Conheça os PCs mais caros da história da computação

Por Sérgio Oliveira | 29 de Setembro de 2015 às 09h32

Em tempos de redes sociais, não raramente vemos pessoas reclamando cada vez mais dos preços abusivos dos produtos encontrados nas prateleiras. Essas queixas têm se intensificado sobretudo quando falamos de produtos eletroeletrônicos, que nos últimos tempos vêm se tornando cada vez mais salgados e desagradando a grande maioria do público consumidor. No Brasil, em específico, os smartphones devem puxar a alta desses valores com o fim da Lei do Bem previsto para o ano que vem.

Mesmo com esse cenário desacolhedor, a verdade é que hoje conseguimos encontrar dispositivos eletrônicos muito poderosos a preço de banana. Pare um pouco e analise quantos gigahertz possui o processador do seu notebook, quantos gigabytes de memória RAM o seu smartphone tem e quantos terabytes de armazenamento você dispõe naquele computador gamer e compare tudo isso com as especificações do seu primeiro PC.

Por mais que queiramos reclamar do preço disso tudo, a realidade é que os componentes dos nossos computadores e dispositivos móveis são muito mais baratos hoje em dia do que já foram nos primórdios da computação. E é justamente para aliviar um pouco essa sensação de que as coisas estão absurdamente caras que resolvemos listar os 10 computadores mais caros da história e suas especificações técnicas para que tenhamos uma noção do quanto a indústria evoluiu e do pouco que ela cobra atualmente por tanta tecnologia de ponta.

Ficou curioso? Então passa o cadeado na carteira porque vem coisa bizarra por aí.

Programma 101 (1965)

Numa época em que computadores ocupavam pelo menos o espaço de uma garagem, o Programma 101 surgiu na Itália para revolucionar a história dos PCs. Do tamanho de uma máquina de escrever, a máquina foi apresentada pela primeira vez na Feira Mundial de Nova Iorque em 1964.

O Programma 101 foi lançado pela Olivetti nos anos 1960 e inaugurou o termo

O Programma 101 foi lançado pela Olivetti nos anos 1960 e inaugurou o termo "computador pessoal", pois dispensava o uso de mainframes para a realização de cálculos (Imagem: Reprodução)

A semelhança com as máquinas registradoras presentes em mercadinhos de esquina de bairro não é à toa. O Programma era mais um tipo de supercalculadora capaz de realizar operações de soma, subtração, multiplicação e divisão com números gigantescos do que um computador como o conhecemos atualmente. O que o diferenciava de uma calculadora e o colocava no hall de computadores mesmo era a capacidade de carregar e gravar sequências programáticas em cartões magnéticos.

Não bastasse o visual futurista para a época, o Programma 101 caiu no gosto da NASA e a agência espacial norte-americana comprou uma quantidade gigantesca do computador, que foi utilizado para planejar o pouso da Apollo 11 na Lua. Na época, a entidade teve que desembolsar US$ 3 mil por cada computador, o que hoje em dia daria US$ 24 mil, ou R$ 96 mil na cotação atual.

IBM Portable Computer (1975)

A IBM foi uma das companhias que mais apostaram na popularização dos computadores pessoais. Tanto é que foi ela a primeira a propagandear o computador como um dispositivo que tem que ser carregado de um lado para outro. Com isso em mente, surgiu o IBM 5100 PC. Pesando 25 kg e do tamanho de uma maleta executiva, o computador era destinado primordialmente para cientistas, que precisariam desembolsar cerca de US$ 20 mil nos anos 1970 - o equivalente a US$ 88 mil, ou R$ 352 mil na cotação atual.

O IBM PC 5100 pode ser considerado o primeiro notebook do mundo. O problema é que ele não era nada fácil de carregar (pesava 25 kg) e custava mais do que uma casa própria (cerca de R$ 352 mil)

O IBM PC 5100 pode ser considerado o primeiro notebook do mundo. O problema é que ele não era nada fácil de carregar (pesava 25 kg) e custava mais do que uma casa própria (cerca de R$ 352 mil) (Imagem: Reprodução / Wikimedia)

Comparando-o aos computadores que temos à nossa disposição nos dias de hoje, soa mais absurdo ainda desembolsar essa grana inteira por um computador que tem somente 64 KB de memória e um display de tubo de 5 polegadas. Para piorar ainda mais as coisas, o armazenamento não era feito em disco rígido - longe disso -, mas sim em fitas magnéticas capazes de armazenar incríveis 204 KB de dados. Por fim, o monitor só conseguia exibir 16 linhas de texto por vez e cada uma delas não poderia possuir mais do que 64 caracteres.

Bizarro para os padrões de hoje, não é mesmo?

Cromemco System Three (1979)

Fundada nos dormitórios de Stanford, Califórnia, por estudantes de pós-doutorado em engenharia, a Cromemco se destacou no fim dos anos 1970 e começo dos anos 1980 por inovar com vários periféricos, que iam desde joysticks até placas de vídeo, passando por câmeras digitais.

O auge de atuação da empresa foi em 1979, quando lançou o computador multiuso System Three. A ideia era que ele pudesse ser utilizado como estação de trabalho independente de mainframes, fato que ficou mais evidente graças à possibilidade de conectá-lo diretamente a uma impressora. Fora isso, o PC tinha configurações robustas, vindo com 512 KB de memória RAM e disco rígido externo de 5 MB. Tais características chamaram a atenção de grandes empresas e órgãos governamentais, como a NASA e a Força Aérea dos EUA, que adquiriram várias unidades da máquina.

O System Three inaugurou os desktops como os conhecemos hoje. Um monitor separado do gabinete e possibilidade de conectá-lo a uma impressora, tudo sem depender de mainframe algum

O System Three inaugurou os desktops como os conhecemos hoje. Um monitor separado do gabinete e possibilidade de conectá-lo a uma impressora, tudo sem depender de mainframe algum (Imagem: Reprodução / Wikimedia)

Outro aspecto que hoje chama a atenção é que o System Three foi o primeiro microcomputador a rodar uma distribuição baseada em Unix. O problema mesmo era o preço: US$ 12.500 naquela época, o que daria US$ 36 mil ou R$ 144 mil na cotação atual.

Apple Lisa (1983)

No começo dos anos 1980, a Apple ainda era uma pequena empresa que apostava alto em computadores pessoais como o Lisa. Pensado por Steve Jobs, o Lisa foi o primeiro computador pessoal do mundo a vir com mouse e uma interface gráfica que foi propagandeado e vendido para o público consumidor.

Graças principalmente a essas duas características, o computador da Maçã se tornou o objeto de consumo de muitas pessoas, que acabavam esbarrando no preço proibitivo do PC: US$ 10 mil naquela época, o que equivale a US$ 24 mil atualmente, ou R$ 96 mil na conversão direta. Gastar esse rio de dinheiro significava que você levaria para casa um computador com processador Motorola de 5 MHz, 1 MB de memória RAM e um monitor monocromático de 12 polegadas. O armazenamento tinha que ser feito em disquetes, que podiam guardar até 871 KB de dados, mas um disco rígido externo de 5 MB podia ser adquirido à parte.

O Lisa era a alternativa mais potente da sua época, mas custava caro ao bolso do público consumidor, que ainda não tinha tanto cacife para bancar uma máquina como essa para usar em casa

O Lisa era a alternativa mais potente da sua época, mas custava caro ao bolso do público consumidor, que ainda não tinha tanto cacife para bancar uma máquina como essa para usar em casa (Imagem: Reprodução / Wikimedia)

Nos dias de hoje, isso não daria nem para armazenar uma música em MP3 direito, não é mesmo?

Osborne Vixen (1985)

Pioneiro no segmento de computador-mala, o Osborne Vixen possuía um teclado que fechava a estrutura do computador e, quando aberto, nos fazia lembrar bastante o formato dos desktops tradicionais. Essa característica o ajudou a se diferenciar dos concorrentes, sobretudo porque não era preciso carregar nada à parte e o monitor CRT de 7 polegadas era um baita atrativo.

O projeto foi considerado ambicioso para a época e chegou a ser adiado algumas vezes. O drama, no entanto, acabou em 1985, quando o Vixen chegou às lojas especializadas com um processador de 4 MHz, 64 KB de RAM e duas entradas para disquete. Além disso, uma generosa suíte de softwares vinha embutida no computador, permitindo aos usuários digitar textos, editar planilhas, elaborar gráficos e até mesmo jogar um game de aventura nos moldes de Super Mario Bros.

A grande sacada do Vixen é que ele era mais leve que os computadores compactos da época e dispensava o uso de penduricalhos, ficando tudo ali, na

A grande sacada do Vixen é que ele era mais leve que os computadores compactos da época e dispensava o uso de penduricalhos, ficando tudo ali, na "mala" do computador (Imagem: Reprodução)

Entre os computadores mais caros desta lista, este talvez seja um dos que saía mais em conta, principalmente se levarmos em consideração a época em que foi lançado e suas especificações técnicas. O conjunto completo custava a bagatela de US$ 2.800, algo em torno de US$ 6.200 nos dias de hoje, ou cerca de R$ 25 mil.

Apple Macintosh Portable (1989)

Buscando se destacar da concorrência e oferecer opções mais avançadas, poderosas e rápidas, a Apple lançou o Macintosh Portable. Ao invés de um trabalho superpesado, a Maçã trouxe o que talvez possamos rotular como um dos primeiros computadores realmente portáteis da história. O que é curioso mesmo são as configurações dele.

O Mac Portable trazia consigo um processador Motorola de 16 MHz de potência, 1 MB de memória RAM (que podia ser expandido para até 9 MB) e uma bateria que pesava cerca de 1 kg e era feita essencialmente com os mesmos componentes das baterias para carro. O disco rígido tinha a incrível capacidade de 40 MB de armazenamento e a tela monocromática exibia gráficos de até 640 x 640 pixels de resolução.

Embora se destacasse por sua leveza e facilidade de transporte, o Macintosh Portable utilizava uma bateria com ácido que era altamente nociva e pesava cerca de 1 kg. Apesar disso, ela conseguia manter o computador funcionando por pouco mais de 6 horas

Embora se destacasse por sua leveza e facilidade de transporte, o Macintosh Portable utilizava uma bateria com ácido que era altamente nociva e pesava cerca de 1 kg. Apesar disso, ela conseguia manter o computador funcionando por pouco mais de 6 horas (Imagem: Reprodução)

Àquela época, essa maravilhosa e potente máquina saia por US$ 6.500, algo em torno de US$ 12.500 nos dias atuais, ou R$ 50 mil na conversão do dólar para real.

Risc PC (1994)

Considerada a "Apple Britânica", a Acorn investiu por muitos anos em computadores pessoais, sobretudo nos anos 1980. Seu produto mais reconhecido nesse ramo, contudo, só veio no ano de 1994, quando a empresa lançou o Risc PC, um computador inovador que possuía slot para dois processadores.

A grande sacada aqui é que, naquela época, os processadores eram classificados como RISC ou CISC, pois eles só funcionavam com um conjunto bem restrito de instruções e eram limitados por sua arquitetura. Com a chegada do Risc PC, era possível ter os dois tipos de processador graças ao slot adicional presente na máquina.

O Risc PC foi o primeiro a utilizar arquiteturas híbridas de processadores, abrindo caminho para o que temos hoje com os chips mais modernos que são capazes de trabalhar tanto com arquitetura RISC quanto CISC

O Risc PC foi o primeiro a utilizar arquiteturas híbridas de processadores, abrindo caminho para o que temos hoje com os chips mais modernos que são capazes de trabalhar tanto com arquitetura RISC quanto CISC (Imagem: Reprodução / Wikimedia)

Fora isso, o Risc PC vinha com um disco rígido de 420 MB e um generoso monitor de 17 polegadas. Na época, tudo isso vinha numa embalagem que custava US$ 3 mil, algo em torno de US$ 5 mil ou R$ 20 mil na cotação atual.

Dell Dimension XPS T600 (1999)

Foi nos anos 1990 que finalmente o mercado de computadores pessoais desabrochou e ganhou terreno. Contudo, isso não significou necessariamente que os computadores deixaram de ser caros do dia para a noite - pelo contrário. Ainda em 1999 tínhamos alguns modelos de PC cujo valor fugia da linha de preço médio. Tudo bem que essa discrepância geralmente estava associada com o fim a que o computador se destinava, mas mesmo assim não deixada de espantar muita gente por aí.

E isso ainda era verdade há 15 anos, quando um Dell Dimension XPS T600 com Pentium III-600, 128 MB de RAM, 20 GB de disco rígido e monitor de tubo de 17 polegadas era vendido por aproximadamente US$ 2.300, o que dá aproximadamente US$ 3.400 nos dias atuais - ou R$ 13.600 se trouxermos para a nossa realidade brasileiro.

Embora o preço não espante tanto quanto os primeiros PCs da lista, o XPS T600 da Dell era vendido a um preço exorbitante para o ano de 1999

Embora o preço não espante tanto quanto os primeiros PCs da lista, o XPS T600 da Dell era vendido a um preço exorbitante para o ano de 1999 (Imagem: Reprodução / Recycled Goods)

Com essa lista, podemos perceber o quanto os computadores deixaram de ser artigo de luxo ou restrito apenas ao meio acadêmico para se tornarem algo voltado para as massas. Se a tendência permanecer a mesma nos próximos anos, em breve estaremos desembolsando pouquíssimo dinheiro para adquirir supercomputadores que muito provavelmente ninguém imaginou que seríamos capazes de ter 20 ou 30 anos atrás.

E você? Lembra quanto custou o seu primeiro computador? Qual era o modelo e as configurações dele, você ainda recorda? Se sim, conta para gente na caixa de comentários aqui embaixo.

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