"Bolhas azuis" em galáxias distantes são um novo tipo de sistema estelar

"Bolhas azuis" em galáxias distantes são um novo tipo de sistema estelar

Por Danielle Cassita | Editado por Rafael Rigues | 20 de Junho de 2022 às 13h15
Michael Jones

Uma equipe de astrônomos liderada por David Sand, da Universidade do Arizona, identificou cinco exemplos do que parece ser novos tipos de sistemas estelares isolados, que têm tamanho de pequenas galáxias anãs: apelidados “bolhas azuis” pelos autores, os sistemas são formados por estrelas azuis e jovens distribuídas em padrões irregulares, aparentemente separadas de qualquer possível galáxia-mãe por mais de 300 mil anos-luz.

Os sistemas foram encontrados pelos astrônomos após um grupo do Netherlands Institute for Radio Astronomy compilar um catálogo de nuvens gasosas próximas, com possíveis novas galáxias. Com a publicação do catálogo, os pesquisadores da equipe de Sand usaram diferentes telescópios para procurar possíveis estrelas associadas às nuvens gasosas. Inicialmente, eles acreditavam que as nuvens estavam associadas à Via Láctea.

As "bolhas" estudadas estão no Aglomerado de Virgem (Imagem: Reprodução/Saulius Adomaitis)

De fato, a maioria provavelmente está, mas a primeira coleção de estrelas encontrada mostrou algo surpreendente para os pesquisadores: chamada “SECCO1”, a coleção é uma das estranhas "bolhas azuis" e faz parte do Aglomerado de Virgem, um aglomerado de galáxias a cerca de 40 milhões de anos-luz de nós. Assim como acontece nos demais sistemas, a coleção é formada por estrelas jovens com pouquíssimo hidrogênio gasoso.

O hidrogênio atômico é um “ingrediente” importante para a formação estelar, já que o composto evolui eventualmente para nuvens densas de gás hidrogênio molecular antes de originar novas estrelas. Jones explica que a maioria dos sistemas analisados têm pouco gás atômico, mas isso não significa a ausência do gás molecular por lá. “Na verdade, deve haver um pouco de gás molecular, porque elas ainda estão formando estrelas; a existência de estrelas jovens, em sua maioria, e pouco gás, indica que estes sistemas devem ter perdido o gás recentemente”, sugeriu.

A combinação das estrelas azuis e pouca quantidade de gás, junto da falta de estrelas mais velhas no sistema, foi inesperada para os autores. “As estrelas que nascem vermelhas têm menos massa e, portanto, vivem mais que as estrelas azuis, que queimam seus combustíveis e morrem jovens; por isso, as estrelas vermelhas antigas são normalmente as últimas que sobram”, disse Jones.

Grupo de estrelas jovens e azuis em foto do telescópio espacial Hubble (Imagem: Reprodução/Michael Jones)

Elas morrem justamente por não terem mais gás para formar novas estrelas, colocando as estrelas azuis em uma espécie de “oásis” no deserto. Além disso, a alta quantidade de metais nos sistemas estelares sugere que eles se formaram do gás de galáxias grandes por meio de diferentes processos. Um deles envolve as forças de maré gravitacionais, que ocorrem quando duas galáxias se encontram e arrancam gases e estrelas gravitacionalmente.

Outra possibilidade é que alguma galáxia tenha caído “de barriga” em um aglomerado repleto de gás quente; com isso, o gás é forçado para fora do aglomerado, o que pode ter criado os objetos observados. A equipe prefere esta explicação devido às bolhas azuis, que devem ter se movido bem rapidamente para ficarem isoladas como eles viram, o que não combina com as marés gravitacionais em função da menor velocidade que têm para "arrancar" os gases.

O artigo com os resultados do estudo pode ser acessado no repositório online arXiv, sem revisão de pares.

Fonte: arXiv; Via: University of Arizona

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