Netflix é processada por funcionários pagos para assistir filmes e séries

Por Redação | 16 de Junho de 2016 às 17h35

Passar o dia todo assistindo à Netflix parece ser um sonho bom que você espera ansiosamente um final de semana, um feriado ou as férias para realizar. E se você ainda recebesse alguns dólares para ver cada filme e série na plataforma de streaming mais popular do mundo?

Pois se para você isto seria o paraíso, para quem trabalha com isso, de fato, as coisas não são tão floridas assim. A Netflix mantém o Projeto Beetlejuice, no qual várias pessoas trabalham a fim de encontrar as miniaturas ideais que vão povoar todo o catálogo da plataforma. Chamados de “juicers”, estas pessoas não têm um contrato de trabalho integral (ou seja, são freelancers) e recebem apenas US$ 10 por item visto.

Agora, os trabalhadores precarizados querem sair da sombra. Eles estão exigindo contratos integrais e férias e feriados remunerados — basicamente aquilo que já têm outros funcionários da companhia, como os "taggers", responsáveis por criar etiquetas para cada item do catálogo. O grande problema aqui é que a Netflix se recusa a revelar maiores informações sobre o Projeto Beetlejuice, então não se sabe ao certo quantos são os participantes nem o volume de trabalho despejado sobre cada um deles.

Na Justiça

Contudo, há duas ações judiciais ocorrendo atualmente nos Estados Unidos movidas pelos trabalhadores Lawarence Moss, de Long Beach, e Cigmen Akbay, de Los Angeles. Eles reclamam coisas parecidas: querem um aumento de salário e julgam que merecem um contrato de trabalho formal, não um de freelancer. Para justificar o silêncio sobre o caso, a Netlfix invoca uma cláusula do contrato feito com a dupla de que qualquer disputa seria realizada em segredo de justiça.

Apesar de trabalharem de casa, Moss e Akbay garantem que desempenham as suas funções por mais de 40 horas semanais e estão sempre sob estrita vigilância de seus pagadores. “Teoricamente, [Akbay] poderia definir o seu próprio horário de trabalho, mas a Netflix determinou prazos que efetivamente impôs a ela um calendário de trabalho rígido”, escreve a advogada da trabalhadora.

Sem surpresa

Segundo informa o The Hollywood Reporter, um procurador do trabalho afirmou não ser uma surpresa a ação judicial movida pelos “juicers” contra a Netflix. De acordo com ele, há uma onda de ações recentes movidas por trabalhadores que, apesar de suas funções deixarem claro que há uma relação trabalhista entre eles e companhias como Uber ou Netflix, não são contratados de forma correta.

“Há um conjunto de eventos, que incluem a proliferação de trabalhos da 'economia compartilhada' e o advento da legislação com penas rigorosas para erros de classificação”, comenta a advogada trabalhista Kate Gold. “As leis trabalhistas não acompanharam as novas realidades da economia do trabalho.”

Fonte: The Hollywood Reporter

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