Em estudo, físicos afirmam que buracos negros podem evaporar

Por Redação | 17 de Agosto de 2016 às 10h14

Físicos israelenses divulgaram uma evidência de algo que Stephen Hawking já vinha dizendo desde os anos 70: buracos negros não são totalmente escuros e evaporam com o tempo, emitindo radiação no processo.

Eles são conhecidos assim porque sua força gravitacional é muito forte, impedindo que a luz saia depois de ter passado pelo "horizonte de eventos" (que basicamente é um ponto sem retorno teórico). No entanto, Hawking acabou descobrindo que os buracos negros teoricamente evaporam com o tempo, num processo conhecido como "radiação Hawkings".

Tudo isso tem base na mecânica quântica, que diz que até o vácuo não é vazio. As "partículas virtuais", que na física representam partículas que existem em um tempo e espaço limitado, não violam as leis da física. Mas, se um par dessas partículas entrar no horizonte de eventos de um buraco negro e uma delas conseguir entrar, o buraco emitiria fótons (partículas de luz), o que acarretaria em uma diminuição de sua massa. Em seu estudo publicado na Nature Physics, os cientistas dizem ter descoberto que quanto maior o buraco negro, mais tempo ele levaria para evaporar por completo.

O que fazer para testar a hipótese?

Bill Unruh, físico da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, propôs um experimento em 1981 para a criação do que chamou de "buraco burro", que é um buraco negro sônico que, ao invés de reter a luz, retém o som.

Fazendo uma analogia a cachoeiras, o físico apontou o aumento da velocidade da água à medida em que ela vai chegando nas bordas. "Uma hora, a água vai acabar fluindo mais rápido do que o som pode viajar através dela, de modo que quaisquer fônons (partículas de som) tentando escapar serão apenas sugados para dentro", explica artigo do Gizmodo.

Para fazer o teste, físicos acham possível criar buracos negros em laboratório não com som, mas com formas de matéria ultrafria em estado quântico chamadas "Bose-Einstein", que são um grupo de átomos que se comportam como apenas um.

Jeff Steinhauer

Jeff Steinhauer, do Instituto de Tecnologia de Israel, fez exatamente isso em 2009 usando 100 mil átomos de rubídio refrigerados. Em 2014, ele divulgou resultados de seus experimentos de buracos negros acústicos. Apesar de não terem sido perfeitos, o físico pôde ouvir ruídos de radiação - que, no entanto, precisava ser estimulada.

Esse tipo análogo de buraco negro deve emitir algo equivalente à radiação Hawkings. Steinhauer garante que, atualmente, seu equipamento melhorou muito a ponto de já ser possível observar fônons emaranhados sendo emitidos pelos buracos negros acústicos, além da radiação surgir a partir do condensado de Bose-Einstein sem que seja necessário estimulá-los.

Fonte: Gizmodo

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