Avanços na tecnologia espacial beneficiam nações africanas

Por Redação | 13 de Fevereiro de 2018 às 17h22

Países africanos como o Marrocos, Nigéria e África do Sul estão começando a se beneficiar com a tecnologia espacial mundial militar, econômica e socialmente falando. É o que informa Abishur Prakash, geopolítico do Center of Innovating the Future, que estuda como as novas tecnologias, incluindo inteligência artificial e manipulação genética, transformam a geopolítica.

No ano passado, o satélite Mohammed VI-A foi lançado. Ele foi o primeiro satélite de imagem de alta resolução da África, dando ao Marrocos um novo poder no norte do continente. Sua criação mostra que o país não está mais se conformando com o status quo do passado, aceitando acordos comerciais unilaterais, e, agora, se volta ao espaço de maneira quase que independente. No Marrocos, o satélite serve para mapear a região, além de gerenciar desastres naturais, e outras nações, como Argélia e Espanha, já se preocupam com questões como espionagem militar.

Mas, além do Marrocos, outros países africanos também estão fazendo ações no espaço, como é o caso da África do Sul, que orbitou seu primeiro satélite em 1999 e, agora, está se preparando para lançar o primeiro satélite privado do continente. Outra nação que vale a menção é a Etiópia, que abriu o primeiro observatório da África Oriental em 2015, estabelecendo um cronograma de lançamento para seu satélite próprio (três a cinco anos).

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Ainda, a Nigéria já lançou cinco satélites desde 2003, planejando lançar o primeiro nanossatélite da África em breve. E o Egito construirá um satélite na Rússia em 2019, beneficiando-se da proposta da União Africana, que, em 2016, decidiu conectar as diferentes agências espaciais que operam em todo o continente.

Enquanto os países africanos planejam se lançar individualmente no espaço, nações estrangeiras desempenham um papel importante para levar a África à órbita, como é o caso dos Estados Unidos, Japão, China, Índia e Rússia, que oferecem seu know-how e infraestrutura. Um exemplo dessa colaboração internacional foi o satélite GhanaSat-1, lançado por Gana em junho de 2017 para reprimir a mineração ilegal e roubo de recursos naturais. A sonda foi projetada pela Universidade All Nations, sendo lançada pelo Centro Espacial Kennedy, da NASA, nos EUA, enquanto a agência japonesa JAXA forneceu treinamento e recursos para o projeto.

A China, por sua vez, vem ajudando bastante os nigerianos. Em 2007, o país asiático construiu e lançou um satélite comercial para o país africano, sendo esta a primeira vez em que a China fez algo do tipo para outra nação. Depois, em 2011, foi lançado um satélite de comunicações e, em 2016, ambos os países começaram a conversar sobre o plano de enviar um astronauta para o espaço na década de 2030. A Argélia contou com a Índia para lançar quatro satélites, enquanto a Rússia colaborou com o Egito em 2014 e, agora, se prepara para lançar um outro satélite egípcio no ano que vem.

Em meio a esse cenário, as nações africanas ganham capacidades espaciais sofisticadas, podendo até mesmo competir com países mais experientes em um futuro não muito distante, ainda que a União Africana ainda não tenha conseguido criar uma agência espacial unificada no continente. Contudo, a UA pode estabelecer metas e objetivos como, por exemplo, a criação de uma rede de satélites africanos de internet, oferecendo banda larga em todo o continente até 2035. Sendo assim, as investidas dos países africanos na tecnologia espacial pode influenciar a agenda geopolítica do continente com a América do Norte e Europa, além de mudar o equilíbrio do poder na África, alterando os destinos de suas nações.

Fonte: Scientific American

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