Projeto usa miniusinas open-source para processar riquezas naturais da Amazônia

Por Rafael Romer | 23 de Junho de 2015 às 09h13
photo_camera Marcelo Salazar/Instituto Sociocultural

Óleo e farinha de babaçu, óleo de andiroba, castanha-do-Pará, óleo de copaíba, pimenta baniwa e tucupi: estes são só alguns exemplos das riquezas naturais da Floresta Amazônica brasileira que são parte importante da atividade econômica e subsistência de comunidades tradicionais extrativistas e indígenas da região e que agora estão sendo beneficiadas por novas miniusinas open-source.

Os equipamentos são parte de um projeto liderado pelo Instituto Socioambiental (ISA), que está promovendo a atualização das tecnologias utilizadas na extração desses produtos naturais para permitir que seu processamento seja feito dentro das próprias comunidades extrativistas e indígenas, aumentando seu valor agregado e velocidade de processamento para comercialização sustentável.

O projeto de desenvolvimento existe há cerca de sete anos, mas no final de maio deste ano completou seu primeiro ano após o recebimento da uma premiação do Desafio de Impacto Social promovido pelo Google Brasil, que selecionou dez iniciativas nacionais que visam transformar as realidades sociais e econômicas do Brasil.

"A lógica é aproveitar o conhecimento diverso que essas comunidades têm sobre a floresta e a grande biodiversidade que há na Amazônia brasileira e desenvolver tecnologias que, combinadas, deem conta de processar diferentes produtos em uma mesma miniusina", explicou ao Canaltech o coordenador adjunto do projeto, Marcelo Salazar.

Mini-usinas

Extrativista utiliza o secador para o beneficiamento de castanha em uma das miniusinas do projeto (foto: Marcelo Salazar/Instituto Sociocultural)

Com a premiação, o projeto também passou a ter um novo recorte e agora também visa criar uma comunidade colaborativa de desenvolvedores de equipamentos que permitam processar os produtos da floresta através das miniusinas. "Como existe no software livre, a ideia é ter uma rede de desenvolvedores de equipamentos para processamento de produtos da floresta que seja livre e acessível para todos", afirmou Salazar.

O projeto já desenvolveu diversos equipamentos que estão sendo utilizados pelas populações locais, como processadores de óleos, desidratadores, secadores de castanhas, equipamentos para produção de reduções, embalamento de produto, além dos sistemas que permitem energizar essas miniusinas - que, dependendo da máquina, podem usar de lenha a energia solar. Hoje já há três regiões-piloto com os equipamentos do projeto: cinco unidades na região de Altamira, no Pará; uma unidade no parque indígena do Xingu, no Mato Grosso; e quatro unidades na Bacia do Rio Negro, no Amazonas.

Um dos principais objetivos é que os equipamentos também sejam multiprodutos, ou seja, que com poucas alterações possam ser utilizados para o processo produtivo de diferentes alimentos. Uma desidratadora de castanhas, por exemplo, com mudanças de temperatura e entrada de ar, pode ser utilizada também para produzir frutas secas ou secar raízes e folhas para preparação de chás e remédios fitoterápicos.

Atualmente, a iniciativa conta com diversos apoiadores nacionais e internacionais, como o Fundo Vale, a Fundação Moore e até o Ministério do Meio-Ambiente, mas também busca fechar parcerias com empresas para o fornecimento dos produtos produzidos nas comunidades com as miniusinas. A empresa do setor de panificação Wickbold é uma das que deve fechar uma parceria para compra de castanhas. Agora a busca é por empresas que estejam interessadas em óleo de andiroba e de babaçú. "São produtos que são produzidos em uma quantidade bastante grande, mas que precisam de contrato mais firmes para manter uma produção mais expressiva", conta o responsável pelo projeto.

O próximo passo do projeto é expandir a presença das miniusinas para outras regiões do país, como a região extrativista do Lago do Cuniã, em Rondônia, e entre associações de agricultores familiares na região da Transamazônica.

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