Astrônomos poderão buscar vida extraterrestre por análise atmosférica

Por Redação | 14 de Julho de 2016 às 10h04

A existência de vida extraterrestre é um dos mistérios que mais intrigam a humanidade e muitos dos avanços da astronomia acontecem como tentativa de responder à questão. Encontrar vida no universo é algo relativo, enquanto uns acreditam que não somos os únicos seres inteligentes, uma parte dos cientistas buscam por gases com "bioassinatura", ou seja, aqueles que só poderiam ter sido produzidos por organismos vivos. Telescópios que estão sendo desenvolvidos serão capazes de analisar atmosferas de planetas distantes e identificar seus componentes.

A possibilidade de detectar essa assinatura dos gases permitirá aos cientistas identificarem quais elementos indicam mais precisamente a presença de vida e quais seriam oriundos de processos geológicos. "Podemos dizer que a melhor bioassinatura que temos é uma combinação de oxigênio ou ozônio e metano, ou outra redução de gás", afirma a professora da Universidade Cornell e diretora do Carl Sagan Institute Lisa Kaltenegger.

Oxigênio e metano compõem boa parte de nossa atmosfera e a combinação é responsável pela formação de água e dióxido de carbono. Se esses gases existem em quantidades significativas, deve haver algo que os produza, o que, para nosso conhecimento, apenas organismos vivos seriam capazes.

"Não há evidências que nos digam que existe vida em outro planeta", comenta Lisa. "Temos outras peças do quebra-cabeça que precisamos encaixar, como a cor do planeta ou a sua idade. Tudo isso nos permite contextualizar a bioassinatura. Também queremos encontrar água, por ser a base da vida como conhecemos", explica.

É importante observar que vida extraterrestre pode ser totalmente diferente do que conhecemos. As moléculas das quais dependemos podem ser irrelevantes ou até mesmo tóxicas para outras formas de vida. "Uma coisa que deve ser entendida é que não sabemos que tipo de vida haveria. A melhor bioassinatura é feita, em última análise, por vida", afirma a professora de Ciência Planetária e Física do Institute of Technology de Massachusetts, Sara Seager.

Kepler 186

Em uma pesquisa publicada recentemente na revista Astrobiologia, Sara e sua equipe listaram todas as moléculas estáveis com seis ou menos átomos de hidrogênios que poderiam existir na atmosfera de um planeta, totalizando 14 mil moléculas. O objetivo era abordar o maior conceito de gás de bioassinatura possível para registrar as possibilidades de mutação que a vida poderia tomar. "Não estamos propondo que cada um desses gases seja algo para se procurar, mas um ponto de partida para trabalhar com alguns gases ou classes de gases", explica Sara.

Desafio à frente

A partir da lista de gases, a equipe vai analisar como eles reagem quando iluminados por estrelas, tipo de moléculas e os produtos finais. O estudo permitirá compreender todos os gases que astrônomos poderão detectar em outros planetas.

Apenas um quarto das moléculas na Terra são produzidas por vida e 2,5 mil delas são compostas dos seis elementos mais importantes para a vida: carbono, nitrogênio, oxigênio, fósforo, enxofre e hidrogênio. Até mesmo na Terra, organismos utilizam outros elementos como fonte de vida, como micróbios que vivem em áreas onde não se encontram todos os elementos, por isso não é difícil imaginar que outras formas de vida usariam combinações diferentes dos 118 elementos conhecidos para sobreviver.

A descoberta recente de três exoplanetas na órbita de uma estrela anã apontou a direção para a qual astrônomos poderiam começar suas pesquisas. Ao analisar o espectro de luz que passa pelos planetas, os cientistas poderão dizer quais gases estão presentes nas respectivas atmosferas.

Os telescópios atuais ainda não são tão potentes a ponto de captar luz que passa a poucos quilômetros de um planeta, por isso é preciso esperar por inovações nesse campo da ciência. O telescópio James Webb Space será o mais moderno já visto e seu lançamento está previsto para 2018.

Fonte Discover Magazine