Polo norte de Júpiter, revelado pela Juno, é diferente do que a NASA imaginava

Por Redação | 04.09.2016 às 18:05
photo_camera NASA

Começaram a chegar as primeiras imagens registradas pela sonda Juno, que chegou à órbita de Júpiter no dia 4 de julho. O material surpreendeu os cientistas da NASA. A agência espacial revelou duas fotografias dos polos norte e sul do gigante gasoso, sendo que o polo norte do “planetão” é completamente diferente do que se imaginava, com formações e características nunca antes observadas no Sistema Solar.

O polo norte de Júpiter capturado pela Juno nessa primeira aproximação (Reprodução: NASA)

As imagens inéditas revelam em detalhes ainda não tão nítidos, mas com definição suficiente para observarmos o turbilhão de nuvens da atmosfera de joviana nas regiões polares. Os dados foram obtidos pela Juno no último fim de semana, quando a sonda completou um voo rasante ao redor do planeta, chegando mais perto dele desde que adentrou sua órbita. Juno esteve a somente 4,2 mil quilômetros acima da atmosfera psicodélica de Júpiter.

A foto mostra o polo Sul do gigante gasoso (Reprodução: NASA)

Scott Bolton, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Southwest, afirmou que já é evidente que a missão trará diversas novas descobertas sobre Júpiter. “Conseguimos ver pela primeira vez o polo norte de Júpiter, e ele não se parece com nada que jamais vimos ou imaginamos. É mais azul nesse local do que em outras partes do planeta, e há muitas tempestades”, contou o cientista. Ainda de acordo com Bolton, “não há sinais das faixas latitudinais e dos cinturões que estamos acostumados a ver, e é difícil de reconhecer Júpiter por essas imagens. O que estamos vendo são sinais de que as nuvens têm sombras, possivelmente um indicativo de que elas estão em altitude maior do que outros elementos.”

Em julho, quando Juno chegou ao maior planeta do Sistema Solar, a sonda teve seus instrumentos e câmeras desligados para que conseguisse realizar uma delicada manobra a fim de colocar o instrumento em órbita. Depois de entrar na órbita do planeta, as câmeras foram enfim ligadas para que começasse o envio de imagens e dados - coisa que continuará acontecendo ao longo dos próximos meses. Um desses instrumentos faz mapeamentos infravermelhos, e conseguiu uma visão única da aurora sul de Júpiter, obtendo o sucesso que nenhum telescópio aqui da Terra foi capaz de fazer.

Apesar da baixa definição, essa foi a primeira fotografia nítida em infravermelho da aurora boreal sul de Júpiter (Reprodução: NASA)

Outra ferramenta, que registra ondas sonoras, capturou os sons da nevasca de partículas se movendo através do intenso campo magnético do planeta. Confira:

Agora, esses instrumentos sensoriais se voltarão para as múltiplas camadas da atmosfera do planeta, a fim de medir sua composição, temperatura, movimentos e propriedades. Com esses dados em mãos, os cientistas poderão enfim identificar se Júpiter tem um núcleo sólido, como muitos desconfiam, ou se seu gás simplesmente é comprimido a um estado ainda mais denso no centro do planeta. É esperado ainda que Juno desvende o mistério sobre a Grande Mancha Vermelha - a tempestade gigantesca que faz parte das nuvens do planeta há centenas de anos. A sonda estudará a profundidade dessas nuvens e tentará descobrir como a tempestade foi formada e qual sua participação na atmosfera do planeta.

Depois dessa última aproximação, que rendeu as primeiras imagens, Juno voltará a se posicionar bastante próxima à atmosfera de Júpiter no dia 19 de outubro e ali ficará circulando o planeta por cerca de 14 dias, repetindo essa configuração até fevereiro de 2018, quando a sonda receberá um comando para que ela mergulhe como um kamikaze nos gases densos do planeta - o que causará sua destruição.

Fonte: NASA