Noite no Museu: fomos a uma balada dentro do Museu Americano de História Natural

Por Caroline Hecke | 02 de Julho de 2014 às 13h06
photo_camera Caroline Hecke

*De Nova Iorque, EUA

O Museu Americano de História Natural de Nova Iorque é reconhecido mundialmente por sua extensa coleção de fósseis: são mais de 32 milhões de elementos das mais variadas espécies e uma área dedicada ao estudo espacial, o que inclui um gigantesco planetário. O local também ganhou seu espaço em Hollywood, quando virou cenário para o filme Uma Noite no Museu.

Quando se pensa em toda a imponência de um dos mais importantes museus do mundo, não é fácil imaginar que lá também aconteça uma das mais divertidas festas de Manhattan.

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A estrutura do planetário Hayden, local que recebe a festa One Step Beyond. Imagem: Wikipedia

É isso mesmo que você acabou de ler: mensalmente, dentro do Museu Americano de História Natural dezenas de pessoas se reúnem para dançar e beber ao redor de meteoritos e rochedos espaciais. Se você espera ver apenas nerds em uma festa dentro de um museu, se enganou: a experiência é muito mais completa que isso – e nós estávamos lá para conferir essa “loucura” de perto.

Meteoritos e bebidas

O Museu Americano de História Natural fica localizado na face oeste do famoso Central Park, em Manhattan. Ao passar em frente ao local durante as noites de festa nada denuncia o que acontece lá dentro. Para entrar no museu é preciso saber da existência do evento e ter um convite em mãos.

A One Step Beyond acontece no Rose Center, que abriga o planetário Hayden. Atualmente, ele é gerenciado pelo famoso astrofísico Neil deGrasse Tyson (que tem sua foto como um dos mais famosos memes das redes sociais).

Neil deGrasse Tyson, o atual administrador do planetário.

Ao entrar no local, me deparei com um ambiente regado a luzes piscantes, uma enorme pista formada logo abaixo do planetário e DJs tocando música alta.

Caroline Hecke

Estrutura do planetário Hayden. Imagem: Canaltech/Caroline Hecke

A atmosfera era a mais psicodélica possível: eu estava dentro de um cubo gigante de vidro, com reproduções dos planetas do sistema solar “flutuando” sobre a minha cabeça e um meteorito gigante ao meu lado.

A festa reúne os mais variados tipos de público, o que deixava o ambiente ainda mais interessante. Enquanto muitos apenas dançavam, outros aproveitavam para conhecer o local, apreciando os objetos em exposição e lendo as placas informativas.

Uma das atrações que mais pareciam divertir o público eram as balanças existentes ao longo de todo o piso do Rosen Center: ao pisar sobre elas, você pode descobrir o seu exato peso em cada planeta do sistema solar. Isso gerou um tipo de excursão pelo local, com gente pulando de planeta em planeta para conferir a diferença na prática.

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Abaixo do planetário, uma gigantesca pista de dança. Na base da imagem é possível ver um dos grandes meteoritos em exposição. Imagem: Canaltech/Caroline Hecke

Outro ponto alto da festa era a apresentação existente dentro do próprio planetário. Para chegar até ele é preciso subir rampas posicionadas de forma circular ao redor do gigante globo que abriga as salas de projeção. Ao chegar ao topo do globo, uma porta se abria, permitindo a entrada no local.

A cada 15 minutos um grupo de cerca de 40 pessoas podia assistir, gratuitamente e de forma ilimitada, a uma apresentação sobre o Big Bang e o surgimento do nosso sistema solar. A experiência, que parecia divertir ainda mais aqueles que já haviam tomado alguns drinks, acontece em um enorme espaço côncavo posicionado no chão do local – e não no teto, como em grande parte dos planetários.

Embora a proibição de fazer fotografias parecesse impertinente no início, logo ficou fácil entender o motivo: com as luzes apagadas, o escuro era absoluto, fazendo com que os presentes se sentissem mergulhados na imensidão do espaço, enquanto o sistema solar era formado sob nosso pés.

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Luzes projetadas na base do planetário deixavam o ambiente ainda mais psicodélico. No lado direito da foto, objeto em exposição regular no museu vira decoração para a festa. Imagem: Canaltech/Caroline Hecke

Lá fora, a festa continuava, mas era impossível ter qualquer pista disso ao estar dentro do planetário Hayden. No espaço abaixo, diversos seguranças se posicionavam ao longo do museu, preservando a importante coleção de objetos trazidos diretamente do espaço. Ainda assim, não foi possível observar qualquer tentativa de degradação aos itens em exposição. Ao que tudo indica, quem frequenta uma balada dentro de um museu também tem total interesse pela preservação do local.

No meio da madrugada, os DJs se despediram, fazendo com que todos pedissem por mais músicas, no entanto, ali foi possível lembrar claramente onde estávamos dançando: as luzes se acenderam e o local passou a ser lentamente evacuado. Com cestos cheios de lixo e apenas alguns copos esquecidos pelo local, a festa preservou o museu, deixando o local intacto.

Algumas horas depois, o Rosen Center abria novamente as portas, dentro do Museu Americano de História Natural, recebendo turistas, famílias e excursões escolares, sem deixar qualquer pista de uma das baladas mais divertidas que qualquer museu provavelmente já recebeu.

Serviço:

One Step Beyond
Festa acontece uma sexta-feira por mês, das 21h à 1 da manhã (Confira o calendário)
Ingressos: US$ 25 (antecipados) ou US$ 30 (na porta)
É preciso ter 21 anos de idade ou mais para entrar.
O museu fica na Central Park West, 79th St, New York.

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