Realidade virtual pode ajudar a humanidade a explorar o espaço

Por Redação | 23.06.2017 às 12:52

Até então, explorar o espaço significa estar fisicamente em território extraterrestre, nem que seja por meio de robôs, como o Curiosity, que vem explorando a superfície de Marte desde 2012. Mas com o avanço das tecnologias de realidade virtual é possível que, dentro de não muito tempo, consigamos experimentar como é estar em um mundo alienígena sem de fato estar lá.

Ao menos é o que sugere um artigo publicado recentemente na revista Science Robotics, imaginando que a exploração por meio de “telepresença” seja o caminho a ser tomado pelas agências espaciais no futuro próximo. O estudo foi conduzido por uma equipe de cientistas sob a liderança de Dan Lester, que faz parte da consultoria Exinetics, explorando a ideia de enviar sensores equipados com câmeras para a superfície de planetas até então não explorados. O objetivo é que essas imagens sejam usadas na criação de um ambiente de realidade virtual.

Concepção artística de como uma nave tripulada poderia sobrevoar Marte em sincronia com robôs para criar imagens de realidade virtual, sem a necessidade de pisar no planeta (Reprodução: NASA)

“A exploração por telepresença se trata de colocar a presença humana para onde é realmente difícil levar humanos de verdade”, explicou Lester, que não acredita que a realidade virtual possa substituir missões tripuladas, mas pode ser um caminho para que possamos explorar locais onde, com as tecnologias atuais, não é possível enviar seres humanos. Um exemplo seria a superfície de Vênus, que, de tão quente, derrete rapidamente qualquer sonda já enviada para lá. Uma sonda posicionada estrategicamente em sua superfície, porém, pode capturar imagens com definição suficiente para se recriar o planeta em realidade virtual, em que os astronautas explorariam sem sair da Terra.

“Vamos fazer um mergulho submarino nos lagos de metano de Titã”, sugere Lester, a respeito dos ainda inexplorados terrenos do maior satélite de Saturno. “Você nunca colocaria um humano lá, mas você pode orbitar ao redor de Titã e enviar um robô-submarino” para capturar as imagens. O cientista prevê, ainda, que a tecnologia possa render todo um novo mercado de turismo espacial e exploração comercial, tudo contando com a realidade virtual como ferramenta.

Ainda que a ideia pareça um tanto quanto empolgante, muitos especialistas acreditam que a telepresença não seja lá tão satisfatória quanto conseguir enviar pessoas para mundos estrangeiros. Contudo, Lester argumenta que “a presunção histórica é a de que exploração significa colocar os pés no chão, mas já evoluímos além disso. Afinal, ainda não levamos pessoas para Marte, mas você poderia dizer que nós já não estamos explorando Marte?”.

Fonte: Motherboard, Science Robotics