Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (10/07 a 16/07/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 17 de Julho de 2021 às 11h00
Bray Falls,Keith Quattrocchi/G. Funes/M. Pugh/R. Sung

Mais um sábado chegou e você já pode conferir as imagens astronômicas que a NASA selecionou ao longo da última semana. E quem não resiste a fotos da Lua ficará maravilhado com as fotos escolhidas: uma delas mostra nosso satélite natural com uma iluminação tão difusa e diferente que intrigou Leonardo da Vinci no passado, a ponto de estudar o fenômeno e desvendar alguns mecanismos por trás dele. Já outra imagem pode parecer uma paisagem comum à primeira vista, mas observe-a com atenção e você encontrará a Lua bem ao centro dela.

Aliás, não fique preso somente ao satélite natural da Terra e confira também um modelo tridimensional e interativo da lua Jápeto, uma das mais misteriosas de Saturno. Por fim, aproveite a viagem a objetos distantes para conhecer as cores da Nebulosa de Dumbbell e até da misteriosa "torre" de poeira, uma formação escura que parece uma torre prestes a tombar.

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Sábado (10) — Mercúrio, a Lua e o brilho da Terra

(Imagem: Reprodução/Gabriel Funes)

Quem acordou bem cedo no dia 8 de julho — como este fotógrafo — pôde observar Mercúrio e a Lua aparecendo juntos no céu, ainda baixos em relação ao horizonte. Esta foto, feita nas Ilhas Canárias, mostra Mercúrio junto da Lua, com seu lado crescente fortemente iluminado, enquanto o lado noturno mostra um brilho de cor acinzentada, enquanto os telescópios THEMIS, VTT e GREGOR aparecem no primeiro plano. Na verdade, essa iluminação mais fraca e difusa vem da luz solar refletida pela Terra.

Esse brilho, chamado “Earthshine” (“brilho da Terra”, em tradução literal), intrigou a humanidade por muito tempo. E foi Leonardo da Vinci quem ajudou a desvendá-lo. Por volta do ano de 1500, ninguém sabia bem o porquê deste brilho; assim, da Vinci propôs que a Lua teria uma atmosfera e oceanos, e essa água iria refletir a luz que vinha do reflexo dos oceanos da Terra. Hoje, já sabemos que a Lua não tem oceanos e que o brilho vem do reflexo das nuvens da Terra, não da água. Mesmo assim, ele acertou os aspectos mais básicos do fenômeno.

Domingo (11) — O dia em que a Lua “desapareceu”  

(Imagem: Reprodução/Jimmy Westlake (Colorado Mountain College)

Sim, a Lua está nesta foto — e se você sentir dificuldade para encontrá-la, fique tranquilo, pois nem mesmo o fotógrafo sabia exatamente para onde deveria olhar enquanto fazia esta longa exposição. Nosso satélite natural ficou “escondido” nesta foto devido a diferentes fenômenos que aconteceram juntos. O primeiro deles é que, neste dia, a Lua estava na fase completamente cheia, mas havia um eclipse lunar total acontecendo. Com isso, a sombra da Terra foi projetada na Lua, deixando-a bem mais escura do que ficaria normalmente.

Além disso, a foto foi feita um pouco antes do amanhecer, de modo que nosso satélite natural estava totalmente oposto ao Sol, que se encontrava um pouco abaixo do horizonte e já iluminava um pouco do céu. Por fim, temos também o efeito causado pela atmosfera: como a Lua estava cerca de dois graus acima do horizonte, o grande volume de ar presente entre a câmera e o horizonte dispersou um pouco da luz refletida pela Lua ao fundo.

Segunda-feira (12) — A Nebulosa de Dumbbell

(Imagem: Reprodução/Bray Falls & Keith Quattrocchi)

Se você tiver um par de binóculos em mãos e voltá-los para a direção da constelação de Vulpecula, a Raposa, encontrará a Nebulosa de Dumbbell. Localizada a cerca de 1.360 anos-luz de nós, esta nebulosa planetária tem brilho de magnitude aparente de 7,5, o que a torna um dos objetos mais brilhantes do céu noturno — para comparação, a Lua pode chegar à magnitude de -12. A luz dessa nebulosa leva cerca de mil anos para chegar aqui, mas, felizmente, não precisamos esperar tanto tempo para admirá-la. Esta foto mostra algumas cores interessantes, foram emitidas por átomos de hidrogênio e oxigênio.

Embora esteja distante de nós, essa nebulosa nos deu as primeiras dicas sobre como será o destino do nosso Sol. É que, em 1764, o astrônomo francês Charles Messier estava listando alguns objetos difusos, para evitar que fossem confundidos com cometas — entre eles, estava esta nebulosa. Ela envolve uma anã branca de altíssima temperatura, algo parecido com o que aguarda o Sol no futuro — em cerca de 6 bilhões de anos, nossa estrela vai ficar sem combustível para realizar a fusão nuclear que produz o calor, o qual sustenta sua estrutura. Com isso, as camadas mais externas do Sol vão “inchar”, deixando para trás apenas uma anã branca como núcleo.

Terça-feira (13) — A lua Jápeto 

Não podemos falar dos satélites naturais do Sistema Solar sem mencionar Saturno, orbitado por suas 82 luas conhecidas. Entre elas, está Jápeto, representada no modelo tridimensional interativo que você vê acima. Considerada a terceira maior do sistema do gigante gasoso, ela guarda vários mistérios — tanto que a NASA enviou a sonda Cassini, que passou anos estudando o planeta, para sobrevoar Jápeto a 2.000 km de altitude e ajudar os cientistas a entender melhor suas características. O resultado foi a descoberta de algumas formações estranhas, como uma fenda equatorial que corta 75% da superfície de Jápeto.

Grandes partes desse mundo têm cor marrom escura, cuja composição ainda segue desconhecida, mas é possível que este material seja formado, principalmente, por restos de poeira que sobraram após a sublimação do gelo. Além disso, uma camada mais antiga deste material pode ter sido criada por detritos deixados por meteoros, vindos de outras luas. Essa cobertura marrom se estende pelas partes mais orientais de Jápeto, escurecendo crateras e planaltos. Já ao sul, encontramos uma enorme cratera de impacto, que se estende por 450 km e parece se sobrepor a outra, mais antiga.

Quarta-feira (14) — Encontro de uma estrela de nêutrons e um buraco negro

Um dos eventos mais extremos que conhecemos foi confirmado: uma estrela de nêutrons e um buraco negro, dois dos objetos mais densos do universo, colidiram e produziram ondas gravitacionais que foram detectadas pelos observatórios LIGO e Virgo. As estrelas de nêutrons nascem das estrelas que eram massivas o suficiente para formar buracos negros ao fim de suas vidas e são extremamente densas — uma simples colher de sopa de uma delas pesaria um bilhão de toneladas. Em paralelo, temos os buracos negros, objetos tão massivos e com atração gravitacional tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar dali.

Se você achou o vídeo curto demais, saiba que esses 30 segundos de duração são 1000 vezes mais longos do que a fusão que aconteceu entre os dois objetos no passado. No vídeo, temos um buraco negro de seis massas solares e uma estrela de nêutrons cuja massa é de apenas 1,5 vez a do Sol. Ambos estão circulando um ao outro — note as formas em azul, que representam as ondas gravitacionais emitidas enquanto isso acontece — cada vez mais rápido, até que a estrela é devorada pelo buraco negro. Como ela não se rompeu durante a colisão, apenas um pouco de luz pôde escapar do ocorrido. No fim, o buraco negro vibra rapidamente e desaparece, seguido das ondas gravitacionais.

Quinta-feira (15) — Uma “torre” de poeira

(Imagem: Reprodução/Martin Pugh/Rocco Sung)

A constelação de Scorpius, o Escorpião, pode ser facilmente vista por observadores no hemisfério Sul durante o inverno. Aliás, ela também abriga a nuvem escura, em forma de torre, que você viu na imagem acima. Conhecida como “Torre Escura”, essa nuvem que se estende por quase 40 anos-luz é formada por poeira e gases, e fica a cerca de 5.000 anos-luz de nós. Em seu interior, pode muito bem haver aglomerados de poeira e gás molecular em colapso, prestes a formar novas estrelas.

Essa nuvem também é conhecida como “glóbulo planetário” e é marcada pela radiação intensa do aglomerado estelar NGC 6231 — que é também de onde vem o brilho vermelho na imagem, emitido pelo hidrogênio gasoso. Apesar de não aparecer nesse retrato, saiba que esse aglomerado, a 5.200 anos-luz da Terra, é um ótimo lugar para os astrônomos estudarem essas formações pouco tempo depois do fim da formação de estrelas, uma das etapas mais críticas de sua evolução. Para encontrar o NGC 6231, basta procurar na direção da “cauda” do Escorpião.

Sexta-feira (16) — Vênus, Marte e a Lua

(Imagem: Reprodução/Shi Huan)

O dia 11 de julho, na República Democrática do Congo, foi encerrado com esse belo fim de tarde: a foto foi feita um pouco depois do Sol se pôr, e mostra Vênus e Marte brilhantes, acompanhados pela Lua. Vênus, planeta que leva o nome da deusa do amor na mitologia romana, é conhecido por ser um dos objetos mais brilhantes do céu — para comparação, este nosso vizinho "perde" somente para a Lua e, claro, para o Sol, quando o assunto é o brilho. Muito disso se deve à espessa camada de nuvens que cobre toda a superfície venusiana, que é também a responsável pelas temperaturas e pressões altíssimas que ocorrem por lá.

Já Marte, que "herdou" o nome do deus da guerra também na mitologia romana, pode ser encontrado um pouco acima de Vênus. O Planeta Vermelho foi se aproximando cada vez mais do outro — tanto que, no dia 13 de julho, os dois podiam ser observados a apenas uma Lua de distância um do outro. Agora, os dois planetas estão ficando mais próximos da estrela Régulo, a mais brilhante da constelação do Leão. A estrela está no topo dessa foto e, quem observá-la no fim de tarde nos próximos dias, poderá encontrar Vênus por perto e, depois, Marte.

Fonte: APOD

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