Cientistas apostam em um futuro no qual humanos e robôs serão indistinguíveis

Por Redação | 22 de Março de 2016 às 09h54
photo_camera Divulgação/Universal Pictures

Duas equipes de cientistas desenvolvem, de forma paralela, os robôs mais parecidos com seres humanos que você já viu. Pesquisadores da Hanson Robotics, nos Estados Unidos, e do Hiroshi Ishiguro Laboratories, no Japão, trabalham a fim de combinar sistemas superinteligentes e feições humanas a fim de criar aquilo que eles apostam como elemento-chave na relação entre humanos e máquinas no futuro.

Nos Estados Unidos, o doutor David Hanson e a sua equipe de engenheiros e designers criaram a Sophia, robô com visual inspirado na esposa de Hanson e também na atriz Audrey Hepburn. Ela é capaz de interagir com o seu interlocutor, conta com mais de 60 expressões faciais e traz câmeras em seus “olhos” que permitem a ela fazer contato visual, se localizar e até mesmo reconhecer indivíduos.

Ela conta ainda com um sistema de reconhecimento de voz igual ao do Google Chrome e o seu criador trabalha junto de empresas como Intel e IBM a fim de implementar novas funções ao robô. “Nosso objetivo é que ela seja tão consciente, criativa e capaz como qualquer ser humano”, comenta Hanson. “Estamos desenvolvendo estes robôs para servir na área de assistência médica, terapêutica, educacional e em serviços de atendimento ao cliente.”

Androides sonham com ovelhas elétricas?

A clássica obra Androides Sonham com Ovelhas Elétricas, do autor Philip K. Dick, foi adaptada para o cinema pelo laureado diretor Ridley Scott sob o nome de Blade Runner – O Caçador de Androides. Na trama, Richard Deckard (Harrison Ford) é um caçador de androides que acaba se apaixonando por um androide, levantando uma série de questões éticas a respeito desse tipo de “vida”. Para o doutor Hanson, o nosso futuro trará uma relação cada vez mais intensa entre humanos e androides, que serão praticamente indistinguíveis entre si.

“A inteligência artificial vai evoluir a um ponto no qual eles [os robôs] serão verdadeiramente nossos amigos”, comenta o pesquisador. “Não de um jeito que vai nos desumanizar, mas de uma forma que nos reumaniza, que reduz a tendência de distanciamento entre pessoas e nos conecta tanto com pessoas quanto com robôs”, defende.

Imagem e semelhança

No Japão, o doutor Hiroshi Ishiguro vem criando uma série de robôs que terão diferentes aplicações na vida real. A ideia é que eles atuem na recepção de hotéis e em outros locais públicos e também na interação com pessoas com demência e crianças autistas. Para o primeiro caso, Ishiguro desenvolve máquinas iguais a seres humanos; para o segundo, o visual é mais lúdico.

Geminoid

Geminoid: o robô criado à imagem e semelhante de Hiroshi Ishiguro. (Foto: Harriet Taylor/CNBC)

No entanto, a grande criação do japonês é o Geminoid, um robô gêmeo feito à sua imagem e semelhança. A máquina é controlada por um computador e, pasme, foi desenvolvida para auxiliar em estudos sobre a humanidade. “Nós somos mais autônomos e inteligentes, é isso”, comenta Ishiguro a fim de destacar o que nos diferencia das máquinas.

E a tendência é que tudo isso se expanda ainda mais nos próximos anos, com mais iniciativas do gênero. Apesar de quase tudo estar apenas em fase inicial, é impossível não se lembrar das distopias de ficção científica, como Blade Runner, Eu, Robô e Ex-Machina ao ver tantas movimentações neste sentido.

Você acha que as máquinas superinteligentes representam um avanço ou uma ameaça para a humanidade? Deixe a sua opinião nos comentários.

Fonte: CNBC