Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (28/05 a 03/06/2022)

Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (28/05 a 03/06/2022)

Por Danielle Cassita | Editado por Rafael Rigues | 04 de Junho de 2022 às 11h00
M. Pugh/M. Cain/J. Lyu (Steward Obs., U. Arizona)

As fotos reunidas pela NASA nesta semana, no site Astronomy Picture of the Day, vão interessar entusiastas da ciência de todos os gostos. Se você tem interesse nas supernovas, verá o remanescente RCW 86, formado pelos restos da supernova mais antiga já registrada. Já os fãs de astrofotografia vão se maravilhar com uma foto da Via Láctea no céu noturno, que aparece como uma "ponte" ligando dois observatórios.

As demais fotos trazem outras imagens de tirar o fôlego, como raios crepusculares diferentes e um foguete Falcon 9 voando, enquanto o Sol brilha ao fundo. E, caso você não tenha conseguido observar os meteoros da chuva Tau-Herculídeas nesta semana, não se preocupe, pois também há uma foto deles aqui.

Vamos lá?

Sábado (28) — O remanescente de supernova RCW 86

Remanescente de supernova RCW 86, vestígio da supernova mais antiga já registrada (Imagem: Reprodução/Martin Pugh)

Em 185 a.C., astrônomos chineses registraram o surgimento do que parecia ser uma nova estrela no asterismo Nanmen — hoje, identificado como as estrelas Alpha e Beta Centauri em cartas estelares modernas. A tal estrela ficou visível por meses, e é considerada a supernova mais antiga já registrada. O que restou dela é RCW 86, o remanescente da explosão estelar que aparece nesta foto.

Localizado a aproximadamente 8 mil anos-luz da Terra, RCW 86 é um remanescente com cerca de 100 anos-luz de extensão, difuso demais para ser observado a olho nu. Ele nos indica um pouco do que aconteceu com a estrela: dados de banda estreita mostram que há gases ionizados pela onda de choque em expansão, e o ferro parece estar presente em abundância na região.

Como não há estrelas de nêutrons ou pulsares no remanescente, é possível que a supernova em questão fosse do tipo Ia, ou seja, pode ter sido a detonação termonuclear de uma estrela anã branca “roubando” material de outra estrela vizinha. Como resultado, a anã branca esculpiu uma “cavidade” ao redor do sistema, e a explosão nela se expandiu a uma velocidade bem acima do esperado.

Domingo (29) — O nascimento de um aglomerado galáctico

Não conseguimos observar aglomerados estelares em formação, porque este é um processo lento demais para acompanharmos. Felizmente, o vídeo acima nos dá uma ideia de como isso acontece: esta é uma versão atualizada da famosa Simulação de Illustris, uma grande simulação da formação de galáxias. O novo vídeo nos mostra como os gases cósmicos, formados principalmente por hidrogênio, dão origem a novas galáxias e aglomerados galácticos desde um passado remoto, quando o universo ainda estava em sua "infância".

Conforme o universo vai evoluindo, o gás cai em “poços” gravitacionais e forma novas galáxias, que começam a girar, colidir e, eventualmente, acabam se fundindo — e, em meio a tudo isso, há buracos negros nascendo nos centros das galáxias, expelindo gases a velocidades próximas da velocidade da luz. Já a segunda parte, o vídeo mostra um aglomerado galáctico chegando ao fim de sua formação, com "caudas" de marés gravitacionais e fluxos estelares. No fim, vemos o aglomerado TNG50 pronto.

Os aglomerados de galáxias podem ser considerados os maiores objetos do universo mantidos unidos por sua própria gravidade: eles são formados por centenas ou até milhares de galáxias, acompanhadas de plasma altamente aquecido e grandes quantidades de matéria escura. Além de serem o lar de algumas das maiores galáxias conhecidas, os aglomerados são ferramentas importantes para os astrônomos entenderem a estrutura do universo em grandes escalas.

Segunda-feira (30) — Raios crepusculares

Raios crepusculares e um eclipse solar parcial fotografados no Uruguai (Imagem: Reprodução/Fefo Bouvier)

Os raios avermelhados desta foto são belos exemplos de raios crepusculares, formados quando o Sol está bem baixo no horizonte, durante o crepúsculo; por isso, é mais fácil vê-los quando o contraste entre a luz e a escuridão está mais evidente. Geralmente, os raios crepusculares têm tons de vermelho e laranja porque a luz percorre um caminho maior através da atmosfera, que dispersa os comprimentos de onda menores (como a luz azul e a verde).

No caso desta foto, os raios podem ter ficado ainda mais vermelhos devido à presença de aerossóis na atmosfera. Apesar de não serem exatamente raros, estes raios crepusculares foram especiais, porque vieram do Sol durante um eclipse solar parcial. Durante o fenômeno, a Terra e nosso astro não ficam perfeitamente alinhados, de modo que a Lua projeta somente parte de sua penumbra (a sombra menos escura) em nosso planeta. Para quem observa o fenômeno da nossa perspectiva, é como se alguém tivesse “mordido” parte do Sol.

Os raios crepusculares e o eclipse foram fotografados no Uruguai, em direção à Argentina. Outra característica curiosa desta imagem é a ilha ao fundo, chamada Islas López: apesar de parecer uma única formação, ali estão, na verdade, duas ilhas.

Terça-feira (31) — Foguete Falcon 9 e o Sol

Foguete Falcon 9 levando satélites Starlink à órbita baixa da Terra (Imagem: Reprodução/Michael Cain)

Em maio, um foguete Falcon 9 foi lançado, levando mais de 50 satélites Starlink à órbita baixa da Terra. Os novos satélites vão se juntar a outras milhares de unidades já lançadas, que fazem parte da uma megaconstelação operada pela SpaceX com o objetivo de fornecer internet de alta velocidade e baixa latência, mesmo para usuários que estão em regiões rurais ou remotas.

Nesta foto daquele lançamento vemos a pluma de exaustão do foguete sendo expelida, enquanto o Sol brilha ao fundo. Você deve ter percebido que a silhueta do foguete e até as bordas do disco solar parecem distorcidas, quase como se estivessem ondulando; este é um fenômeno que ocorre devido a bolsões de ar relativamente quente ou rarefeito (aquele com baixa concentração e variedade de gases), que desviam a luz menos intensamente do que ocorreria se ali estivessem bolsões de ar mais frio e comprimido.

Repare também no lado esquerdo do Sol e você encontrará a mancha ativa 3014. As manchas solares são regiões grandes, com fortes campos magnéticos na superfície do Sol. Elas são mais escuras que seus arredores porque são mais frias, e a frequência e intensidade das manchas solares são indicativos importantes da atividade solar ao longo de seu ciclo de 11 anos.

Quarta-feira (1º) — Meteoros Tau-Herculídeas

Meteoros da chuva Tau-Herculídeas fotografados sobre o Observatório Nacional Kitt Peak, nos Estados Unidos (Imagem: Reprodução/Jianwei Lyu - Steward Obs., U. Arizona)

A chuva de meteoros Tau-Herculídeas ocorreu durante a madrugada do início desta semana, e a expectativa para o fenômeno era grande: os cálculos mostraram que, neste ano, a Terra poderia atravessar uma nuvem de fragmentos do cometa 73P/Schwassmann-Wachmann 3 particularmente densa, com potencial para criar praticamente uma “tempestade” de meteoros.

No fim, o fenômeno rendeu uma quantidade de pedacinhos de rocha espacial brilhantes no céu noturno que pode ter decepcionado alguns observadores; mas mesmo assim, o fenômeno proporcionou fotos incríveis para quem conseguiu acompanhá-lo — como esta acima, clicada no Observatório Nacional de Kitt Peak, nos Estados Unidos. Esta é uma composição de imagens capturadas ao longo de mais de duas horas, durante a madrugada do dia 30 para 31.

Há quase 20 meteoros na foto; deste total, quatro são rochas espaciais "visitantes", que ocorreram sem ter relação com a chuva Tau-Herculídeas. No ano que vem esta chuva, que já é modesta por natureza, deverá retornar a sua baixa quantidade de meteoros típica. A previsão é que um próximo evento ativo só deve ocorrer em 2049. Então, resta aguardar.

Quinta-feira (2) — Ocultação lunar de Vênus

Em algumas regiões da Ásia e oceano Índico, foi possível observar a Lua passando à frente de Vênus (Imagem: Reprodução/Quentin Gineys)

No fim de maio, Vênus brilhou no céu antes do amanhecer, fazendo jus ao apelido “estrela da manhã”. O planeta apareceu próximo da Lua na fase minguante, acompanhado por Júpiter, Saturno e Marte em uma bela conjunção planetária. A conjunção é fascinante por si só, mas em algumas regiões da Ásia e oceano Índico, a proximidade (aparente) entre os astros ficou ainda mais surpreendente, porque nosso satélite passou à frente de Vênus.

Esta ocultação lunar foi registrada nesta breve animação de fotos de telescópio capturadas da ilha Reunion, no oceano Índico, e mostra um pouco das etapas do fenômeno. Perceba que, no começo, o disco parcialmente iluminado de Vênus se aproxima, e depois começa a desaparecer por trás do horizonte lunar; cerca de 50 minutos depois, o planeta ressurgiu de trás da Lua. Geralmente, as ocultações lunares são visíveis somente em uma pequena área da superfície terrestre.

Como nosso satélite natural está muito mais próximo da Terra do que outros objetos (considere que a Lua fica a uma distância média de 384.400 km de nós, enquanto Vênus fica a mais de 60 milhões de quilômetros no ponto de maior proximidade da Terra), a posição exata da Lua no céu varia de acordo com a posição do observador. Por isso, se a Lua está alinhada para passar à frente de algum objeto específico em um lado da Terra, ela aparecerá a 2º de distância do objeto do outro lado.

Sexta-feira (3) — Via Láctea como uma "ponte" no céu

Nesta foto, a Via Láctea é como uma "ponte" ligando o céu dos hemisférios sul e norte (Imagem: Reprodução/Maxime Oudoux, Jean-Francois GELY)

Colaborações na astrofotografia podem render fotos incríveis e criativas, como esta: na imagem, o plano central da Via Láctea aparece quase como uma espécie de ponte, que une o céu dos hemisférios sul e norte. Na parte superior da foto está o observatório El Sauce, no Chile; já na inferior, vemos o observatório Saint-Veran, instalado nos Alpes Franceses.

As fotos foram feitas no mesmo dia, com seis horas de diferença; este atraso foi necessário para a rotação da Terra deixar o plano central da Via Láctea alinhado sobre os domos das duas instalações. Assim, conseguimos observar um pouco da galáxia lar do Sistema Solar e de cerca de 100 bilhões de estrelas que, juntas, formam um disco com quase 100 mil anos-luz de diâmetro.

Na parte que mostra o céu chileno, vemos um leve brilho; trata-se da "luminescência atmosférica", causada por diferentes processos na atmosfera superior da Terra. Se você olhar bem perto do domo do observatório, verá também as galáxias Grande e Pequena Nuvem de Magalhães. Já no céu dos alpes, é possível observar a galáxia Andrômeda, que aparece próxima do horizonte.

Fonte: APOD

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.