Guerra das telas

Por Colaborador externo | 07 de Julho de 2015 às 11h49

Por Ron Yekutiel*

Game of Thrones é um dos mais falados e aguardados seriados do momento. O encerramento da mais recente temporada registrou recorde de audiência, com 8,1 milhões de espectadores, fazendo com que este tenha se tornado o episódio produzido pela HBO mais assistido nos últimos tempos; seguido pela première desta temporada, que reuniu 7,9 milhões de espectadores.

Mas, essa história não é sobre quantas pessoas estavam assistindo e sim sobre como elas estavam assistindo. Apontando nessa direção, recentemente houve dois lançamentos de produtos que são de particular interesse. O Dish’s Sling TV, que é uma grande revolução na forma de assistir um canal de TV por assinatura. Ele, além de oferecer ao usuário a transmissão de conteúdo por demanda, permite que se assista a toda programação da HBO ao vivo e em qualquer dispositivo, sem a necessidade de assinatura de qualquer provedor. E o HBO Now, que é um serviço desagregado de TV a cabo e que mostra a independência que esses canais podem ter. Agora, os telespectadores podem viajar para Westeros quando quiserem, em qualquer dispositivo e sem precisar de uma assinatura de TV.

Esses dois exemplos oferecem uma boa oportunidade para fazer um balanço da situação. É verdade que ainda grande parte do público assiste televisão de forma tradicional. Mas há fortes indícios que esta maré está prestes a virar. De acordo com a Nielsen, mais de 40% das casas norte-americanas têm acesso a serviços de assinatura SVOD (Subscription Video On Demand), como a Netflix, por exemplo. Já a Parks Associates, empresa de pesquisas em marketing, informou que cerca de 60% dos clientes norte-americanos têm uma assinatura OTT com pelo menos um provedor. E esse crescimento só deve se espalhar pelo mundo, com um crescimento exponencial na Ásia. Sendo que até 2020, é previsto que quase metade das residências do mundo estará recebendo serviços OTT em suas televisões.

Para atender o crescimento dessa demanda, os fornecedores de conteúdo estão correndo em busca de soluções. A HBO é uma das pioneiras, mas não é a única. A Turner, por exemplo, lançou recentemente um novo serviço de streaming OTT chamado TNT Go na América Latina, e na Europa, Kabel Deutschland, o maior provedor de televisão por assinatura da Alemanha, começou a oferecer um aplicativo gratuito para seus assinantes, oferecendo TV ao vivo em qualquer dispositivo.

Isto, claro, tem um impacto sobre como as marcas anunciam. Não é de estranhar que SVOD e penetração de internet de alta velocidade tenham uma forte correlação com a renda e com o rendimento médio das famílias. Além disso, as famílias SVOD têm mais chances de ter jovens em casa, já que eles e as crianças são mais propensos a ser tech-fluentes do que os adultos. Assim, não se trata mais apenas sobre quando e onde, e também sobre quem está assistindo. E esse é o desafio dos anunciantes, seguir seu público-alvo onde quer que ele esteja e engajá-lo em qualquer horário ou local.

De acordo com pesquisas do The Diffusion Group, instituto que pesquisa tendências para a televisão, até 2020 quase metade da receita de anúncios de TV migrarão para OTT. Com isso, os provedores de conteúdo terão que pensar em soluções para monetizações de vídeos, como forma de atender a esse novo mercado publicitário.

Essas mudanças citadas acima não são surpreendentes. Nós aguardamos e falamos dessa nova fase durante anos, mas agora elas estão sendo impulsionadas e sendo totalmente aceitas pelos consumidores, que gostam da personalização e de um mundo mais ao seu jeito. Não é a morte de TV que alguns previram; mas apenas a sua transformação. A TV tem sido um dos meios mais bem-sucedidos (e rentáveis) na existência. Mas como os nossos padrões de consumo mudam, nós também precisamos mudar a maneira como entregamos conteúdo e rentabilizamos a TV, que até agora é o meio mais incrivelmente poderoso que tivemos.

*Ron Yekutiel é presidente e CEO da Kaltura.

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