Para filósofo, sua vida pode muito bem ser uma simulação de realidade virtual

Por Redação | 22 de Outubro de 2015 às 16h18

Imagine que este texto que você está lendo agora não existe. Seu gato, dormindo no sofá ao seu lado, também não. Nem mesmo os olhos com os quais você enxerga e a mão pousada no mouse são reais. Tudo não passa de uma simulação. Esse é o enredo da série de filmes “Matrix”, mas também pode muito bem ser a nossa “realidade”, pelo menos na visão de um professor de filosofia da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

É essa a teoria de Nick Bostrom, diretor do Instituto para o Futuro da Humanidade da instituição. Em um artigo chamado “O Argumento da Simulação: Porque a probabilidade de estarmos vivendo em uma Matrix é bem alta”, ele defende a teoria de que nosso cotidiano pode não ser nada mais do que uma ilusão, criada pelos seres humanos do futuro em supercomputadores para simular a vida de seus antepassados.

Para os leigos, é uma ideia que parece misturar a trilogia dos Wachowskis com a série de games “Assassin’s Creed”. Para o professor, a hipótese de que em um futuro próximo seremos capazes de criar computadores com o mesmo poder de processamento do cérebro humano é bastante real. E se isso é possível, mais adiante ainda no futuro, simulações inteiras, com várias “pessoas”, poderiam ser criadas como forma de estudo, para que se conheça o passado e o dia-a-dia dos ancestrais.

Ao contrário do que vemos acontecer com o escolhido Neo, porém, essa é uma Matrix da qual não é possível sair. Como nossos corpos não existiriam, eles também não estariam suspensos em líquidos nutritivos e a possibilidade de um salvador como Morpheus surgir para nos tirar dessa ilusão é nula. Para Bostrom, seríamos apenas meros circuitos e dados em um computador, vivendo com uma noção de realidade completa.

O professor chama essa raça avançada de “pós-humanos”, que podem estar vivendo tanto a 50 anos de distância de nós como a cinco mil. As datas não importam, e sim, a possibilidade de que a humanidade não apenas chegue até lá, mas tenha poder de processamento e inteligência o suficiente para criar simulações realistas. Para o filósofo, todas as alternativas são plenamente plausíveis, principalmente as duas últimas. Quanto à resistência das pessoas, porém, ele não tem tanta certeza assim.

Caso cheguemos a esse estágio, porém, Bostrom descarta a possibilidade de que as simulações seriam feitas apenas para propósitos de diversão. Para ele, os pós-humanos teriam outras maneiras muito mais eficazes de buscar isso, e as reproduções seriam feitas por propósitos científicos e de estudo, já que uma inteligência avançada também viria acompanhada de moral e ética que proibiria esse tipo de uso para fins pessoais.

Por isso mesmo, o professor acredita que exista uma possibilidade de 20% que tal simulação realmente exista, o que para ele, é motivo suficiente para acreditar que possamos estar vivendo em uma.

(ir) Realidade

Mesmo que nossos cérebros sejam feitos de chips de computador, isso não significa que nossos sentimentos não sejam reais. Muito pelo contrário, Bostrom não deseja iniciar uma onda de niilismo ou paranoia com sua teoria, mas sim, encontrar uma outra explicação metafísica para o mundo em que vivemos.

Na simulação, por exemplo, estaria a resposta para a velha pergunta de tantas discussões religiosas: como Deus permitiria tanto mal no mundo? No final das contas, não seria Ele cuidando da gente neste momento, e sim um ser humano, esse sim, sob alguma possibilidade de divindade.

Além disso, a teoria fala sobre ética e moral também para os simulados, sob uma concepção de que, caso exista uma coincidência de caráter, o controlador da vida virtual poderia nos recompensar de alguma forma. Ou, quem sabe, existiria a possibilidade de viver para sempre caso isso seja da vontade do administrador.

Até mesmo a possibilidade de existirem teorias sobre o mundo simulado pode ser parte da própria Matrix. Uma das ideias do professor é que o sistema poderia se autodestruir quando descobrisse a verdade sobre sua própria existência, mas por outro lado, o responsável por tudo também poderia estar influenciando essa descoberta de maneira a estudar exatamente como os seres humanos reagiriam a ela.

Como toda teoria filosófica, claro, não há uma conclusão direta. Bostrom encerra seu artigo afirmando que todo poder computacional tem limite e que isso pode ser o principal obstáculo para que a gente chegue a um futuro em que a criação de tais simulações seja possível. Afinal de contas, a alternativa é uma mensagem de erro, um apocalipse muito menos caótico que uma grande enchente ou explosão.

Fontes: The New York Times, Simulation Argument

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