Empresas de realidade virtual buscam inspiração em obras de ficção científica

Por Redação | 23 de Fevereiro de 2016 às 09h00
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A realidade virtual (RV) é considerada por muitos a grande aposta do setor de tecnologia para os próximos anos. No entanto, enquanto dispositivos como Oculus Rift, PlayStation VR, Samsung Gear VR e HTC Vive começam a dar às caras no mercado consumidor, as empresas ainda estão tentando descobrir como fazer com que a RV se torne uma tecnologia indispensável.

Para tentar tornar a realidade virtual o próximo must have entre os adeptos de novas tecnologias, diversas empresas do setor estão buscando inspiração em obras de ficção científica. A líder Oculus, por exemplo, sempre entrega uma cópia do livro Ready Player One (Jogador Nº 1), um romance futurista de Ernest Cline, aos seus novos funcionários.

Mas como pessoas que criam histórias fantasiosas podem ajudar empresas de tecnologia a ganhar dinheiro? Palmer Luckey, o cofundador da Oculus que tem apenas 23 anos de idade explica: a criatividade dos escritores permite que eles imaginem aplicações incríveis para qualquer tecnologia. "Assim como muitas outras pessoas que trabalham no setor de tecnologia, eu não sou uma pessoa muito criativa", disse.

As ideias expostas em obras de ficção científica são especialmente relevantes neste momento, pois algumas das maiores empresas de tecnologia estão se preparando para lançar uma nova geração de produtos voltados à RV. Apesar de gigantes como Sony, HTC, Facebook e Microsoft estarem apostando alto em gadgets deste tipo, a forma como as pessoas vão interagir com os mundos imaginários criados em seus headsets ainda é amplamente desconhecida.

"A ficção científica, em termos mais simples, nos torna livres", defende Ralph Osterhout, CEO do Osterhout Design Group, que cria óculos de realidade aumentada. O livro utilizado pela Oculus para dar boas-vindas aos seus novos colaboradores, por exemplo, vai virar um filme pelas mãos de Steven Spielberg.

Na trama, as pessoas passam grande parte do seu tempo no OASIS, um ambiente de realidade virtual global onde é possível socializar, estudar, participar de competições, etc. No OASIS, o jogador pode ser o que ele quiser. "Uma das coisas que eu gosto em 'Jogador Nº1' é que todas as representações no livro são bastante viáveis", explica o cofundador da Oculus .

O melhor de tudo é que aqueles que trabalham com tecnologia sequer precisam de um incentivo de seus empregadores para ler ou assistir obras de ficção científica, uma vez que ela é um pilar da cultura geek.

Outro exemplo é a Magic Leap, uma startup de realidade aumentada que foi além da distribuição de livros e contratou escritores de ficção científica para ampliar o seu quadro de colaboradores.

"Minha teoria é que a ficção científica pode realmente ter algum valor à medida que faz com que as pessoas fiquem na mesma página sem precisar do processo caro e tedioso do PowerPoint", explica Neal Stephenson, um dos escritores contratados pela startup. "Mas a influência do gênero dentro das empresas de tecnologia também é surpreendente e misteriosa para mim", completou.

Fonte: The New York Times