De novo: há quem acredite que o mundo vai acabar no próximo sábado (23)

Por Patrícia Gnipper | 21 de Setembro de 2017 às 16h31

Vira e mexe vemos notícias sendo compartilhadas nas redes sociais anunciando uma nova data para o fim do mundo. E, segundo consta no livro Planet X - The 2017 Arrival, de David Meade, o planeta Terra será destruído no próximo sábado (23) com a chegada do Planeta X (cuja existência nunca foi comprovada, de fato).

Segundo o autor, o Planeta X seria, na verdade, uma estrela com um sistema planetário em sua órbita, e essa estrela estaria navegando pelo espaço em direção ao Sistema Solar - mais especificamente, em rota de colisão com a Terra. Além da própria estrela e seus planetas, asteroides e cometas também estariam rumando em nossa direção, causando uma destruição em massa do nosso lar.

Meade afirma, ainda, que a NASA teria conhecimento de tudo isso, mas estaria escondendo a verdade de todos nós. Mas o que o autor usou como fonte de pesquisa para essa teoria para lá de apocalíptica? Trechos da bíblia interpretados conforme ele desejou! Segundo o autor, o último eclipse solar, que aconteceu no dia 21 de agosto, teria de alguma forma precipitado a chegada do devastador Planeta X.

Planeta X, mas pode me chamar de Nibiru

O tal planeta que estaria vagando pelo espaço com a Terra como destino final é chamado por diferentes nomes por aí. Enquanto autores como Meade o chamam de Planeta X já que, por ser teoricamente desconhecido pela comunidade científica, não tem um nome definido, outros apelidaram o planeta do apocalipse de Nibiru.

Concepção artística de Nibiru em comparação com a Terra

A ideia de que Nibiru estaria por aí somente esperando a hora de nos destruir surgiu em 1995 com Nancy Lieder, que diz receber mensagens de extraterrestres do sistema estelar Zeta Reticuli por meio de um implante em seu cérebro. Apesar de não ter nenhum fundamento científico, a existência de Nibiru começou a se popularizar na década de 2000, e Lieder descreveu o Planeta X como sendo um objeto quatro vezes maior do que a Terra. Ela também chegou a afirmar que sua aproximação com o nosso planeta causaria uma desestabilização dos pólos terrestres, além de uma perturbação no núcleo magnético do planeta, causando o deslocamento de crostas terrestres.

Mas a ideia de haver um “planeta x” não é assim tão recente quanto o conceito de Nibiru. Desde o século XIX existem astrônomos que observam irregularidades na órbita de gigantes gasosos, que podem ser causadas pela presença de um objeto grande o suficiente para ser classificado como um planeta. A descoberta de Netuno reforçou essa ideia, e Plutão chegou a ser chamado de Planeta X logo que foi descoberto, em 1930.

A comunidade astronômica rejeita essas ideias

Apesar de termos descoberto planetas e outros objetos de grande porte no Sistema Solar, mostrando que não temos pleno conhecimento de tudo o que existe em nosso quintal espacial, a maioria dos astrônomos rejeita a hipótese do Planeta X, ou Nibiru. Isso porque as sondas Voyager, quando passaram pelos gigantes gasosos e além, não detectaram nenhuma forte atração gravitacional imprevista além da órbita de Netuno.

Contudo, em 2012 o astrônomo Rodney da Silva Gomes, do Observatório Nacional, revisou cálculos orbitais e declarou que havia, sim, a possibilidade de existir um astro quatro vezes maior do que o Sol interferindo nas órbitas de objetos do cinturão de Kuiper. Mas, ainda assim, a comunidade científica rejeita a ideia de que Nibiru estaria por ali em rota de colisão com a Terra. Eles apontam que um objeto deste porte seria facilmente visível por meio de telescópios, e ele causaria alterações nas órbitas dos planetas exteriores, que já teriam sido descobertas.

Então, fique tranquilo: o mundo não vai acabar tão cedo

Por mais que fiquemos empolgados com a possibilidade de haver um planeta grande e desconhecido ao nosso redor em pleno ano de 2017, podemos ficar tranquilos, pois o mundo não vai acabar assim tão cedo quanto dizem essas “previsões”. E o argumento de que a NASA esconde essas informações da população é facilmente descartado ao lembrar que a agência espacial dos Estados Unidos não tem controle sobre todos os astrônomos do mundo, que têm acesso a diversos telescópios espalhados pelo globo, sem nenhum tipo de vínculo com a NASA ou outra agência espacial.

Além dos telescópios em Terra, missões espaciais já varreram o Sistema Solar em busca de corpos mais distantes do Sol, e tudo o que descobrimos, até então, são mais asteroides, cometas e candidatos a planetas-anões. E nenhum deles tem a Terra situada em sua órbita, então não corremos o risco de sermos atingidos por algum desses objetos de repente. Existem asteroides que eventualmente rumam para cá, e a NASA e demais agências estão acompanhando suas trajetórias justamente para evitar qualquer risco de colisão.

Mas algo que é verdade em meio a essas teorias conspiratórias é que a Terra, um dia, vai “morrer”. Caso a própria natureza não cause mais uma destruição em massa em nosso planeta, a Terra verá seus últimos dias quando o Sol estiver morrendo. Nosso astro aumentará de tamanho e ficará ainda mais quente, englobando os planetas rochosos em seu interior. Sim, a Terra será devorada pelo Sol, o que causará a destruição de todo o tipo de vida existente aqui.

Quando o Sol começar a se expandir, Mercúrio, Vênus e Terra serão engolidos pela estrela, que pode também afetar Marte

Mas isso não deve acontecer em menos de 4,5 bilhões de anos, então não vai ser por causa do Sol que a vida na Terra será extinta tão cedo (muito menos neste próximo sábado).

Instagram do Canaltech

Acompanhe nossos bastidores e fique por dentro das novidades que estão por vir no CT.