Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (29/05 a 04/06/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 05 de Junho de 2021 às 11h00
I. Bobillo/NASA/CXC/Q.D. Wang/NRF/SARAO/A.Abolfath

Mais uma semana se passou, e trazemos hoje mais um compilado de imagens publicadas pela NASA no site Astronomy Picture of the Day. Na seleção desta semana, você fará uma visita aos astronautas da missão Apollo 17 e à solução que encontraram para lidar com a poeira da Lua, e encontrará também a lua Mimas, que orbita Saturno.

Além disso, aproveite para conferir um pouco do que fica no centro da Via Láctea — e do impacto que o brilho dos satélites pode causar nas imagens astronômicas. Por fim, trazemos também algumas imagens de fenômenos espetaculares observados na Terra, como a aurora boreal e o eclipse lunar ocorrido em maio.

Sábado (29/05) — Poeira lunar 

(Imagem: Reprodução/NASA)

Em 7 de dezembro de 1972, a NASA lançou a missão Apollo 17, que levou os astronautas Eugene A. Cernan, Ronald E. Evans e Harrison H. rumo à Lua. Enquanto estavam em nosso satélite natural durante esta que foi a última missão do programa Apollo, eles precisaram adotar algumas soluções para proteger os equipamentos e o jipe lunar que usaram para se deslocar pela superfície — e vemos algumas delas nesta imagem. Perceba que, na roda e no para-lamas do veículo, existem um mapa e um pouco de fita aplicados para proteger as estruturas.

Toda essa preocupação e cuidado vêm do fato de que a poeira lunar, que tem efeito corrosivo, fica facilmente impregnada nos trajes e equipamentos. A poeira foi formada a partir de alguns processos diferentes daqueles que temos na Terra: por aqui, as rochas sofrem erosão a partir da ação do vento e da água, que resulta nas partículas que formam o solo e a areia. Já a superfície lunar tem histórico de impactos de micrometeoritos que, além de deixar marcas, acabou criando uma camada de regolito, ou seja, de poeira sobre o solo.

Domingo (30/05) — Aurora e nuvens lenticulares

(Imagem: Reprodução/Daniele Boffelli)

Quando as partículas emitidas pelo Sol atingem a magnetosfera que envolve a Terra, elas se chocam contra átomos e moléculas que fazem parte das camadas superiores da atmosfera terrestre. Este processo causa as auroras boreais, um fenômeno luminoso que rende belas visões e fotos bastante impressionantes para quem consegue registrá-las — como esta, foi feita em Dyrholaey, na Islândia.

Pode não parecer, mas as auroras ocorrem bem acima das nuvens e a parte mais baixa delas fica a pelo menos 100 km de altitude — para comparação, a maior parte das nuvens que vemos está a apenas 10 km de altitude. A cor das auroras vai variar do tipo de átomo que foi atingido. Por exemplo, quando um átomo de oxigênio recebe energia após a colisão com as partículas do Sol, ele emite brilho esverdeado como este que vemos na imagem. Perceba que a aurora está acompanhada por nuvens lenticulares, que ocorrem em altas altitudes e são muito conhecidas por sua aparência alongada.

Segunda-feira (31/05) — A lua Mimas

(Imagem: Reprodução/NASA, JPL-Caltech, Space Science Institute, Cassini)

Lançada em 10 de outubro de 1997, foi somente em 2010 que a missão Cassini sobrevoou a lua Mimas, de Saturno. A breve passagem rendeu este registro, que nos indica um pouco do histórico violento por trás da formação da lua. O que quer que tenha atingido Mimas no passado, é certo que o impacto foi forte o suficiente para quase destruir sua estrutura — tanto que algumas análises propõem que, se fosse um pouco mais forte, a Mimas teria sido completamente destruída. O que restou do encontro foi a Cratera de Herschel.

Esta cratera foi descoberta em 1789 pelo astrônomo Sir William Herschel, e hoje já sabemos que ela se estende por 130 km. Como tem pouca massa, a gravidade de Mimas em sua superfície é forte o suficiente apenas para manter seu formato esférico, mas ainda é fraca demais para permitir formações de dimensões relativamente grandes na superfície. Aliás, já se sabe também que Mimas é feita, principalmente, de gelo de água e fragmentos de rochas. Portanto, temos então uma “bola de gelo suja” na órbita de um dos gigantes gasosos do Sistema Solar.

Terça-feira (01/06) — Satélites e a Nebulosa de Orion

(Imagem: Reprodução/Amir H. Abolfath)

Esta foto da nebulosa de Orion é um ótimo exemplo de como os muitos satélites na órbita terrestre podem afetar as imagens astronômicas. O registro em questão foi feito a partir de uma combinação de várias exposições que, enquanto mostra todo o brilho e cores da nebulosa ao fundo, inclui também rastros luminosos em linha reta, deixados pela luz solar ao ser refletida por satélites passando à frente do observador. Quando observados a olho nu, eles se pareceriam com simples pontos luminosos se movendo pelo céu — e, embora pareçam inofensivos, os satélites e seu brilho vêm preocupando cada vez mais a comunidade astronômica.

A SpaceX, por exemplo, vem lançando cada vez mais satélites Starlink para criar uma megaconstelação na órbita terrestre. Eles beneficiam a vida na Terra ao oferecer internet de alta velocidade e baixa latência para todo o mundo, mas têm também a desvantagem de dificultar alguns programas de observações astronômicas profundas — e este efeito fica ainda mais evidente no caso de programas que precisam de imagens feitas logo depois de o pôr do Sol ou antes do amanhecer. No futuro, se houver um número muito maior de satélites posicionados em órbitas mais altas, é possível que haja ainda mais impactos nas observações do espaço profundo em qualquer momento durante a noite.

Quarta-feira (02/06) — Via Láctea em detalhes

(Imagem: Reprodução/NASA/CXC/UMass/Q.D. Wang;/NRF/SARAO/MeerKAT)

Se você já tentou imaginar o que acontece na região próxima do centro da Via Láctea, este panorama das regiões um pouco acima e abaixo do plano galáctico pode te ajudar. Esta imagem mostra dados coletados pelo observatório Chandra, da NASA, junto do radiotelescópio Meerkat. Os raios X coletados pelo observatório foram registrados em diferentes temperaturas: os raios quentes ficaram com cor laranja, enquanto os mais quentes aparecem em verde e os de maior temperatura, em roxo. Depois, estes dados foram somados àqueles de ondas de rádio coletados pelo MeerKat, que aparecem em cinza.

O panorama mostra um pouco das interações que acontecem entre os objetos no centro da nossa galáxia, como remanescentes de supernovas, ventos quentes emitidos por estrelas recém-formadas, campos magnéticos mais fortes do que se esperava e, por fim, o buraco negro supermassivo Sagitário A*, que fica no coração da Via Láctea — e tudo isso se estende por apenas 1.000 anos-luz. Os filamentos brilhantes podem ser o resultado de campos magnéticos em regiões de colisão com gases, que criam uma espécie de clima espacial que se parece um pouco com aquele criado pelo Sol.

Quinta-feira (03/06) — O brilho de Omega Centauri

(Imagem: Reprodução/Ignacio Diaz Bobillo)

Aqui, temos todo o brilho de milhões de estrelas do aglomerado estelar Omega Centauri, que fica a cerca de 15 mil anos-luz de nós e é considerado o maior e mais brilhante dos 200 aglomerados presentes no halo da Via Láctea. Ele é formado por cerca de 10 milhões de estrelas com cerca de 150 anos-luz de diâmetro, que, se comparadas com o Sol, podem ser facilmente consideradas estrelas antigas. Repare nos pontos que parecem ter brilho azulado: eles vêm das gigantes vermelhas presentes no aglomerado.

Geralmente, os aglomerados estelares são formados por estrelas com a mesma idade e composição, mas isso não se aplica àquelas que formam Omega Centauri. Neste caso, as populações estelares são diversas, e mostram abundâncias químicas e idades bem diferentes entre si. Aliás, Omega Centauri é tão massivo que chega quase à massa de uma galáxia pequena — e, por isso, há astrônomos que propõem que ele não seja um aglomerado, mas sim uma galáxia que perdeu suas estrelas mais externas ao encontrar com a Via Láctea.

Sexta-feira (04/06) — Eclipse lunar e carvalhos

(Imagem: Reprodução/Chirag Upreti)

O fim do mês de maio foi marcado por um eclipse lunar, que, ao fim, deixou esta bela "Lua de Flores". Este apelido simpático foi escolhido pelos povos algonquins, antigos norte-americanos nativos que escolhiam um nome para cada Lua cheia — e, neste caso, eles comemoraram a abundância de flores que costuma ocorrer na região durante esta época do ano. Aqui, a Lua cheia foi registrada em uma única exposição conforme saía da sombra da Terra, ao fim do eclipse.

A imagem do fenômeno foi feita no Pinnacles National Park, na Califórnia, e mostra que a sombra da Terra, enquanto foi projetada na Lua, não ficou totalmente escura. Com a luz solar sofrendo dispersão pela atmosfera terrestre, a parte mais interna da sombra fica com cor avermelhada —e é daí que vem o apelido "Lua de Sangue". Para completar o cenário, vemos a silhueta escura de alguns carvalhos sem folhas, que formam uma espécie de moldura em torno da Lua.

Fonte: NASA

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