Pesquisadores descobrem fenômeno jamais visto nas areias de Marte

Por Redação | 04.07.2016 às 11:30

Imagens capturadas pelas sondas espaciais Mars Reconnaissance Orbiter e Curiosity revelaram um tipo de ondulação formada nas areias de Marte e que aparentemente foram causadas pelo vento. O curioso dessas imagens é que essas ondulações não são semelhantes as existentes em qualquer deserto da Terra, visto que são dunas minúsculas que se solidificaram como pedras. O fenômeno assombroso revelado pelos cientistas nunca foi visto antes em todo o sistema solar.

A equipe liderada pelo geólogo planetário Mathieu Lapôtre, do Caltech, classificou a descoberta como "ondas arrastadas pelo vento". De acordo com os pesquisadores, as ondulações possuem uma aparência única por conta de algumas peculiaridades que caracterizam a atmosfera de Marte. "É a baixa densidade da atmosfera marciana que aumenta a viscosidade do ar e promove a formação das grandes ondulações marcianas arrastadas pelo vento", afirmou Lapôtre.

Areia de Marte

A principal diferença em relação às dunas terrestres é que as areias onduladas encontradas em Marte são muito sinuosas e assimétricas, enquanto que na Terra esse tipo de acontecimento forma dunas em linhas retas bastante semelhantes umas com as outras. Além disso, as dunas marcianas não são tão grandes quanto as terrestres, mas apresentam uma resistência maior contra o vento, de acordo com os pesquisadores.

Areia de Marte

Lapôtre acredita que seja possível encontrar em outros lugares do universo algo semelhante ao descoberto em Marte. "O cometa 67P/Churyumov Gerasimenko e Plutão me vêm à cabeça", afirmou o pesquisador. "Por mais que características parecidas com ondulações já tenham sido observadas no cometa durante a missão Rosetta, as belas imagens capturadas pela espaçonave New Horizons são muito grosseiras para mostrar possíveis ondulações em Plutão".

Segundo o geólogo, será possível observar possíveis "fósseis" que estejam preservados nessas ondulações "e limitar as condições atmosféricas do passado". Com essas informações os cientistas poderão conhecer com maior precisão qual a real variação da temperatura e do clima em solo marciano no passar das últimas décadas. Graças a técnica utilizada por Lapôtre, por exemplo, foi possível descobrir, baseado nas informações colhidas pela sonda Opportunity da cratera Victoria em 2007, que Marte provavelmente perdeu sua atmosfera espessa antes da marca de 3,7 bilhões de anos.

Fonte: Popular Mechanics