Oscar 2021 | Quem deve ganhar como Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvantes?

Oscar 2021 | Quem deve ganhar como Melhor Atriz e Melhor Ator Coadjuvantes?

Por Sihan Felix | Editado por Jones Oliveira | 19 de Abril de 2021 às 22h00
Divulgação/Amazon Studios, Netflix, Warner Bros

Desde o início da temporada de festivais (talvez até antes), surgem as discussões sobre o próximo Oscar. Apostas, bolões, debates intermináveis sobre quais são os melhores entre os indicados, quais são os injustiçados e esnobados e, claro, as teorias sobre as indicações daqueles filmes que se acreditam como sendo superestimados.

A verdade é que as qualidades existem, mas premiações são políticas — especialmente quando estamos falando da mais cara delas. Transmitir o Oscar só não é tão caro quanto transmitir o Super Bowl. São cifras hiperbólicas. Milhares e milhares de dólares por cada hora de transmissão. E se há muito dinheiro envolvido, é mais do que óbvio que há política. Nem falo de políticos, mas da política em si.

A qualidade pode até estar em um suposto primeiro plano, mas, no final das contas, vencem (ou são indicados) aqueles filmes que tiverem mais fôlego: é panfletagem, propaganda, criação de hype, momento histórico-político-social... E existe toda uma estrutura de votação até a lista final de indicados ser divulgada. É uma lógica um tanto complexa que discorremos em uma matéria especial à parte.

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Mas vamos ao Oscar 2021, especificamente às categorias que consagrarão os melhores coadjuvantes. Quais são os seus preferidos? E as suas apostas? Consegue separar esses dois conceitos?

Apesar da temporada bem complicada (no mínimo), tivemos um bom ano no que diz respeito às indicações. A primeira lista abaixo é com as indicadas na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, a segunda é com os nomeados em Melhor Ator Coadjuvante. Ambas estão em ordem de probabilidade de vitória de acordo com o Canaltech, dos menos prováveis àqueles que deverão segurar as estatuetas.

Melhor Atriz Coadjuvante

5. Amanda Seyfried

A primeira indicação dela é, de fato, pela atuação mais cirúrgica de sua carreira. Por mais que a mão de David Fincher pese e faça do trabalho da atriz somente (no melhor sentido) uma engrenagem de Mank, ela se destaca em pé de igualdade com o protagonista interpretado por Gary Oldman (indicado a Melhor Ator). Mesmo assim, na corrida até a chegada do Oscar, ela nunca esteve nem mesmo perto de desbancar as favoritas. Sua vitória aqui seria uma enorme zebra. Não deve acontecer.

4. Olivia Colman

Em um mundo ideal, Colman estaria na linha de frente na luta por essa estatueta. Sua interpretação em Meu Pai é algo tão sensível que só reforça o status de ser uma das melhores atrizes da atualidade. Inclusive, venceu o Oscar de Melhor Atriz recentemente por A Favorita em um papel completamente diferente, provando ser extremamente versátil. De todo jeito, sua vitória é quase tão improvável quanto a de Seyfried, especialmente porque as duas primeiras colocadas de nossa lista tem contado com muito lobby (sem desmerecer as ótimas atuações delas).

3. Maria Bakalova

A indicação de Bakalova não surpreendeu. Ela está um absurdo como Tutar em Borat: Fita de Cinema Seguinte. Inclusive, a atuação da búlgara chama mais a atenção do que a de Sacha Baron Cohen, que já tinha experiência interpretando Borat. Mas, infelizmente, ainda é complicado a Academia premiar a comédia em detrimento de trabalhos dramáticos e, por isso, Bakalova corre por fora. Com chances, mas, se pudéssemos evocar a matemática, não mais do que 10% — o que já é considerável.

2. Glenn Close

Sete vezes indicada e nenhuma vitória. Close é uma lenda e já mereceu a estatueta outras vezes. Do seu lado, está a consciência dos votantes em nunca tê-la premiado, um diretor (Ron Howard) que é especialista na direção de elenco, uma adversária que não é americana e, claro, o fato de ela ser o que há de melhor em Era uma Vez um Sonho. Por outro lado, seu primeiro Oscar ser em um papel coadjuvante não seria exatamente o melhor reconhecimento da Academia depois de tanto tempo e o filme não ajuda muito...

1. Yuh-Jung Youn

No início, a sua indicação já era tida como uma grande surpresa, mas a experiente atriz sul-coreana foi crescendo, crescendo, crescendo... e acabou conquistando muito na reta final, inclusive o BAFTA na categoria. Nas premiações asiáticas, ela ganhou praticamente tudo. É verdade, ainda, que seu trabalho em Minari é das interpretações mais sensíveis do ano e dá suporte à toda história. O peso de sua personagem também pode contar aqui. Além disso, pode ser o único prêmio do elogiado filme de Lee Isaac Chung. É uma aposta arriscada, mas, de repente, consciente.

Melhor Ator Coadjuvante

5. LaKeith Stanfield

Um ator que, como coadjuvante, parece ter nascido para roubar cenas. Stanfield é gigante em Judas e o Messias Negro e compartilha o protagonismo com Daniel Kaluuya. A indicação de ambos nessa categoria, inclusive, causou estranheza, visto ser uma declaração de que ninguém no filme se acha protagonista (ou perceberam que teriam mais chances como coadjuvantes — o que é mais provável). Ou, quem sabe, um comentário de que todos são coadjuvantes da causa trazida pelo filme — esta sim o que há de principal. Mas, entre ele e Kaluuya, a maioria dos votos devem ir para o colega, que tem a força de ser o Messias e não o Judas. Stanfield, mesmo assim, é atuação pura, gigante em cena. Mas sem chances (ou quase isso).

4. Sacha Baron Cohen

Elogiado em produções sérias e com atuações na carreira dirigidas por nomes de peso como Martin Scorsese, Baron Cohen chega ao Oscar como uma zebra possível. A Academia não idolatra exatamente o sujeito, que já pregou boas peças em muita gente, mas não tem como contestar seu talento e sua versatilidade — ele já foi indicado até a Melhor Roteiro Original. De qualquer forma, há o fato de a estatueta dessa categoria já estar praticamente definida e, por isso, o bom trabalho do ator em Os 7 de Chicago não deverá ser aquele que lhe dará seu primeiro Oscar.

3. Leslie Odom Jr.

A atuação de Odom Jr. é poderosa em Uma Noite em Miami.... Aliás, o quarteto do filme, guiado pela direção de Regina King, tem um timing muito acima da média. Ainda, a obra é regada por muitos bons diálogos e pontos de explosão, o que conta bastante para que os atores sejam notados. Há, porém, o fato de ele dividir o filme com outras três excelentes atuações em pé de igualdade. Seria um Oscar justo, é verdade, mas ainda assim muito improvável.

2. Paul Raci

Um dos favoritos do público e principalmente da crítica — venceu diversos prêmios na temporada cedidos por associações —, Raci, que está com 73 anos de idade, não havia tido destaque tão grande em sua carreira até então. Sua atuação em O Som do Silêncio é minimalista, muito mais de uma expressividade silenciosa do que de grandes arroubos. Se por um lado isso é fundamental para o filme e de muita sabedoria, por outro pode não ser uma atuação justificável de prêmio para a Academia.

1. Daniel Kaluuya

A estatueta já deve estar com seu nome. Não é uma certeza, mas, se pudéssemos evocar a matemática outra vez, as chances estariam em torno dos 80%. A atuação de Kaluuya, que despontou e foi indicado na categoria principal há pouco tempo com Corra! (filme que também conta com Stanfield), tem tudo o que a Academia gosta para justificar o prêmio: trabalho de voz, mudança física e explosões. Não é só: seu tempo em cena é considerável e seu personagem é um mártir. Contra ele, há o fato de que Judas e o Messias Negro demorou para estrear, perdendo o tempo de todos (ou quase isso) os prêmios da crítica. No mais, o filme é bem incisivo, sem qualquer tipo de firula... bem o que pode impressionar pela necessidade sociopolítica boa parte dos votantes. Será justo? Kaluuya, que é jovem (32 anos), poderia ceder a vez para Raci, mas não deixará de ser uma vitória mais do que válida.

E então? Qual são as suas atuações coadjuvantes favoritas? Quais vocês acreditam que irão vencer? Por quê? Vamos debatendo porque, apesar de ser uma premiação bem política, movimenta o cinema, o que a torna essencialmente válida.

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