Emissões "fantasmagóricas" entre duas galáxias ativas surpreendem astrônomos

Emissões "fantasmagóricas" entre duas galáxias ativas surpreendem astrônomos

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 05 de Agosto de 2021 às 20h15
Norris

O universo pode às vezes ser inusitado, mas nuvem fantasmagórica dançantes entre duas galáxias, a 1 bilhão de anos-luz de distância, não é o que os astrônomos esperavam encontrar. Mas foi exatamente isso o que eles viram nos dados do radiotelescópio Australian Square Kilometer Array Pathfinder (ASKAP). Ainda não se sabe exatamente como esses espectros se formaram, mas é certo que são fruto da atividade de buracos negros.

Para ser mais preciso, as formações são produzidos pelos ventos emitidos por dois buracos negros supermassivos ativos, cada um no centro de uma galáxia hospedeira diferente. Eles foram nomeados PKS 2130-538 e já haviam sido observados antes, mas nunca com tanta definição. "Quando vimos os 'fantasmas dançantes' pela primeira vez, não tínhamos ideia do que eles eram", disse o astrofísico Ray Norris, da Western Sydney University, na Austrália.

Os espectros fantasmagóricos dançam entre as duas galáxias hospedeiras dos buracos negros supermassivos (Imagem: Reprodução/Norris)

Após semanas de estudo, a equipe de Norris descobriu que o fenômeno é provocado por nuvens de elétrons provenientes do "banquete" de ambos os buracos negros. É que quando buracos negros se alimentam de matéria, como nuvens de gás, parte desse material é lançando para longe na forma de jatos relativísticos. Nesse caso, os jatos são dobrados em formas esquisitas por um vento intergaláctico, cuja origem ainda é desconhecida. 

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Essa imagem é resultado de uma pesquisa chamada Pilot Survey of the EMU (Mapa Evolucionário do Universo), feita através do ASKAP para encontrar coisas ainda desconhecidas do universo. "Estamos até encontrando surpresas em lugares que pensávamos que entendíamos", disse Norris, que faz parte da pesquisa. Até o momento, o estudo piloto da EMU acumulou um catálogo de cerca de 220.000 fontes de vários tipos, muitas até então desconhecidas.

Outro mistério que o EMU trouxe à tona é um fenômeno estranho que ficou conhecido como ORCs (Odd Radio Circles). São círculos gigantes que, visualmente, lembram as simulações de ondas gravitacionais, mas aparecem apenas nas emissões de rádio. Eles têm cerca de um milhão de anos-luz de diâmetro, e circulam galáxias distantes. Os ORCs foram descobertos no ano passado e ainda não foram explicados.

Um dos ORCs detectados pelo projeto EMU (Imagem: Reprodução/Norris)

O estudo piloto é uma espécie de pesquisa inaugural do projeto, então podemos esperar por muitas novidades do EMU nos próximos anos, principalmente porque os sinais de rádio revelam uma infinidade de coisas do universo que nunca foram observadas em outras faixas do espectro eletromagnético. "Estamos nos acostumando com as surpresas enquanto examinamos o céu como parte do Projeto EMU e sondamos mais profundamente o universo do que qualquer telescópio anterior", disse Norris, que espera fazer muitas outras descobertas empolgantes.

Fonte: Western Sydney University

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