Agência Espacial Brasileira promove encontro e palestras sobre clima espacial

Por Daniele Cavalcante | 23 de Agosto de 2019 às 08h40
AEB

Pesquisadores brasileiros do setor aeroespacial apresentaram um ciclo de palestras, abordando diversos temas relacionados ao ambiente do espaço, em um encontro promovido pela Agência Espacial Brasileira (AEB). O tema central foi o clima espacial, com destaque para algumas ações e pesquisas brasileiras, como o desenvolvimento do cubesat SPORT, que vai estudar os fenômenos da ionosfera.

Ainda não existe um consenso na comunidade científica internacional sobre a definição de clima espacial, mas, de acordo com INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que lista definições de acordo com várias organiações, o termo abrange as condições, fenômenos e processos que acontecem no espaço com potencial de afetar o ambiente aqui na Terra, os seres humanos ou equipamentos tecnológicos, como satélites.

As apresentações dos especialistas brasileiros abordaram os eventos espaciais que interferem na saúde das pessoas e nos equipamentos, além dos efeitos da radiação ionizante nos pilotos. Os pesquisadores deram grande importância à necessidade de aprendermos mais sobre o clima espacial para prevenir futuros danos e prejuízos. Tanto é que Clézio Marcos De Nardin, pesquisador do INPE, aposta que, em dez anos, veremos a previsão do clima espacial todos os dias nos telejornais, assim como vemos hoje as previsões do tempo.

Para o professor José Leonardo Ferreira, da Universidade de Brasília (UnB), “a hostilidade do ambiente espacial é primordial no planejamento e execução de missões espaciais”. Ele mostrou como o estudo do ambiente espacial é importante para que possamos entender melhor as condições que podem afetar satélites e veículos espaciais. 

Foto: AEB

Um dos assuntos que se destacam nesse encontro foi o desenvolvimento do Scintilation Prediction Observations Research Task (ou simplesmente SPORT), um CubeSat (pequeno satélite de forma cúbica) com o objetivo de estudar os fenômenos da ionosfera, “com ênfase em uma ocorrência conhecida como anomalia magnética da América do Sul (AMAS)”, de acordo com o professor. A proposta “é um importante passo para o avanço das pesquisas no Brasil nesta área”, completou.

Já o pesquisador Joaquim Eduardo Costa, do INPE, falou sobre a importância do programa Estudo e Monitoramento Brasileiro de Clima Espacial (Embrace), que tem o objetivo de monitorar o ambiente do espaço Sol-Terra, a magnetosfera, a atmosfera superior e os efeitos de correntes induzidas no solo.

“É importante destacar que o Brasil possui ações como esta, já que são mecanismos de alerta e de procedimentos de defesa para os sistemas tecnológicos da era espacial, pois os fenômenos geoespaciais afetam o funcionamento de sistemas de telecomunicação por satélite, sistemas de segurança de voo, de proteção e de controle de atitude de satélites, entre outros necessários no nosso dia a dia”, explicou o pesquisador.

Ali, também foram exibidas outras ações, como o estágio da implantação da Performance de Navegação Requerida (PBN, sigla em inglês) nos aeroportos do Brasil. Também foram apresentadas outras pesquisas que buscam entender melhor os fenômenos e efeitos da radiação ionizante. 

Fonte: AEB

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