Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (21/11 a 27/11/2020)

Por Daniele Cavalcante | 28 de Novembro de 2020 às 11h00
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Sábado é dia de descansar, maratonar séries e apreciar imagens espetaculares do universo, todas selecionadas pela NASA ao longo da semana. Dessa vez, a agência espacial trouxe de volta as queridas nebulosas (que estavam ausentes na semana anterior), e dessa vez com um tipo difícil de se ver por aí. Quer dizer, literalmente difícil de enxergar, pois se trata de uma nebulosa escura. Suas nuvens são tão espessas que toda luz das estrelas em segundo plano são bloqueadas, e o que vemos é um "buraco no céu".

Também há algumas astrofotografias impressionantes, como a imagem de um meteoro da chuva Leônidas caindo em linha perfeitamente vertical, ao lado de Marte. Também há imagens espetaculares da Via Láctea e da galáxia vizinha, Andrômeda. Por fim, a NASA destaca o foguete chinês Long March 5, que lançou uma nova e importante missão esta semana, e o Dia de Ação de Graças.

Sábado (21/11) — O Planeta Vermelho e o meteoro

(Imagem: Reprodução/Jeff Dai)

Algumas “astroimagens” dispensam comentários e esta é uma delas — qualquer adjetivo diminui a beleza dessa fotografia. Basta saber que o corpo celeste mais brilhante deste céu noturno é Marte (que por sinal está nos fornecendo um espetáculo nos últimos meses) e o risco perfeitamente vertical no centro é uma “estrela cadente”, ou seja, um meteoro que caiu na Terra no dia 18 de novembro, durante a chuva Leônidas. O cenário fica ainda mais completo com a cordilheira Yulong, na província de Yunnan, sudoeste da China, traçando o horizonte contra o céu abundante em estrelas.

Domingo (22/11) — Um buraco no céu

(Imagem: Reprodução/FORS Team/8.2-meter VLT Antu/ESO)

Parece um buraco no céu — e já até foi considerado dessa forma há algum tempo —, mas trata-se de uma nuvem molecular escura, ou simplesmente nebulosa escura. Significa que existe uma concentração de poeira e gás molecular tão alta nessa região que toda a luz das estrelas atrás da nuvem foi absorvida por ela. O interior dessas nuvens é considerado um dos lugares mais frios e isolados do universo. Apesar disso tudo, é possível ver através de algumas pela luz infravermelha.

Essas estruturas são incríveis. Por exemplo, a maior delas, chamada nuvem molecular gigante (NMG), ultrapassa um milhão de massas solares. Nesta imagem, estamos olhando para a Barnard 68, que parece estar localizada a cerca de 500 anos-luz de distância — o que é relativamente perto, em proporções cósmicas. Com apenas meio ano-luz de diâmetro, não é tão grande quanto a NMG (que mede 150 anos-luz de comprimento).

Não se sabe exatamente como nuvens moleculares se formam, mas elas não estão condenadas à eterna escuridão. Na verdade, nuvens como a Barnard 68 provavelmente formarão novas estrelas, o que fará com que o material seja consumido, perdendo assim parte de sua densidade, e iluminado pelos novos sistemas estelares.

Segunda-feira (23/11) — Júpiter

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin M. Gill)

Provavelmente a cada vez que uma nova imagem de Júpiter for registrada, suas faixas coloridas terão formas e tonalidades diferentes. Isso ocorre porque elas são, na verdade, tempestades de vento e ciclones que se movem por toda a atmosfera do planeta.

A camada atmosférica superior de Júpiter é dividida em zonas claras e faixas escuras, que se espalham graças a vendos horizontais superiores a 300 km/h. Ainda não se sabe o que causa esses ventos por lá.

Não podemos ver o que há por baixo dessas camadas altamente espessas, não só pela densidade dos gases, mas também por incluir nuvens de relativamente opacas de amônia e água capazes de bloquear a luz dos níveis mais baixos. Aliás, a luz do Sol dificilmente penetraria muito a atmosfera superior de Júpiter.

Nessa imagem capturada pela sonda Juno em 2017, o destaque são as faixas claras, formadas por hidrogênio e hélio, gases incolores. Já as faixas coloridas, pode ser que sejam tingidas por enxofre e carbono, mas ainda não há certeza sobre isso. Seja como for, cada nova visualização do gigante gasoso parece uma nova pintura pós-impressionista.

Terça-feira (24/11) — A Hélice

(Imagem: Reprodução/CFHT/Coelum/MegaCam/J.-C. Cuillandre/G. A. Anselmi)

A Nebulosa da Hélice é uma das mais icônicas, mas ela está um pouco diferente nesta imagem. Em suas fotos mais famosas, ela apresenta cores alaranjadas nas bordas e azuis no centro, o que faz com que ela se pareça um olho gigantesco no meio do nada. Aqui, ela foi registrada em outras faixas do espectro eletromagnético e, por isso, também parece ter um formato um pouco diferente — embora ainda reconhecível.

Nebulosas planetárias como esta são formadas por gás expelido por uma estrela do tamanho do Sol em seus últimos estágios evolutivos, isto é, após se tornarem gigantes vermelhas e antes de se transformarem e anãs brancas. Podemos ver a estrela que formou a Hélice bem no centro da nebulosa. Ou melhor, o remanescente estelar, já que ela não possui mais as características distintas de uma estrela.

Esta estrutura é catalogada como NGC 7293 e fica a cerca de 700 anos-luz de distância, em direção à constelação de Aquário, e se estende por cerca de 2,5 anos-luz. A foi tirada com o Telescópio Canadá-França-Havaí, que fica no topo de um vulcão adormecido no Havaí.

O Sol também se tornará algo assim algum dia, embora seja impossível prever o formado da nebulosa que se formará ao redor da nossa estrela. Seja qual for, sem dúvida será algo tão magnífico e único quanto qualquer outra nebulosa planetária do cosmos.

Quarta-feira (25/11) — Andrômeda sobre dunas

(Imagem: Reprodução/Gerardo Ferrarino)

Esta é outra daquelas imagens que dispensam elogios, mas cabe algumas curiosidades sobre o objeto que aparece neste céu exuberante. A galáxia de Andrômeda está a 2,5 milhões de anos-luz de distância, mas ainda é possível vê-la a olho nu, desde que em um local bem escuro e com boas condições climáticas. É o objeto mais distante facilmente visto sem a ajuda de instrumentos, o que significa que também é a luz mais antiga que podemos ver desta forma.

A foto foi tirada das dunas da Bahía Creek, Patagônia, no sul da Argentina, e foi necessária uma combinação de 45 imagens de fundo com uma imagem de primeiro plano para obter este resultado. Com toda a exposição de longa duração da câmera, a galáxia M110, uma galáxia satélite de Andrômeda, também apareceu logo abaixo. Além disso, esse tipo de exposição e composição é a única maneira de vermos Andrômeda com tantos detalhes — quer dizer, a menos que você possua um bom telescópio.

Quinta-feira (26/11) — Nebulosa do Peru

(Imagem: Reprodução/Eric Coles)

Os Estados Unidos comemoraram no dia 26 de novembro o Dia de Ação de Graças. Já que nessa data os estadunidenses costumam celebrar com uma ceia na qual o peru é o prato principal, a NASA escolheu a Grande Nebulosa do Peru para esta data. Entretanto, ela infelizmente não existe de verdade. Esta é a imagem de uma nebulosa real que passou por uma edição no Photoshop.

A imagem original é, na verdade, a Nebulosa de Orion, uma das nebulosas mais famosas do céu noturno, visível a olho nu. Também chamada de Messier 42 (ou M42), ela fica na constelação com o mesmo nome, a cerca de 1.500 anos-luz da Terra. Você encontrou alguma semelhança com um peru? Provavelmente isso ocorre graças à pareidolia.

Sexta-feira (27/11) — Chang’e-5 

(Imagem: Reprodução/Jeff Dai)

Na sexta-feira, a NASA destacou o lançamento da missão chinesa Chang'e-5, que ocorreu na última segunda-feira em um foguete Long March 5. A principal meta desta missão é coletar amostras da superfície lunar, coisa que não ocorre desde 1976. A alunissagem (nome que se dá aos pousos na Lua) ocorrerá no monte Mons Rümker, no Oceanus Procellarum, a mesma região onde a Apollo 12 pousou em 1969.

Ali, será feita a coleta de amostras, que deverão ser trazidas à Terra provavelmente em dezembro deste ano. A sonda deverá perfurar o solo lunar em até dois metros de profundidade durante as duas semanas do próximo dia lunar, enquanto coleta o material. Então, as amostras serão armazenadas em um módulo de subida, que voará até a órbita da Lua, onde outro módulo estará aguardando. Ali, há uma cápsula de retorno, capaz de iniciar o voo de volta à Terra com as amostras a bordo.

Fonte: APOD

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