A Netflix está apelando para o fandom para construir sua programação

Por Jessica Pinheiro | 30 de Julho de 2018 às 14h30
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Durante sua conferência da Television Critics Association (TCA), a Netflix ilustrou como os executivos da plataforma tomam algumas decisões criativas e comerciais, revelando que o fandom de um show é mais importante do que parece. De acordo com a vice-presidente de programação original, Cindy Holland, as taxas de conclusão de temporadas desempenham um papel importante para o seriado ser renovado ou não.

Isso significa que, se muitas pessoas param na metade de uma série, ela dificilmente ganhará outra chance. A exemplo disso está Everything Sucks, que não teve audiência o bastante ao longo da primeira temporada para garantir a segunda. Esta tática, porém, não é exatamente uma surpresa, pois nas redes de televisão o processo é semelhante.

Assistir ao show por inteiro é quase como classificar se a série é boa ou não com um joinha, garantindo assim o sucesso contínuo do seriado. Isso explica obras que estão sendo exibidas há anos, como é o caso de Grey’s Anatomy que está atualmente em sua 14ª temporada; enquanto que do outro lado do espectro existe Firefly, que foi cancelada após uma temporada.

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Além disso tudo, a Netflix mesmo se orgulhando de tentar criar séries originais de sucesso, ainda assim mantém os olhos bem atentos para as tendências das emissoras de TV e das rede sociais, o que permite que muitos projetos recebam sinal verde para ofertas de licenciamento, como é o caso de Lúcifer.

Isso, claro, depois do que aconteceu com Sense8, um show da própria Netflix que foi cancelado após o fiasco ao final da segunda temporada e que precisou de um grande buzz por parte dos fãs para que recebesse um filme de duas horas para exibir o final de sua história – o que mostra que a plataforma aprendeu que a base de fãs gera publicidade e, portanto, não deve ser ignorada.

As hashtags do Twitter também são ótimos recursos e mostram como um fandom consegue quase que revolucionar se tiver força suficiente para tal. Brooklyn Nine-Nine e Timeless são bons exemplos da força de uma comunidade. A Netflix acabou se tornando, portanto, uma espécie de lar adotivo para séries indesejadas pelas emissoras de TV. E a lista de shows que a plataforma salvou nos últimos se estende por diversos nomes ainda.

Um dos mais recentes salvamentos da Netflix é o já citado Lúcifer. Holland inclusive, comenta sobre o ocorrido durante a TCA: “Lúcifer é um show fantástico que realmente repercutiu com o público ao redor do mundo, então achamos importante que nossa equipe de licenciamento tentasse ajudar esse programa para nossos fãs”.

Se por um lado nem todas as séries da Netflix ganham Emmys, por outro eles estão aos poucos construindo um lugar que possui uma linha de frente fervorosa e, às vezes, bruta também – mas bastante calorosa em termos de apreciação e dedicação: o fandom. Apelar para a comunidade de fãs de uma obra é uma estratégia de direção que a plataforma vem encontrando, e se ajeitando a seu próprio modo nos últimos tempos – e, aparentemente, tem dado certo.

Fonte: Polygon

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