Envelope gasoso de Júpiter não é homogêneo, diz estudo

Envelope gasoso de Júpiter não é homogêneo, diz estudo

Por Danielle Cassita | Editado por Rafael Rigues | 10 de Junho de 2022 às 13h30
NASA, ESA, Hubble, OPAL Program, STScI/K.Masztalerz

O envelope gasoso que envolve Júpiter não é homogêneo. A descoberta vem de um estudo liderado por Yamila Miguel, do instituto holandês SRON Netherlands Institute for Space Research, que mostra que a camada interna do envelope tem mais metais que a externa, com até 30 vezes a massa da Terra. Os autores acreditam que a alta metalicidade indica que planetesimais, objetos com alguns quilômetros de extensão, podem ter afetado a formação de Júpiter.

Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar, com massa equivalente a mais de 300 vezes a da Terra. Em 2011 a NASA lançou a missão Juno com destino ao gigante gasoso para estudá-lo de pertinho; a sonda chegou lá somente em 2016 e, desde então, vem revelando muito sobre nosso vizinho. Por exemplo, já sabemos que, além da Grande Mancha Vermelha, Júpiter tem também uma série de furacões e um envelope gasoso, que o envolve abaixo da camada visível.

Detalhe que mostra a Grande Mancha Vermelha em Júpiter (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SwRI/Kevin M. Gill)

A Juno consegue estudar esta estrutura por medidas da gravidade sobre em diversos lugares no planeta, fornecendo aos astrônomos informações sobre a composição do interior de seu interior, que difere daquela da superfície. Para o estudo, a equipe criou modelos teóricos usando os dados observados pela Juno e analisaram a distribuição de metais no planeta.

Eles descobriram que o envelope gasoso de Júpiter tem maior concentração de metais em direção ao centro do planeta. Isso significa que a abundância deles gradativamente em direção à camada externa, ou seja, o envelope não é formado por uma mistura homogênea. “Antes, nós pensávamos que Júpiter tem convecção, como a água fervendo, que o tornaria completamente misturado; mas nossa descoberta mostra algo diferente”, disse Miguel.

“Existem dois mecanismos para um gigante gasoso como Júpiter adquirir metais durante sua formação”, explicou ela. Um deles seria a acreção de pequenos fragmentos ou grandes planetesimais, mas o problema deste cenário é que, assim que o planeta “bebê” alcança tamanho suficiente, ele começa a repelir os fragmentos menores.

A riqueza de metais no interior de Júpiter não poderia ter sido alcançada antes disso. “Podemos excluir o cenário com pequenos fragmentos como sólidos durante a formação de Júpiter. Os planetesimais são grandes demais para serem repelidos, então devem ter desempenhado algum papel”, finalizou.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Fonte: Astronomy & Astrophysics; Via: SRON

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