Buracos negros se fundem e astrônomos creem terem visto luz emitida pela colisão

Por Patrícia Gnipper | 26 de Junho de 2020 às 13h45
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Dois buracos negros teriam se fundido em um processo de colisão a 7,5 bilhões de anos-luz da Terra, e astrônomos acreditam terem observado uma labareda de luz resultante dessa explosão de proporções gigantescas. Se isso for confirmado, essa será a primeira vez em que a ciência vê a luz emitida pela fusão de buracos negros.

De acordo com o estudo, publicado na revista Physical Review Letters, quando os buracos negros giravam em sincronia orbital, eles estavam dentro de um disco gigante de gás e poeira. Esse disco de material envolvia, ainda, um terceiro buraco negro — um supermassivo no centro da galáxia que os abriga. E como os dois buracos negros que se fundiram estavam dentro dessa imensidão de poeira, a rotação do processo de fusão acabou criando uma onda de choque, movimentando o gás ao seu redor e aquecendo o material próximo. Esse aquecimento, então, fez com que o material brilhasse mais do que o normal — e foi essa luz que possivelmente foi avistada pelos pesquisadores.

Arte imagina a aproximação de dois buracos negros em processo de colisão (Imagem: ESA)

A equipe identificou o evento em colaboração com os observatórios LIGO-Virgo, que procuram ondulações no "tecido" do universo, conhecidas como ondas gravitacionais e que são originadas a partir de eventos celestes de grandes proporções — como colisões de buracos negros ou de estrelas de nêutrons. Quando objetos extremamente massivos se fundem, eles geram ondas que "viajam" na velocidade da luz, e essas ondas acabam sendo detectadas por nós quando chegam à Terra.

Contudo, é preciso ressaltar que a luz que a equipe identificou como sendo proveniente da fusão desses dois buracos negros não chegou a ser confirmada como tal. O pessoal do LIGO-Virgo ainda precisa bater o martelo para, primeiro, atestar que o evento observado se tratou mesmo da fusão de dois buracos negros, para somente depois verificar a veracidade da luz detectada.

Fonte: The Verge

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