Astronautas estariam ficando míopes após longos períodos no espaço

Por Redação | 11 de Julho de 2016 às 16h00

Depois de problemas de orientação e uma maior fragilidade óssea, um novo problema está entrando para a lista de doenças que parecem associadas ao longo período que alguns astronautas passam no espaço: a miopia. De acordo com uma pesquisa em andamento pela NASA e outras agências espaciais ao redor do mundo, a ausência de gravidade pode causar problemas oculares devido à mudança no comportamento dos fluidos pelo corpo.

De acordo com a organização, cerca de 80% dos astronautas que passam períodos prolongados no espaço são afetados pela VIIP, a síndrome de deficiência visual causada pela pressão intracranial, na sigla em inglês. A ideia é que, basicamente, os líquidos normalmente acumulados nas pernas e órgãos inferiores, por conta da gravidade da Terra, se espalham de forma diferente no espaço, um problema fisiológico que acaba aumentando a pressão sobre o cérebro e a parte de trás dos olhos, gerando a miopia e outros possíveis problemas oculares.

O americano John L. Phillips, por exemplo, passou seis meses na Estação Espacial Internacional entre abril e outubro de 2005, e começou a sentir algumas dificuldades para enxergar enquanto ainda estava no espaço. Ao retornar para a Terra, percebeu uma redução de 20% em sua capacidade de ver à distância, enquanto, ao deixar o planeta, tinha a visão perfeita. Esse seria o caso mais evidente entre tantos outros já analisados pela NASA.

A miopia seria causada por um achatamento dos globos oculares, que acabam tendo a retina empurrada para frente, causando distorções na visão. A mudança no comportamento dos fluidos e a pressão extra no crânio também poderia causar inflamações e outros problemas oculares, pois também afetaria as coroides, uma estrutura que abastece o olho com nutrientes e tecido, além de absorver a luz que chega à retina, evitando reflexão.

Para lidar com o problema, a NASA está estudando a utilização de um equipamento chamado Russian Chibis, vestido pelas pernas e responsável por atrair o fluido de volta para as partes inferiores do corpo. O dispositivo deve ser utilizado pelos astronautas durante algumas horas por dia, de forma a reorganizar o líquido e reduzir o impacto da ausência de gravidade. Segundo a agência, os primeiros resultados podem ser promissores, já que um efeito benéfico desse efeito sobre o olho já pode ser observado.

Além de miopia, muitos astronautas, após períodos prolongados, sofrem de problemas de orientação, uma vez que, sem gravidade, o cérebro perde o diferencial do que está acima e abaixo, em uma noção que pode até mesmo dificultar o retorno de alguns especialistas ao espaço. Além disso, também existe relação entre isso e uma fragilidade maior nos ossos, compensada após o retorno à Terra e com assentos reforçados para reentrada.

Fontes: Gizmodo, The Washington Post

Canaltech no Facebook

Mais de 370K likes. Curta nossa página você!