Realidade virtual pode ser eficaz para combater dores agudas, diz estudo

Por Redação | 18.07.2016 às 09:09

Um novo estudo indica que games de realidade virtual (RV) podem ser tão eficientes quanto medicamentos no que diz respeito ao combate a dores. É isso mesmo: pode ser que em um futuro não muito distante nossos médicos nos prescrevam uma experiência em RV para acabar com aquela enxaqueca ao invés de engolir pílulas.

Ao menos é o que espera Matthew Stoudt, CEO da AppliedVR - startup que está desenvolvendo uma biblioteca de conteúdos em realidade virtual que são capazes de aliviar dores e sensações de ansiedade antes, durante ou depois de procedimentos médicos. Até agora, a pequena empresa já criou três jogos de realidade virtual com o poder de aliviar dores reais, além de um quarto com o propósito de amenizar a sensação de ansiedade nos indivíduos; todos comprovados em testes, que têm sido feitos em hospitais com pacientes reais que precisam recolher amostras de sangue ou ainda receber injeções dolorosas.

O potencial que a realidade virtual tem de amenizar dores em pacientes vem sendo estudado por pesquisadores há um certo tempo, e Hunter Hoffman, diretor do centro de pesquisas em realidade virtual da University of Washington´s Human Photonics Laboratory, chegou a desenvolver um game de RV específico para o alívio de dores chamado SnowWorld, mas seu alto custo (de US$ 35 mil) é um grande empecilho para a aplicação prática da tecnologia. Contudo, com a chegada de headsets mais acessíveis (como o Gear VR, da Samsung, ou ainda o Oculus Rift), será mais fácil para hospitais e clínicas considerarem usar essa tecnologia em seus pacientes.

A AppliedVR, por sua vez, estuda a possibilidade de vender seus conteúdos médicos em realidade virtual juntamente com um headset Gear VR por cerca de US$ 5 mil anuais - valor bastante inferior ao do custo do SnowWorld, mas ainda muito acima do preço do headset da Samsung para o público final, que está na casa dos US$ 100.

Mas o investimento parece que valerá à pena: em um dos estudos, a companhia testou seus jogos em um grupo de 60 pacientes com uma variedade de problemas de saúde, sofrendo de males como dores abdominais por conta de uma pancreatite, ou dores no peito como consequência de pneumonia. Apenas 20 minutos após o início da “brincadeira” as dores dos pacientes foram reduzidas em 24%, em média, se comparadas ao nível de dor relatado por eles antes de usar a realidade virtual. “É uma redução dramática em uma dor aguda. Não é muito diferente do que vemos com a administração de narcóticos”, disse Hoffman.

Fonte: MIT Technology Review