Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (05/09 a 11/09/2020)

Por Daniele Cavalcante | 12 de Setembro de 2020 às 11h00
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Chegamos a mais um sábado cheio de imagens e curiosidades sobre o universo, cortesia da NASA e sua equipe responsável pelo já tradicional APOD (Astronomy Picture of the Day, ou simplesmente "astroimagens do dia", em um português bem simplificado). Nesta semana, a agência espacial selecionou uma imagem feita por uma dupla de brasileiros que fotografaram a Lua em Maceió!

Como de costume, a NASA selecionou tanto imagens da Terra quanto do cosmos. A fotografia terrestre, por sinal, é tão criativa quanto inspiradora — a Via Láctea se encontra com o final de um caminho de pedras que leva ao Monte de São Miguel.

As nebulosas também marcam presença, como sempre, e alguns planetas do Sistema Solar também são retratados em eventos bastante curiosos: o eclipse de Marte pela nossa Lua e uma tempestade em Júpiter que dobrou de tamanho em poucos dias e se locomoveu ao longo do equador do planeta.

Sábado (05/09) — A Lua e o falcão

Imagem: Katie Darby

No dia 30 de agosto, três dias antes da Lua Cheia aparecer nos Estados Unidos, o primeiro estágio do foguete Falcon 9 da SpaceX foi fotografado no momento certo para uma belíssima composição. A Lua quase cheia surgiu pouco antes do pôr do sol, no céu nublado sobre a Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Flórida.

O primeiro estágio do veículo estava retornando à Terra após o lançamento do satélite SAOCOM 1B. Este foi o primeiro lançamento em direção à órbita polar realizado a partir da Flórida desde 1969 — nos últimos 51 anos, esse tipo de missão era lançada a partir da Califórnia, para não colocar em risco as populações próximas ao Cabo Canaveral. A SpaceX, entretanto, possui um mecanismo em seus foguetes chamado Autonomous Flight Termination Systems (AFTS), que desliga o sistema em casos de emergência.

Domingo (06/09) — Nebulosa do Caranguejo

Imagem: NASA/ESA/Hubble/J. Hester/A. Loll

A Nebulosa do Caranguejo é bastante peculiar e tem uma longa história na astronomia. Ela se formou a partir dos restos da explosão de uma supernova que pôde ser vista da Terra há quase mil anos. Foi em abril de 1054 que os astrônomos chineses registraram a luz mais intensa já vista por eles, perto da constelação de Touro. O brilho era tão forte que foi visto durante o dia por semanas, e pode ser observada a olho nu no céu noturno por cerca de dois anos.

No século XVIII, a nebulosa começou a ser estudada, mas o nome atual só veio em 1844, quando o Conde de Rosse a batizou por causa da semelhança de um esboço feito por William Parsons com um… caranguejo, claro. As estruturas aninhadas são algo particular dessa nebulosa e mostram que não se trata de remanescentes de supernova clássica, por isso ela é classificada como uma nebulosa de vento de pulsar.

Essa imagem foi capturada pelo Telescópio Espacial Hubble e apresentada cores falsas escolhidas para destacar os diferentes tipos de emissão luminosa. São cerca de 10 anos-luz de comprimento e bem no coração da estrutura há um pulsar: uma estrela de nêutrons tão massiva quanto o Sol, mas com o tamanho de uma pequena cidade e uma rotação de aproximadamente 30 vezes a cada segundo.

Segunda-feira (07/09) — Dois caminhos convergem

Imagem: Simon R. Hudson

Esta imagem não é apenas impressionante, mas também rica em detalhes que merecem atenção. Dois caminhos se encontram: a ponte de pedras, na Terra, e a Via Láctea, no céu, e ambas levam ao Monte de São Miguel. Trata-se de uma pequena ilha histórica na Cornualha, Inglaterra, que costuma ser cercada por águas rasas. No entanto, durante a maré baixa, a ponte aparece e podemos andar sobre ela sem nos molhar.

A nebulosa vermelha na Via Láctea, logo acima do castelo, é a Nebulosa da Lagoa. Júpiter aparece brilhante à esquerda enquanto um meteoro risca o céu à direita. A imagem é composta por diferentes exposições, mas todas foram capturadas na mesma noite de julho, exatamente no mesmo lugar.

Terça-feira (08/09) — Colisão de titãs

Imagem: Raúl Rubio/Virgo Valencia Group/The Virgo Collaboration

No dia 2 de setembro foi anunciada a descoberta da onda gravitacional mais intensa já observada pela ciência, e ela foi o resultado da colisão entre dois buracos negros com 85 e 66 massas solares. O resultado foi um novo buraco negro de 142 massas solares. As 9 massas solares restantes se transformaram em pura energia irradiada na forma das ondas gravitacionais detectadas.

Além de ser o maior evento do tipo já detectado, o novo objeto também parece ser o primeiro buraco negro intermediário já encontrado. Essa é uma categoria que os cientistas estão procurando há algum tempo, mas nunca puderam de fato apontar para um lugar onde ele pudesse existir. Agora, com o novo GW190521, os intermediários podem ser melhor estudados.

Ainda não se sabe como tais buracos negros de massa intermediária surgiram, mas existem hipóteses. A imagem acima é uma ilustração dos buracos negros imediatamente antes da colisão, onde podemos ver as ondas espirais que indicam a produção de radiação gravitacional. As estrelas circundantes mostram que os pesquisadores cogitam que a fusão ocorreu em um aglomerado de estrelas.

Quarta-feira (09/09) — Plêiades

Imagem: Raul Villaverde Fraile

Um dos aglomerados de estrelas mais famosos — se não o mais famoso — do céu está retratado uma exposição bastante ampliada e nítida. Trata-se das Plêiades, que podem ser vistas a olho nu mesmo em um lugar com poluição visual. Mas para uma imagem como está, foi necessária uma longa exposição, a partir de um lugar bem mais afastado dos centros urbanos.

As Plêiades ficam a cerca de 400 anos-luz de distância, na direção da constelação de Touro. Conhecidas também como sete-estrelo ou sete-cabrinhas, o grupo está catalogado na nomenclatura M45, e pode ter diferentes significados dependendo das culturas e tradições ao redor do planeta.

O aglomerado conta com muitas estrelas azuis quentes formadas nos últimos 100 milhões de anos e há uma nebulosa de reflexão que nasceu da poeira em torno das estrelas mais brilhantes. Estima-se que o aglomerado deve durar por mais 250 milhões de anos, e depois será disperso por causa das interações gravitacionais com a vizinhança galática.

Quinta-feira (10/09) — A tempestade de Júpiter

Imagem: Andy Casely

Aqui estão imagens telescópicas nítidas de Júpiter, o maior gigante gasoso do Sistema Solar, e suas estranhas tempestades que circundam o planeta. As imagens são de 26 de agosto, 28 de agosto e 1º de setembro (da esquerda para a direita), e mostram algo impressionante: a tempestade brilhante, logo acima da grande faixa laranja, aumenta até ficar quase o dobro de seu tamanho ao longo desses seis dias.

A tempestade está se movendo para o leste e podemos constatar isso observando como ela passa pela Grande Mancha Vermelha, a característica mais famosa do planeta. As luas galileanas Calisto e Io também aparecem na imagem do meio.

Sexta-feira (11/09) — Marte reaparece

Imagem: David Duarte/Romualdo Caldas

E finalizamos com uma imagem de um dos eventos mais legais deste mês, que é o eclipse de Marte pela nossa Lua. No dia 6 de setembro, o fotógrafo brasileiro David Duarte e seu amigo Romualdo Caldas registraram de Maceió essa imagem impressionante, que revela até mesmo detalhes da superfície marciana — sem falar da altíssima qualidade nas crateras da Lua. Aqui, o Planeta Vermelho está reaparecendo após ser ocultado pelo nosso satélite natural.

Fonte:  APOD

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