Descoberto planeta gasoso mais quente do que a maioria das estrelas

Por Redação | 06 de Junho de 2017 às 16h48
photo_camera NASA

Uma equipe de astrônomos descobriu um planeta tão quente, mas tão quente, que seu calor supera o da maioria das estrelas já conhecidas. Trata-se do Kelt-9b, cuja temperatura da superfície é de 4.327°C — um número tão alto que é capaz de fazer suas moléculas se desintegrarem e evaporarem.

O gigante gasoso está localizado a 650 anos-luz da Terra, na constelação de Cygnus, e, de acordo com o estudo publicado na revista Nature, é o exoplaneta mais quente já encontrado em toda a história da nossa astronomia.

“A estrela de Kelt-9b propaga tanta radiação ultravioleta que pode fazer o planeta ser completamente evaporado. Ou, se gigantes gasosos como ele tiverem núcleos sólidos como algumas teorias sugerem, o planeta pode ser fervido até virar uma rocha estéril, como Mercúrio”, afirma Keivan Stassun, astrofísico da Universidade Vanderblit, nos Estados Unidos.

A estrela Kelt-9, em torno da qual o planeta Kelt-9b orbita, é duas vezes maior e quase duas vezes mais quente que o nosso Sol, sendo que sua temperatura pode chegar a quase 10.000°C. E mais: o planeta tem 2,8 vezes mais massa do que Júpiter, girando em torno de sua estrela sempre com a mesma face virada para a estrela, fazendo com que essa face do planeta seja constantemente bombardeada por radiação.

Scott Gaudi, professor de astronomia da Universidade Estadual de Ohio e coautor do estudo, explicou que o Kelt-9b “é um planeta, segundo as definições típicas baseadas em massa, mas sua atmosfera é diferente de qualquer outro planeta que já vimos até agora devido à sua temperatura durante o dia”.

De acordo com as previsões dos cientistas, o planeta deverá evaporar quando sua estrela começar a expandir, até que se torne uma gigante vermelha — o que deverá acontecer dentro de um bilhão de anos. Por isso, a equipe espera compreender como se formam sistemas planetários ao redor de estrelas gigantes e massivas. “Como procuramos ter um panorama completo sobre a variedade de planetas do universo, é importante conhecer não apenas como eles se formam e evoluem, mas também quando e sob quais condições são destruídos”, explicou Gaudi.

Fonte: NASA

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