Social Comics amplia o mercado de quadrinhos no Brasil

Por Gustavo Rodrigues

A indústria dos quadrinhos não vive seus melhores dias faz muito tempo, mesmo com os super-heróis dominando a cultura pop. Conseguir manter as vendas da forma planejada é algo que até as grandes editoras americanas, Marvel Comics e DC Comics, têm dificuldades mensalmente.

No Brasil, o mercado tem diversas edições dos universos dos heróis publicadas pela Panini Comics, mas também há espaço para as Graphic Novels, publicações com história fechada e público-alvo adulto. Esse estilo de história em quadrinhos fez com que as criações de Mauricio de Sousa fossem recontadas pelos grandes artistas brasileiros e recebido clamor do público e da crítica. Turma da Mônica, Penadinho, Piteco, Louco e outros personagens já foram repaginados nos últimos anos com essa perspectiva mais madura.

Turma da Mônica - Graphic MSP

Entretanto, não é apenas a forma de produzir que está em transformação, mas sim como consumir a nona arte. Enquanto nos Estados Unidos o Comixology, site para compra de gibis digitais, encaixou-se com sucesso no gosto dos leitores, o brasileiro ainda usa muitos scans feitos pelos próprios fãs, algo que é ilegal.

Para tentar mudar esse panorama, a Social Comics, empresa brasileira que funciona como um plataforma de streaming de quadrinhos, amplia suas publicações com nomes de peso no seu sistema. Durante o painel da empresa na Comic Con Experience 2015, o gerente de marketing Marcelo Bouhid divulgou que obras como a premiada The Umbrella Academy, de Gerard Way e Gabriel Bá, e a famosa 300, de Frank Miller, são algumas das novidades na plataforma.

"O intuito do Social Comics é fazer com que o acesso às histórias em quadrinhos fique mais fácil, ganhe relevância e que a experiência seja agradável para o consumidor", afirma Bouhid. Além disso, a plataforma dá mais destaque ao artista independente, principalmente com a avaliação de portfólios para a inserção no sistema.

Painel Social Comics

Entre as novidades, o gerente de marketing ressaltou conteúdo exclusivo em breve, adição das primeiras edições do Seninha, novos parceiros nacionais, inclusão da editora Dark Horse e parceria com a Mauricio de Sousa Produções, tanto com gibis clássicos da Turma da Mônica quanto as Graphic Novels da Graphic MSP.

"A plataforma ainda pretende apresentar publicações de editoras não tão conhecidas, por exemplo, da Nova Zelândia, e levar ao público estrangeiro o que os nossos quadrinistas produzem por aqui", ressalta Bouhid. O serviço ainda conta com curadoria de conteúdo independente enviado pelos artistas e classificação etária - para evitar que as crianças acessem tramas com cenas violentas ou de sexo.

Para usar o Social Comics você cria uma conta que é paga mensalmente, assim tem acesso a todo o catálogo da plataforma, da mesma forma que o Netflix faz com filmes e séries. Esse consumo difere totalmente do Comixology, que vende edição por edição, assim tendo um custo muito maior para quem gosta de ler várias edições por mês.

Recentemente, o Grupo Omelete investiu 2 milhões de reais para ter participação no Social Comics, o que pode indicar ainda mais novidades na plataforma nos próximos meses,