder várias perguntas, mas vão surgir outras”, finaliza Scheeres. Então, podemos esperar também que a missão Janus abra portas para a realização de outras missões para os asteroides binários.

Fonte: Colorado.edu

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