Esse planeta está tão próximo de sua estrela que seu formato acabou ficando oval

Por Daniele Cavalcante | 09 de Abril de 2020 às 20h30
NASA/ESA/J. Olmsted

Cientistas estão investigando um candidato a exoplaneta que teria o formato de uma bola de futebol americano. É que sua órbita está tão próxima de sua estrela anfitriã que ele completa uma volta neste “sol” em pouco mais de 4 horas. Com essa proximidade extrema, as forças gravitacionais da estrela fazem com que com ele ganhe um formato alongado.

Existem outros exoplanetas aesféricos por aí, mas, dentre todos os mundos desse tipo já encontrados até hoje, o KOI 1843.03 é o que parece mais achatado - se é que ele de fato é um planeta, algo que os pesquisadores ainda devem comprovar em futuras observações. O objeto orbita uma estrela anã-vermelha com pouco menos da metade da massa do nosso Sol, a cerca de 395 anos-luz de distância da Terra.

Essas não são as únicas características que o tornam extremamente incomum. Além de ser o planeta conhecido mais próximo de sua estrela, pesquisas anteriores também descobriram que o KOI 1843.03 parece ter cerca de 44% da massa e 60% do diâmetro da Terra. É bastante pequeno. A astrofísica Leslie Rogers, principal autora da nova pesquisa, já estudou este mundo antes, e sua equipe sugere que o exoplaneta deve ser composto principalmente por ferro - do contrário, em teoria ele seria despedaçado pelas forças gravitacionais de sua estrela-mãe.

Ilustração de um planeta ovalado (Imagem: NASA, ESA, and J. Olmsted)

Muitos planetas têm o ferro como um dos seus principais elementos. Mercúrio, por exemplo, o mais próximo do Sol, é composto com cerca de 70% de ferro, enquanto a Terra tem cerca de 32%. O corpo do KOI 1843.03 é provavelmente 66% composto por este elemento, e ocupou o lugar de “um dos exoplanetas com mais ferro descobertos até hoje", disse Rogers.

Para saber quais os efeitos de uma órbita extrema como a deste mundo, os pesquisadores realizaram simulações em 3D das estruturas interiores de planetas rochosos com órbitas semelhantes às do KOI 1843.03. Assim, descobriram que o efeito de maré causado pela gravidade estelar poderia dar ao planeta a forma de uma bola de futebol americano, um pouco mais alongada que um ovo de galinha.

No futuro, os pesquisadores pretendem modelar como esses exoplanetas rochosos distorcidos por maré se parecem quando passam à frente de suas estrelas. Isso deverá ajudar os observadores a detectar um desses mundos quando estão sendo distorcidos, com base em sua sombra na estrela que orbita.

Mas isso não parece tão simples de se fazer, porque o lado alongado desses planetas é o lado voltado para a estrela. Portanto, a área da sombra projetada depende do seu ângulo de visão, e a quantidade de luz bloqueada pelo planeta muda de acordo com o tempo.

Fonte: Space.com

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