Estrela "morta" volta à vida ao se alimentar de companheira e explode em seguida

Por Redação | 18 de Agosto de 2016 às 09h33
photo_camera J. SKOWRON/WARSAW UNIVERSITY OBSERVATORY 2

Há sete anos, uma estrela binária explodiu repentinamente depois de ter seu brilho aumentado em milhões de vezes em um curto intervalo de tempo. Agora, cientistas poloneses que vinham estudando o ocorrido descobriram o que aconteceu: basicamente, a estrela estava hibernando quando se carregou e virou termonuclear.

O estudo foi publicado na renomada revista Nature, e os astrônomos que o conduziram registraram que o sistema estelar em questão (chamado V1213 Cen, localizado a 23 mil anos-luz da Terra) é composto de duas estrelas muito próximas uma da outra, sendo uma anã vermelha e um núcleo estelar morto que é chamado de anã branca. Esses sistemas binários são bastante comuns no universo, tratando-se de uma relação parasitária na qual a estrela morta se alimenta da estrela viva enquanto desvia matéria pelo cosmos, o que pode resultar em explosões conhecidas como nova anã.

V1213 Cen

A imagem mostra o ciclo de vida da estrela V1213 e sua posição observada a partir do telescópio (Reprodução: J. Skowron, K. Ulaczyk/Observatório da Universidade de Varsóvia)

Nesse tipo de sistema binário e parasita, em algum momento da relação à estrela morta acabará agregando hidrogênio fresco e hélio suficientes para gerar temperaturas e pressões extremamente altas, o que acaba resultando em uma reação de fusão termonuclear em que quantias extraordinárias de matéria e energia são liberadas no espaço - e essa explosão ilumina o céu com uma nova clássica cujo efeito é rápido, mas muito brilhante. E foi justamente esse momento que foi observado pelos astrônomos que analisavam a V1213 Cen.

Apesar das novas clássicas já serem antigas conhecidas pela comunidade científica, era muito difícil estudá-las devido a rapidez que explodiam. Mas observar o fenômeno da V1213 foi possível graças ao Optical Gravitational Lensing Experiment, da Universidade de Varsóvia, um projeto que estuda estrelas a longo prazo e que já vinha observando a estrela que explodiu em 2009 pelos seis anos anteriores a essa data, e seguiu analisando o sistema estelar após a explosão até os dias atuais.

A descoberta reforça um modelo proposto por cientistas que ainda não havia sido testado. Chamado “hipótese da hibernação”, ele sugere que, depois de uma nova clássica, a taxa de transferência de massa entre duas estrelas é elevada por séculos a seguir. Esse sistema permanece, então, brilhante tal qual era antes da explosão, mas, com o passar de milhares ou milhões de anos, a alimentação é cessada por um tempo e a anã branca entra em uma fase de hibernação, despertando depois de um tempo para devorar a companheira e reiniciar esse ciclo.

Fonte: The Verge, Nature

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