Apollo 11 | Saiba como a Ford e a Philco participaram da chegada do Homem à Lua

Por Felipe Ribeiro | 20 de Julho de 2019 às 15h30
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A chegada do homem à Lua completou 50 anos e as histórias, mesmo que de conhecimento da maioria das pessoas, ainda são capazes de surpreender. E um exemplo disso é a participação de duas empresas na missão da Apollo 11: Ford e Philco.

Assim que o astronauta Neil Armstrong anunciou para o centro de controle da NASA e para o mundo o pouso do módulo lunar no dia 20 de julho de 1969, muitos devem ter se perguntado: como será que eles estão se comunicando com tamanha perfeição (para a época)? Tudo isso foi possível graças à icônica montadora americana, que participou da construção e manutenção do centro de controle da missão.

Ford compra a Philco e conquista a NASA

Essa história começa com a Philco, uma das maiores fabricantes de eletrônicos da época (e até hoje). Em 1953, seus engenheiros inventaram o transistor de barreira de superfície – o primeiro transistor de alta frequência que permitiu o desenvolvimento de computadores de alta velocidade. Esse esforço para miniaturizar e aperfeiçoar o transistor levou a Philco a trabalhar com as Forças Armadas dos EUA e a NASA, mas, em 1960, dificuldades financeiras forçaram a empresa a procurar um comprador externo.

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“A Ford queria expandir sua oferta de produtos para além da indústria automobilística e foi atraída pelas tecnologias inovadoras da Philco. Adquiriu a empresa em 1961 e transformou sua Divisão Aeronutronica numa nova organização, a Philco-Ford”, conta Ted Ryan, gerente de arquivos e patrimônio da Ford.

Imagem: Ford

Em 1963, a Philco-Ford enfrentou gigantes da tecnologia como IBM, RCA, Lockheed, Hughes Aircraft e AT&T na corrida para desenvolver o centro de controle do novo Centro Espacial Tripulado em Houston. Mesmo sendo considerada um azarão, a Philco-Ford foi escolhida como fornecedora principal do projeto.

“Sem a fusão com a Ford a empresa provavelmente não teria sido considerada para o trabalho, devido à magnitude dos recursos de engenharia necessários”, observou Walter LaBerge, gerente da Philco-Ford Houston Operations, recontando a história do projeto.

As responsabilidades do trabalho da Philco-Ford eram imensas, desde o projeto dos sistemas de hardware e software para a solução problemas que nunca haviam sido enfrentados antes, até a fabricação, instalação e testes do centro de controle, incluindo a ligação e controle de dados dos pontos de rastreamento remoto da NASA.

O centro de controle da missão foi concluído em cerca de dois anos – em tempo de monitorar a missão Gemini 3, em março de 1965 – e tornou-se totalmente funcional alguns meses depois, quando todas as operações foram transferidas de Kennedy para o Centro Espacial em Houston.

Além de projetar e construir o centro de controle, a Philco-Ford forneceu equipes de suporte técnico e engenharia durante a construção e operações. O projeto passou por atualizações para cada missão, que exigiram até 2 milhões de mudanças na fiação.

Imagem: Ford

Outros dados do projeto continuam tão surpreendentes quanto eram há mais de 50 anos:

  • Mais de 1.500 dados diferentes de telemetria – da saúde dos astronautas aos resultados dos testes de voo – eram enviados ao centro simultaneamente
  • O centro de controle da missão abrigou o maior conjunto de equipamentos de transmissão de televisão do mundo
  • Mais de 96.000 km de cabos foram instalados e supervisionados para as operações
  • Cinco computadores principais IBM 360/75 enviaram dados para mais de 1.300 comutadores monitorados pelos controladores de voo

Missões Apollo

A Philco-Ford participou de todas as missões Apollo, mas duas se destacam pela sua complexidade:

Apollo 8

A Apollo 8 foi a primeira espaçonave tripulada a orbitar a Lua e retornar à Terra, o que trouxe grandes desafios para o centro de controle, pois os sinais e os dados seriam perdidos quando a nave ficasse atrás da Lua durante a órbita. Havia a preocupação de como o sinal seria recuperado, mas o equipamento funcionou perfeitamente e até permitiu aos astronautas fazer várias transmissões do espaço – incluindo uma mensagem de paz na véspera do Natal de 1968.

Apollo 11

Em julho de 1969, a Apollo 11 foi o foco do mundo. A natureza inédita da missão tornou ainda mais complexo o trabalho da montadora e da equipe de controle. Os astronautas realizaram experimentos e coletaram material da superfície lunar. Também lançaram o Early Apollo Scientific Experiments Package (EASEP), equipamento construído em parceria pela NASA, a Philco-Ford e a IBM para monitorar as condições ambientais. Após o retorno bem-sucedido dos astronautas em 24 de julho de 1969, o pacote permaneceu na Lua e continuou transmitindo dados durante um ano.

Depois da Lua

Depois das missões na Lua, a junção Ford-Philco passou a se chamar Ford Aerospace and Communications Corporation, em 1976. A partir deste ano, também, a empresa passou a fornecer também serviços de comunicação por satélite. No início dos anos 1980, a Ford Aerospace havia construído mais da metade dos satélites de comunicação em órbita. Em 1990, no entanto, a Ford saiu da indústria aeroespacial com a venda da Ford Aerospace para a Loral Corporation.

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