Condenação de Brendan Dassey, de “Making a Murderer”, é anulada nos EUA

Por Redação | 14 de Agosto de 2016 às 09h49

Um dos personagens principais da série documental “Making a Murderer”, da Netflix, teve sua condenação anulada na última sexta-feira (12) após decisão de um tribunal do estado de Wisconsin. Brandan Dassey poderá sair da prisão dentro dos próximos 90 dias, a não ser que os promotores recorram da decisão do juiz.

A série, que retrata as falhas do sistema judicário norteamericano, exibiu o caso de Dassey, de 26 anos, e de seu tio Steven Avery, de 54 anos, que foram condenados à prisão perpétua após serem acusados de assassinar a fotógrafa Teresa Hallbach em 2005. Contudo, vários elementos mostrados pelo serviço de streaming levam a pensar que Dassey e Avery foram acusados injustamente.

Making a Murderer

Brendan Dassey quando foi preso acusado de assassinar a fotógrafa Teresa Hallbach em 2005 (Reprodução: Divulgação)

Quem decidiu pela anulação da condenação foi o juiz William Duffin, que destacou principalmente a desastrosa defesa de Dassey prestada pelo advogado Leonard Kachinsky em 2006, cuja conduta teria sido “indefensável”, de acordo com o juiz. “Os investigadores asseguraram a Dassey que ele não devia se preocupar. Essas repetidas e falsas promessas, somadas a outros fatores, como a idade de Dassey, seu déficit intelectual e a ausência de um adulto a seu lado durante o interrogatório, fazem com que as confissões de Dassey sejam involuntárias”, disse o juiz. Explicando: na época, Dassey tinha apenas 16 anos e com coeficiente intelectual limitado.

Ainda de acordo com Duffin, “depois do lançamento da série na Netflix, se multiplicaram os pedidos de liberação do jovem e de seu tio, a ponto da Casa Branca ter recebido uma petição com mais de 130.000 assinaturas pedindo o perdão presidencial.” A petição disse que “há claras evidÊncias de que a delegacia do xerife de Manitowoc [condado rural no norte dos EUA] usou métodos inapropriados.” Contudo, uma vz que a condenação foi feita pelo sistema prisional de WIsconsin, e não por um processo federal, o presidente do país nada poderia fazer a respeito.

O tio de Dassey já havia sido condenado e passado 18 anos na prisão por conta de um erro judicial em um caso de estupro, que Avery não cometeu. Ele foi liberado em 2003 depois de, enfim, comprovar sua inocência com exames de DNA, mas foi detido novamente pela morte de Halbach com seu sobrinho.

Fonte: NY Times