NASA finalmente cria chip que suporta as condições de Vênus para sua exploração

Por Redação | 18 de Fevereiro de 2017 às 10h20
photo_camera Foto: Reprodução

Vênus é um dos lugares mais inóspitos do nosso Sistema Solar. Com chuvas sulfúricas que elevam a temperatura em até 470° e com 90 vezes a pressão atmosférica da Terra, o equivalente a 900 metros embaixo d’água, o planeta é uma verdadeira prova de obstáculos, o que torna muito difícil sua exploração.

Tanto é que o objeto feito por humanos que sobreviveu mais tempo em sua superfície durou 127 minutos, pouco mais do que duas horas. Isso foi em 1981, quando a União Soviética enviou a espaçonave Venera 13. À época, sobreviver por tanto tempo permitiu que tivéssemos as primeiras fotos coloridas de Vênus, apenas 32 minutos antes do objeto cozinhar e ser dissolvido no ambiente completamente.

Um dos grandes desafios de explorar Vênus está no fato de que os computadores digitais não conseguem funcionar adequadamente, uma vez que o silício suporta temperaturas máximas de 250° C, metade do que seria necessário. Acima deste valor, os elétrons ganham liberdade demais para se mover entre os componentes e então o processador para de funcionar.

Chip resistente

Contudo, nos últimos anos eletrônicos baseados em carboneto de silício (SiC, em inglês) começaram a ter grandes resultados, chamando a atenção dos militares e indústrias pesadas graças à natureza de suportar altas temperaturas e voltagens, fazendo do componente um grande candidato para fazer com que um computador sobreviva à superfície de Vênus.

E é exatamente isso que pesquisadores do Centro de Pesquisa Glenn da NASA conseguiram. Os cientistas foram capazes de criar circuitos integrados capazes de interconectar transistores e outros componentes com cabos minúsculos dentro de um chip para sobreviver em condições extremas. Então, envolveram o chip com interconectores de transistores SiC em cerâmica para testá-lo num ambiente de testes chamado GEER (Complexo de Ambientes Extremos de Glenn, em tradução livre).

O transistor de SiC é o ponto azulado dentro da chamada Glenn Extreme Enviroments Rig (GEER)

Nos primeiros resultados, a máquina construída aguentou centenas de horas em temperaturas e pressões próximas ao do planeta. Foram no total 521 horas (21,7 dias) a 1.26 MHz e só parou porque a GEER precisava ser desligada.

Os pesquisadores da NASA concluíram que, com a maturação da tecnologia, os eletrônicos SiC poderiam melhorar drasticamente os projetos e conceitos de missão dos pousadores, permitindo fundamentalmente realizar missões de longa duração na superfície do planeta.

Porém, realizar missões no solo de Vênus exigem muito mais que eletrônicos capazes de aguentar altas temperaturas e pressão. É preciso fazer equipamentos mecânicos como um rover que tenha os atributos necessários para sobreviver na superfície de Vênus.

Mas, nem tudo está perdido, muito menos tão distante assim. A NASA estima que a partir de 2023 os cientistas do Centro de Pesquisa Glenn terão finalizado o primeiro rover capaz de se locomover em Vênus com sucesso, permitindo missões de exploração de longa duração no planeta.

Fonte: ArsTechnica

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