Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (04/09 a 10/09/2021)

Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (04/09 a 10/09/2021)

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 11 de Setembro de 2021 às 11h00
Martin Pugh/Anton Komlev/Stefan Ziegenbalg

Mais um sábado chegou, e você pode começar o fim de semana conferindo as últimas imagens astronômicas que a NASA selecionou e publicou no site Astronomy Picture of the Day (APOD). O compilado da vez traz fotos diversas, incluindo uma bela foto feita na Rússia, que poderia até ser simples, mas acabou mostrando a Via Láctea, Saturno, um satélite e até uma das estrelas mais brilhantes do céu — será que você consegue encontrar todos estes objetos? Outro registro em destaque mostra uma formação colorida e difusa no céu, que talvez lembre uma nebulosa distante e difusa, mas que, na verdade, é algo bem diferente.

Aliás, a seleção inclui também imagens que vão desde uma colisão entre galáxias, que aconteceu há milhões de anos, até um retrato do que existe nos arredores da galáxia de Andrômeda. Por fim, você irá conferir ainda uma sequência de fotos da Terra e da Lua, feitas pela sonda Galileo, e até um incrível registro do cometa 67P, que foi onde a sonda da missão Rosetta fez história ao pousar.

Veja abaixo:

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Sábado (4) — Parece uma nebulosa, mas não é     

(Imagem: Reprodução/Dennis Huff)

Quem estava no Space View Park, na Flórida, no dia 29 de agosto, pôde observar essa nuvem colorida no céu durante a madrugada. Ela se formou após o lançamento de um foguete Falcon 9, da SpaceX, que levou uma nave carregada de suprimentos e experimentos científicos para a Estação Espacial Internacional. Assim, a nuvem colorida é o resultado da interação entre as plumas de exaustão dos dois estágios do foguete, enquanto o primeiro realizou a manobra para inverter sua trajetória e, assim, retornar para pousar na embarcação “A Short Fall of Gravitas”.

Este é o terceiro navio-robô desenvolvido pela SpaceX que, assim, como seus antecessores — que têm os nomes engraçadinhos “Of Course I Still Love You” e “Just Read the Instructions” —, vai servir como uma base de pouso no mar para receber os propulsores. Essa embarcação foi desenvolvida para ser totalmente automatizada, ou seja, não precisa de rebocador para chegar ao oceano. Para encontrar os estágios do foguete na imagem, basta procurar pelos pontinhos alaranjados: na parte de cima é o propulsor, enquanto o que está embaixo é o segundo estágio seguindo viagem para a órbita baixa da Terra.

Domingo (5) — Retratos da Terra e Lua  

Em 1989, a NASA lançou a sonda Galileo com destino a Júpiter. Ela passou quase oito anos na órbita do gigante gasoso e fez sobrevoos próximos de todas as suas grandes luas, nos proporcionando descobertas sem precedentes — por exemplo, a Galileo fez a primeira e única observação (pelo menos por enquanto) de um cometa colidindo com a atmosfera de um planeta. Enquanto seguia viagem para Júpiter, ela fez alguns registros do nosso sistema planetário, que foram reunidos no vídeo acima.

Essa animação mostra as 52 fotos que a Galileo fez durante a conjunção Terra-Lua, em dezembro de 1992. No começo, a sonda estava a 6,15 milhões de quilômetros da Terra, e nas imagens finais já chegava a 6,58 milhões de km. Como a Lua orbita a Terra a menos de 400.000 km, ela ficou apenas 6% mais próxima da sonda na sequência — é por isso as diferenças de tamanho relativo da Lua e da Terra ficam evidentes. As imagens originais foram com filtros, de modo que as fotos acima receberam aprimoramentos nas cores e contraste.

Segunda-feira (6) — A Via Láctea, Saturno e muito mais

(Imagem: Reprodução/Anton Komlev)

O fotógrafo fez este registro em Primorsky Krai, na Rússia, com uma ideia relativamente simples em mente: ele planejava capturar o pinheiro em primeiro plano com a Via Láctea preenchendo o fundo da imagem. Pois é, o plano deu mais que certo: além da faixa central da nossa galáxia aparecendo ao fundo, a foto incluiu vários outros objetos interessantes. Um deles é a estrela Altair, que aparece no canto superior esquerdo da foto. Esta é a estrela mais brilhante da constelação de Aquila, a Águia, e é considerada também a 12º mais brilhante do céu noturno. Ela tem cerca de 1,8 vezes a massa do Sol e 11 vezes a luminosidade da nossa estrela.

Se você observar o canto esquerdo da imagem, um pouco acima do horizonte, encontrará Saturno — enquanto a estrela Altair fica a 16,7 anos-luz de nós, o gigante gasoso está a 1,2 bilhões de km no ponto mais próximo da órbita e 1,7 bilhões de km no ponto mais distante. Já no canto superior direito, você verá o rastro luminoso de um satélite na órbita da Terra, que ficou registrado durante os 25 segundos de exposição. Por fim, perceba também que há regiões esverdeadas no céu, que são a atmosfera terrestre que aparece com visibilidade surpreendente. Caso esteja se perguntando sobre os pontinhos amarelos em primeiro plano, saiba que é um vaga-lume que estava de passagem por ali.

Terça-feira (7) — Interação galáctica  

(Imagem: Reprodução/NASA, ESA, Hubble/William Ostling (The Astronomy Enthusiast)

Há cerca de 300 milhões de anos, os discos de duas galáxias começaram a colidir, e o resultado é a formação que aparece na imagem acima, chamada NGC 520. Feita pelo telescópio Hubble, essa imagem mostra os detalhes desse processo, com a poeira seguindo na direção vertical pela estrutura das galáxias. Embora as estrelas da NGC 520 estejam se movendo em altíssima velocidade, elas estão bastante distantes umas das outras, de modo que essa "dupla em conflito" dificilmente irá mudar de forma — pelo menos enquanto estivermos aqui. Essa dupla de galáxias espirais fica a 105 milhões de anos-luz de nós na constelação de Pisces, os Peixes.

Em um futuro distante, uma colisão parecida deverá acontecer com a Via Láctea e Andrômeda, nossa maior vizinha galáctica. Quando isso acontecer, é possível que ambas acabem se fundindo, dando origem a uma única galáxia elíptica. De qualquer forma, o futuro exato da Via Láctea, bem como dos demais membros do Grupo Local, ainda deverá continuar rendendo estudos variados pelos próximos anos.

Quarta-feira (8) — Os arredores da Galáxia de Andrômeda 

(Imagem: Reprodução/Stefan Ziegenbalg)

A Via Láctea tem uma grande vizinha: trata-se da galáxia de Andrômeda (M31), que fica a aproximadamente 2,5 milhões de anos-luz da Terra e que é considerada um dos mais brilhantes objetos catalogados pelo astrônomo francês Charles Messier. Ela pode ser observada a olho nu em noites de Lua nova e até mesmo em lugares com maior poluição luminosa. Assim como a Via Láctea, a galáxia de Andrômeda também faz parte do chamado Grupo Local, formado por mais de 50 galáxias, sendo cercada por algumas pequenas galáxias-satélite — e a imagem acima nos mostra um pouco dos detalhes dos arredores dela.

Se você observar o canto direito superior da foto, encontrará a Galáxia do Triângulo, uma galáxia espiral a três milhões de anos-luz de nós e considerada a terceira maior do Grupo Local, além de ser o objeto mais distante que pode ser observado no céu noturno a olho nu. Abaixo dela, está a estrela Mirach, a mais brilhante da constelação de Andrômeda. Já no meio da imagem está a galáxia M31 e, na parte inferior, a nebulosa Sh2-126, que aparece com seus filamentos avermelhados. Foi possível reunir esses vários objetos como resultado do acúmulo digital de uma série de longas exposições, feitas de 2018 a 2021.

Quinta-feira (9) — A Nebulosa da Águia

(Imagem: Reprodução/Martin Pugh)

A imagem acima mostra um objeto que, para alguns, é um dos mais bonitos e impressionantes já registrados: trata-se da nebulosa M16, também conhecida como Nebulosa da Águia. Ela fica na direção da constelação de Serpens, a Serpente, a aproximadamente 7.000 anos-luz de nós, e é o lar de várias estruturas interessantes, como nebulosas de emissão — nebulosas escuras que, como o nome sugere, acabam escurecendo a luz emitida por objetos atrás delas, e que aparece na parte central da imagem.

Estes são os chamados "Pilares da Criação", uma região formada por colunas de gás e poeira que funcionam como incubadoras de novas estrelas. Dentro deles, existem glóbulos e nós de gás mais denso, chamados "glóbulos gasosos em evaporação", que guardam estrelas em formação. Esses "pilares cósmicos" se estendem por alguns anos-luz, e as colunas se contraem e formam novas estrelas. Depois, a radiação do aglomerado faz com que aquelas presentes nas pontas delas sejam expostas.

Sexta-feira (10) — O cometa 67P

(Imagem: Reprodução/Rolando Ligustri (CARA Project, CAST)

Em 2004, a Agência Espacial Europeia lançou a missão Rosetta, que enviou uma sonda ao cometa desta imagem. Trata-se do Churyumov-Gerasimenko (67P), que, aqui, aparece viajando enquanto as estrelas da constelação de Taurus, o Touro, aparecem ao fundo, junto de galáxias distantes e de brilho fraco. O cometa 67P mede cerca de 4 km e é um objeto originado do Cinturão de Kuiper. Esta é uma região que se estende a cerca de 30 unidades astronômicas de Netuno, e é onde estão vários objetos que datam do período em que o Sistema Solar se formou.

Enquanto grande parte dos asteroides é formada, principalmente, por rochas e metal, a maior parte dos objetos do Cinturão contém compostos voláteis, como o metano, a amônia e a água. Após viajar para além da órbita de Júpiter, o 67P está agora retornando em sua órbita de período de 6,4 anos, e irá realizar sua passagem mais próxima do Sol no dia 2 de novembro. Já no dia 12 daquele mês, o cometa irá passar pelo ponto mais próximo da Terra, a apenas 0,42 unidades astronômicas do nosso planeta. Quem quiser observá-lo irá precisar usar um telescópio, mesmo quando o objeto estiver mais brilhante.

Fonte: APOD

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