Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (15/05/2021 a 21/05/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 22 de Maio de 2021 às 11h00
ESA/NASA/Hubble/J. Arias/R. Barba

Mais um sábado chegou, e hoje você confere a seleção das imagens astronômicas feita pela NASA ao longo da última semana. Estas imagens, feitas por instrumentos diversos, levam você a uma viagem para conferir o brilho que um aglomerado estelar pode ter, como seria uma nebulosa cuja forma lembra um colar de diamantes e até uma galáxia que lembra a nossa, mas que parece ser fina feito uma agulha. Confira estes e outros objetos, junto de algumas curiosidades sobre eles, na seleção da semana!

Sábado (15/05) — Uma “lagoa” no céu

(Imagem:  Reprodução/J. Arias/R. Barba/ICATE-CONICET/Gemini Observatory/AURA)

A Nebulosa da Laguna, também conhecida como Messier 8 ou somente M8, é uma grande nuvem de gás que fica a cerca de 5 mil anos-luz de nós, em direção à constelação de Sagitário e ao centro da Via Láctea. Se você tiver algum instrumento óptico em mãos, vai ver um objeto impressionante, cujo tamanho pode chegar a três vezes o da Lua quando está na fase nova.

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Esta imagem foi feita pelo observatório Gemini Sul, e mostra de pertinho os detalhes de uma região que é conhecida como Penhasco Sudeste. Ali, fica um grupo de estrelas recém-nascidas juntas de nuvens dos objetos Herbig-Haro, áreas que se formam quando jatos poderosos, emitidos por estrelas jovens, aquecem nuvens de gás e poeira nos arredores.

Domingo (16/05) — Aglomerado estelar 

(Imagem: Reprodução/CFHT/Coelum/MegaCam, J.-C. Cuillandre (CFHT)/G. A. Anselmi (Coelum)

As proximidades da Via Láctea estão longe de serem desertas: nos limites da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã que fica pertinho da nossa, está o aglomerado estelar NGC 602. É fácil encontrar as nuvens que o formam: basta procurar as nuvens cujas formas lembram aquela de uma ostra. Já no fundo da imagem, estão galáxias de diversos tipos, tamanhos e idade, que estão a algumas boas centenas de milhões de anos-luz do NGC 602.

O aglomerado em questão é uma grande formação que uniu nuvens de gás e poeira, mas existe algo mais ali: as formas que vemos nessa imagem sugerem que a radiação energética, junto de ondas de choque de estrelas jovens, acabaram causando um efeito de erosão no material formado por poeira. Assim, esse processo resultou na formação estelar se afastando do centro do aglomerado.

Segunda (17/05) — a Galáxia da Agulha

(Imagem: Reprodução/CFHT/Coelum/MegaCam/J.-C. Cuillandre/& G. A. Anselm)

A cerca de 40 milhões de anos-luz de nós fica a galáxia NGC 4565, que, assim como a Via Láctea, é uma galáxia do tipo espiral. A Galáxia da Agulha pode ser observada facilmente com telescópios pequenos, na direção da discreta constelação da Cabeleira de Berenice — mas não se engane pela estrutura fina dela, já que esta é uma galáxia gigante e mais luminosa que Andrômeda.

Nesta imagem, vemos a estrutura da galáxia observada na lateral, com destaque para o núcleo central que se destaca ao centro, com faixas de poeira escuras envolvendo o plano galáctico fino. A Galáxia da Agulha é acompanhada por pelo menos outras duas satélites, sendo que cada uma exerce um diferente tipo de interação. Por enquanto, a natureza do bojo central dela ainda não é bem conhecida.

Terça (18/05) — Joias espaciais

(Imagem: Reprodução/ESA, Hubble, NASA/K. Noll)

A cerca de 15 mil anos-luz de nós, na constelação de Sagitta, fica a Nebulosa do Colar, uma formação que tem apenas 5 mil anos. Trata-se de uma nebulosa planetária, que nada mais é do que uma nuvem de gás emitida por uma estrela chegando ao fim de sua vida. Já os pontos luminosos que seriam os "diamantes" do Colar são, na verdade, nós gasosos e brilhantes. Perceba que, no centro da nebulosa, parece haver uma estrela; contudo, é bastante provável que, na verdade, existam duas delas por lá (ou seja, um sistema estelar binário).

A aparência parece enganar porque elas orbitam uma à outra bem de pertinho e compartilham uma só atmosfera, de modo que ficamos com a impressão de que são um único objeto. Já as nuvens vermelhas de gás nos cantos direito e esquerdo são um pouco mais misteriosas: já sabemos que elas são o resultado de jatos vindos do centro da nebulosa, mas ainda são necessários mais estudos para os astrônomos descobrirem quando se formaram e de que forma isso aconteceu.

Quarta (19/05) — Marte e a Nebulosa da Água-Viva

(Imagem: Reprodução/Jason Guenzel)

Para a frustração de quem tenta observá-la, a Nebulosa da Água-Viva costuma ficar “escondida” no céu por seu brilho ser fraco — mas não se preocupe, já que aqui ela aparece com clareza e acompanhada pelas estrelas Mu e Eta Geminorum, que ficaram na parte superior e inferior da imagem. Essa é uma dupla de estrelas gigantes vermelhas, sendo que a primeira fica a aproximadamente 230 anos-luz de distância de nós, enquanto a outra está a cerca de 349 anos-luz da Terra.

Aliás, repare também no ponto com brilho amarelado na parte direita da imagem: ali, temos Marte, nosso vizinho a cerca de 18 minutos-luz da Terra. A nebulosa em meio às estrelas é, na verdade, parte do remanescente de supernova chamado IC 443, que foi formado pela nuvem de detritos que sobrou da explosão de uma estrela massiva — e, aliás, a luz deste evento violento chegou por aqui há mais de 30 mil anos. Assim como acontece com a Nebulosa do Caranguejo, este objeto das “águas cósmicas” tem uma estrela de nêutrons em seu interior, ou seja, o núcleo de uma estrela colapsada.

Quinta (20/05) — O brilho do Grande Aglomerado Globular de Hércules

(Imagem: Reprodução/Martin Dufour)

Em 1716, o astrônomo Edmond Halley ficou maravilhado ao observar o Grande Aglomerado Globular de Hércules — e com razão, pois esta formação, que fica a cerca de 25 mil anos-luz de nós, é um dos aglomerados estelares globulares mais brilhantes do céu do hemisfério Norte. A nitidez desta imagem nos proporciona o espetáculo das centenas de milhares de estrelas que formam o aglomerado, que se juntam em uma região de cerca de 150 anos-luz de diâmetro — tanto que a faixa brilhante da imagem acompanha as estrelas que formam o núcleo deste aglomerado.

Se fosse possível reunir as mais de 100 estrelas do núcleo em um só lugar, elas poderiam ser facilmente colocadas em um cubo com o lado medindo apenas 3 anos-luz. Repare também no fundo da imagem, que mostra galáxias distantes — e, se você observar o canto inferior direito da foto, vai encontrar a galáxia NGC 6207. Trata-se de uma galáxia do tipo espiral que foi descoberta em 1787 pelo astrônomo William Herschel, e fica na direção da constelação de Hércules.

Sexta (21/05) — Utopia Planitia, em Marte

(Imagem: Reprodução/NASA, The Viking Project/M. Dale-Bannister)

Aqui, temos um registro de Utopia Planitia, uma grande bacia de impacto em Marte, que foi onde a NASA pousou o lander Viking 2, em 1976. Recentemente, a região recebeu um novo visitante: foi lá que a China decidiu pousar o rover Zhurong, o primeiro do país a explorar outro planeta. Como esta imagem foi produzida a partir dos dados do lander estadunidense, que foram coletados em preto e branco, foi necessário processá-la para ficar colorida e mais próxima do que veríamos com as capacidades do olho humano.

A imagem guarda alguns detalhes interessantes: no canto direito, há uma rocha escura e angulada, com cerca de 1,5 m de extensão. Perceba também duas cavidades no solo, que foram cavadas pelo braço de coleta de amostras do lander, junto do “pé” da sonda que aparece coberto por poeira marciana. Mais ao canto direito da foto, é possível ver um item de formato cilíndrico: aquilo nada mais é do que um componente que protegeu a parte coletora de amostras de solo.

Fonte: NASA

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