Astronauta nega autoria do primeiro crime cometido no espaço

Astronauta nega autoria do primeiro crime cometido no espaço

Por Felipe Demartini | 26 de Agosto de 2019 às 10h50

Uma astronauta da NASA está sendo apontada como responsável pelo primeiro crime cometido no espaço. A americana Anne McClain é acusada de acessar a conta bancária da ex-esposa, Summer Worden, a partir da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), onde esteve em uma missão de seis meses. Em declaração, ela confirmou o ato, mas disse que não existiram motivos “escusos” por trás dele.

O pronunciamento veio pelo Twitter, onde McClain, membro das expedições 58 e 59 da ISS, lamentou que seu “doloroso” processo de divórcio tenha acabado na mídia. De acordo com ela, não existe verdade nas alegações de Worden, uma ex-oficial de inteligência da Força Aérea Americana, que agora a acusa de roubo de identidade e acesso indevido a registros financeiros privados, um ato feito durante o período turbulento do relacionamento das duas.

O casal estava junto desde 2014, mas o pedido de separação foi feito em 2018, antes de McClain embarcar para a ISS, onde ficou de dezembro daquele ano até junho de 2019, atuando como engenheira de voo. McClain, inclusive, estava escalada para ser parte da equipe da primeira caminhada espacial feita com um time totalmente compostao de mulheres, que aconteceu em março deste ano. No entanto, ela teve que abandonar a missão devido a problemas com seu traje espacial.

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A acusação foi registrada por Worden junto à Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) do governo dos EUA, o órgão responsável por crimes financeiros. Ela é apontada de não apenas ter visualizado a conta bancária da ex-esposa, como ter feito operações sem a autorização dela — McClain se defende, afirmando ter realizado ações normais do cotidiano, separando dinheiro para os boletos e para cuidar de um filho adotado originalmente pela companheira.

Ela afirma que a conta, apesar de estar no nome da companheira, sempre foi encarada como conjunta, e que Worden jamais disse a ela para que parasse de acessar e gerenciar os fundos, como fazia enquanto elas estavam juntas. A permanência da senha de acesso original, para a astronauta, foi um indicador de que não havia problemas em fazer isso. Apoia a afirmação de McClain o fato de nenhum fundo ter sido transferido para outras contas ou utilizado para pagamentos ou operações, com o dinheiro sendo apenas manipulado entre diferentes perfis ou destinos.

Agora, o caso está sendo investigado pela FTC em parceria com a NASA, que, em comunicado, afirmou que a ISS possui protocolos claros sobre crimes realizados a bordo, mas desconhece qualquer ocorrência desse tipo. As normas afirmam que qualquer ato criminoso ocorrido na estação deverá ser analisado de acordo com as leis do país de origem do tripulante, os EUA, no caso de McClain. A investigação, entretanto, pode ser complicada devido ao sigilo dos sistemas de comunicação da agência espacial, que teriam que ser compartilhados com a comissão para análise da conexão realizada à conta.

Também fazem parte do processo documentos ligados ao turbulento divórcio das duas, que envolvem acusações de agressão por parte de Worden e um pedido de guarda conjunta do filho de quatro anos por McClain, antes mesmo da oficialização da separação. Nos registros relacionados a isso, a astronauta afirma que a antiga companheira tem temperamento explosivo e toma decisões financeiras irresponsáveis. Enquanto isso, a oficial alega que a astronauta a ameaçou diretamente do espaço, ao saber da investigação aberta pela FTC.

A NASA parece ter evitado ao máximo falar sobre o assunto, afirmando apenas que a investigação está em andamento e que a decisão de tirar McClain da primeira caminhada espacial do gênero feminino nada tem a ver com o processo de divórcio dela. A agência trata este como o primeiro crime oficialmente realizado do espaço, apesar de situações anteriores já terem levado a processos judiciais relacionados a ações ocorridas fora do planeta.

Em 2011, por exemplo, a viúva de um engenheiro da NASA foi presa enquanto tentava vender uma pedra lunar que pertencia ao marido, cuja posse seria ilegal. Dois anos depois, a Rússia abriu um processo contra a China após detritos de aeronaves do país asiático terem danificado um satélite militar russo. Desta vez, porém, a abertura do processo aconteceu, inclusive, enquanto a acusada ainda estava no espaço.

Fonte: The New York Times, Anne McClain (Twitter)

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