Norte-americano escreve novos capítulos de Harry Potter usando 'Deep Writing'

Por Raphael Andrade | 25.07.2016 às 21:02
photo_camera Divulgação

Quando "Harry Potter e a Criança Amaldiçoada" foi anunciada, um alvoroço de enormes proporções tomou conta da internet. Órfãos da saga do bruxo mais famoso da literatura, os fãs de Harry Potter receberam com alegria a possibilidade de ter uma nova obra na série que conta as aventuras d'O Menino Que Sobreviveu.

Mesmo com a "má" notícia que dizia que a obra, no caso, era uma peça de teatro, graças à tecnologia, um futuro onde novos livros protagonizados por Harry Potter e seus amigos sejam publicados pode não estar tão longe assim. Max Deutsch, norte-americano formado em matemática pela Universidade Brown, nos Estados Unidos, criou uma rede neural que está escrevendo livros da saga Harry Potter.

A ideia parece loucura, mas é exatamente o que uma rede neural recorrente LSTM (rede de longa memória de curto prazo, em tradução livre) está fazendo. Deutsch, fã da obra de J.K. Rowling, resolveu treinar por conta própria a rede em questão com os quatro primeiros livros da série: Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban e Harry Potter e o Cálice de Fogo.

A partir do conhecimento adquirido, a rede começou a escrever sozinha capítulos de um livro inexistente de Harry Potter baseado em todo o material contido nos quatro primeiros livros da saga. A técnica foi batizada de "Deep writing" por Deutsch, uma vez que usa elementos de deep learning no processo de escrita. "Eu comecei a experimentar os processos de deep learning recentemente, e além de procurar uma maneira divertida de praticar o que vim aprendendo, o projeto com Harry Potter foi uma tentativa de fazer algo interessante de ler", disse ele em entrevista ao Canaltech.

Em sua conta no Medium, o cientista compartilhou cinco capítulos produzidos pela rede neural. Segundo ele, apenas algumas edições menores foram feitas nos capítulos, para melhorar a legibilidade deles. Max também afirma que o computador é muito bom em capturar o ritmo e estilo do texto original, mas que melhorias precisam ser feitas.

Os capítulos em si não fazem muito sentido, dando a impressão de que são compostos por uma série de frases estilo "Biscoito Chinês da Sorte", onde frases aleatórias são postas juntas. De qualquer forma, o esforço impressiona. No primeiro capítulo, uma conversa entre Hermione e o professor Snape, enquanto o segundo capítulo é protagonizado por Harry e Rony. A rede neural também imita de maneira quase fiel o estilo de escrita de Rowling. Para ler os cinco capítulos, é só clicar neste link. Deutsch também escreveu um tutorial em sua conta no Medium ensinando como utilizar uma rede neural similar à utilizada neste projeto.

Infelizmente, Deutsch não planeja adicionar os livros restantes de Harry Potter à rede neural.

Gênio da tecnologia

O projeto ambicioso envolvendo o bruxo britânico não é a primeira empreitada do matemático no campo da tecnologia. Deutsch também é criador da Somebody.io, uma plataforma que permite que usuários criem de maneira simples websites. Além disso, no segundo ano do ensino médio, Max também criou um estúdio de efeitos visuais cujo produto acabou sendo exibido em Cannes.

Se tudo isso já não fosse o bastante, no último ano de ensino médio, Deutsch, em parceria com o Centro Médico de Langone, da Universidade de Nova York, criou uma companhia de biotecnologia que trabalha em procedimentos para permitir que pacientes surdos possam curtir música. Com tantos atributos e realizações na carreira, a única pergunta que fica é se Deutsch entraria para a Corvinal ou a Grifinória caso entrasse em Hogwarts.