Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (17/07 a 23/07/2021)

Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (17/07 a 23/07/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 24 de Julho de 2021 às 11h00
CHART32 Team/B. Miller/NASA, JPL-Caltech, GALEX

Chegamos a mais um fim de semana! Hoje, você confere o que há no compilado das imagens astronômicas que a NASA selecionou ao longo da semana, e já adiantamos um pouco do que esperar: nesta seleção, você encontrará imagens de objetos distantes, que foram registrados de formas um pouco diferentes daquelas às quais estamos acostumados — como a galáxia de Andrômeda, imageada em luz ultravioleta, ou a famosa Nebulosa do Anel, que aparece na foto com suas cores separadas.

Aliás, o compilado conta também com alguns objetos que existem a enormes distâncias de nós, com formas bastante curiosas: um deles lembra o capacete usado pelo deus nórdico Thor, enquanto outros se assemelham a alguns animais que vivem em diferentes ambientes na Terra.

Confira essas e outras imagens astronômicas junto de curiosidades e informações sobre elas:

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Sábado (17) — Crateras lunares

(Imagem: Reprodução/Noel Donnard)

Se você tiver um telescópio em mãos e apontá-lo para a Lua crescente, bem na “linha” que divide o lado iluminado e escuro do nosso satélite natural, poderá encontrar este par de grandes crateras da imagem acima. A foto foi feita pela nave Ranger 9, lançada em 1965 para fotografar a superfície lunar em busca de possíveis lugares para os pousos das missões do programa Apollo. Durante sua missão, a nave enviou à Terra mais de 5 mil imagens do nosso satélite natural em alta resolução.

Alphosus, que aparece no lado esquerdo desta foto, é uma cratera com diâmetro de mais de 100 quilômetros, e a formação geológica em seu centro tem cerca de 1,5 km de altura. Trata-se de uma antiga cratera de impacto que foi também o destino da nave Ranger 9. Já a cratera da direita é Arzachel que, ao contrário de sua vizinha, é relativamente jovem. Ela também foi formada por um impacto e, em seu interior, fica um pico de 1,5 km de altura. Por fim, a pequena cratera Alpetragius fica entre as duas.

Domingo (18) — A Galáxia de Andrômeda 

(Imagem: Reprodução/NASA, JPL-Caltech, GALEX)

O Grupo Local abriga cerca de 50 galáxias; entre elas, há a nossa e a Galáxia de Andrômeda, que você viu na imagem acima, que é a vizinha mais próxima da Via Láctea. Ela se estende por 230 anos-luz — tanto que o telescópio Galaxy Evolution Explorer (GALEX), da NASA, precisou fazer 11 registros de Andrômeda para criar este retrato, na luz ultravioleta. Geralmente, os braços dela ficam bem visíveis em imagens da luz visível, mas aqui eles lembram mais a forma de anéis.

Estes anéis são lugares de intensa formação estelar e já foram considerados como evidências de uma colisão entre Andrômeda e a galáxia M32, sua vizinha de menores dimensões, há mais de 200 milhões de anos. Aliás, um encontro parecido nos aguarda no futuro: a Via Láctea e Andrômeda deverão colidir entre si em alguns bilhões de anos. Como ambas são bem massivas, ainda não dá para saber exatamente o que esperar dessa fusão, mas é possível que a "Androláctea" resulte em uma estrutura parecida com a de uma galáxia espiral, mas com características de uma elíptica.

Segunda-feira (19) — A “moldura” da Via Láctea 

(Imagem: Reprodução/Will Godward)

O fotógrafo responsável pela foto acima mora no sul da Austrália e, assim como os demais moradores do hemisfério Sul, tem a sorte de passar o inverno com o coração da Via Láctea bem no meio do céu. Como ele já tinha esta composição em mente há algum tempo, sabia haver objetos que ficam ainda mais brilhantes por terem pouco de sua luz dispersa pela atmosfera. Assim, para aproveitar o momento perfeito proporcionado pelo inverno na Austrália, ele se aventurou para o interior da floresta de Kuipto, cujos pinheiros atraem turistas e viajantes que querem ter contato com a natureza.

Os pinheiros, membros da espécie Pinus radiata, quase esconderam parte do céu, mas deixaram uma “janela” emoldurada pelos troncos e folhas. Foi ali que o fotógrafo fez 16 exposições das árvores e da Via Láctea, que registraram objetos diversos no céu, como o brilho alaranjado da estrela Antares, à esquerda do plano central da galáxia. Ao olhar na direção do centro da imagem, você encontrará Alpha Centauri, a terceira estrela mais brilhante no céu noturno e o sistema estelar mais próximo do Sol.

Terça-feira (20) — O Capacete de Thor 

(Imagem: Reprodução/Bernard Miller)

Thor, o deus do trovão na mitologia nórdica, é muito conhecido por seu capacete icônico — que, aliás, tem até uma “versão cósmica”, que é a que você viu na foto acima. Brincadeiras à parte, esta é, na verdade, a NGC 2359, uma nebulosa de emissão a mais de 15 mil anos-luz de distância de nós. Localizada na constelação do Cão Maior, essa formação se estende por 30 anos-luz e sua estrutura lembra um pouco a de uma bolha interestelar, cujas camadas foram “sopradas” por ventos vindos da estrela massiva e brilhante em seu interior.

Conhecida como “estrela de Wolf-Rayet”, essa estrela é uma gigante de temperaturas extremamente altas que deverá explodir em uma supernova em alguns milhares de anos. Ao redor dela, existe uma nuvem interestelar de poeira, hidrogênio, hélio e outros gases, formada quando os ventos estelares interagem com as camadas mais externas do hidrogênio liberado pela estrela — e os detalhes dos filamentos da nuvem foram capturados nessa imagem, que mostra também a estrela com aparência natural.

Quarta-feira (21) — As cores da Nebulosa do Anel  

(Imagem: Reprodução/Robert Vanderbei (Princeton U.)

A 2.300 anos-luz da Terra, fica a Nebulosa do Anel. Trata-se de uma nebulosa planetária formada por gases, cujas cores e estrutura parecem formar um anel — e essas cores aparecem separadas na imagem acima, acompanhadas pela luz das estrelas próximas. Essa separação foi possível graças a uma rede de difração, um dispositivo que conta com várias fendas que são atravessadas por luz. Depois, a luminosidade que incide ali é difratada e, portanto, separada, em um processo parecido com aquele que acontece quando um raio de luz atravessa um prisma.

O resultado são as cores dessa imagem, que indicam diferentes compostos: o vermelho e azul intensos remetem a hidrogênio e oxigênio, respectivamente, enquanto a imagem da direita é o que vemos ao observar a nebulosa normalmente. Já os rastros coloridos que aparecem vêm das estrelas, que emitem luz em todas as cores do espectro visível. A separação dessas cores é importante para os astrônomos identificarem quais são os elementos que compõem o objeto, a velocidade com que se move, a distância em que está, entre outros parâmetros.

Quinta-feira (22) — Um "pequeno sombreiro"

(Imagem: Reprodução/CHART32 Team)

A cerca de 40 milhões de anos-luz de nós, na constelação Pegasus, o Pégaso, há uma galáxia de forma peculiar. Trata-se da NGC 7814, que também é chamada de "Pequeno Sombreiro" por ter forma parecida com a M104 — esta, a famosa Galáxia do Sombreiro. Nesta imagem, ela aparece acompanhada pela SN 2021rhu, uma supernova descoberta recentemente que, aqui, aparece à esquerda do núcleo da galáxia. Essa explosão estelar foi classificada como uma do tipo Ia, ou seja, ela ocorreu em um sistema binário formado por uma anã branca e algum outro objeto, como uma estrela gigante.

Pois bem, apesar do que seu nome indica, a Pequeno Sombreiro se estende por quase 60 mil anos-luz; ou seja, ela tem praticamente o mesmo tamanho físico de sua "irmã”. Ambas são observadas de lado, mas o que dá a impressão de ter tamanho menor e ser menos brilhante é a distância da Pequeno Sombrero em relação a nós. Deixando estas diferenças de lado, as duas galáxias são espirais e ambas contam com grandes halos e bojos em seus centros, cortados por um fino disco composto por corredores de poeira.

Sexta-feira (23) — Animais cósmicos

(Imagem: Reprodução/Patrick Hsieh)

Aqui, temos as nebulosas de emissão IC 1396 e Sh2-129, que misturam gases interestelares e grandes nuvens de poeira escura em suas estruturas. A primeira, do lado esquerdo, fica a 3.000 anos-luz de nós, e se estende por algumas centenas de anos-luz. Essa nebulosa tem uma estrela em seu interior e, se você observá-la com atenção, irá perceber algumas nuvens escuras — você encontra uma delas um pouco abaixo do centro da imagem, onde está uma popularmente conhecida como "Tromba do Elefante", recheada de material que irá formar novas estrelas.

A uma distância semelhante de nós, ficam alguns nós brilhantes e formações que definem os contornos da nebulosa Sh2-129 ou, se você preferir, pode também chamá-la de "Nebulosa do Morcego Voador". Ela está acompanhada pela Ou4, a Nebulosa da Lula Gigante e sua forma bipolar envolvida pela emissão avermelhada do hidrogênio vindo do Morcego. Por enquanto, a natureza verdadeira e distância da Lula Gigante continuam misteriosas para nós.

Fonte: NASA

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