A evolução do Girl Power na cultura geek

Por Gustavo Rodrigues | 08 de Março de 2016 às 17h48

O Girl Power encontrou realmente seu espaço na cultura geek nos últimos anos, mesmo que já tivesse personagens femininas de empoderamento da mulher há muito tempo. Entretanto, até alcançar o protagonismo em vários formatos do entretenimento, elas já foram apenas recurso narrativo para engrandecer o percurso de algum homem ou um fetiche idealizado nos uniformes das super-heroínas.

Não é segredo que a maioria das produções direcionadas aos geeks tem o enfoque no público masculino. Algo que ocorre há muitas décadas e ainda é predominante nos dias de hoje. Por exemplo, qualquer equipe de super-heróis dos anos 60 é predominantemente formada por homens, mesmo que a Mulher-Maravilha seja de 1941 e fuja do conceito de sexo frágil. Até mesmo O Hobbit, de J.R.R. Tolkien, é falho nesse quesito, algo que fez Peter Jackson inserir a elfa Tauriel, interpretada por Evangeline Lilly, na trilogia cinematográfica.

Duas teorias se baseiam nessas narrativas que priorizam o gênero masculino: Teste de Bechdel e A Síndrome da Mulher na Geladeira. A primeira, mesmo que seja falha em algumas situações, consegue avaliar com apenas três perguntas qual é a real presença feminina em uma de ficção. A segunda é mais impactante e significativa para os quadrinhos. Baseada na origem do Lanterna Verde Kyle Rayner, que teve sua namorada morta e colocada aos pedaços na geladeira dele, ela aponta quando uma mulher foi colocada em situação degradante por causas de recurso da trama, principalmente para causar algum impacto a um homem. A quadrinista Gail Simone foi a criadora do termo e até fez um site para listar e discutir a questão.

Kitty Pryde

Mesmo que os quadrinhos de super-heróis sejam um exemplo claro de sexualização da mulher com seus uniformes, como é fácil de lembrar nas poses da ninja Psylocke ou no decote da Poderosa, ainda há ótimos exemplos que fogem desse estilo. Kitty Pryde evoluiu como personagem devido as suas atitudes nos X-Men, nunca pelo tanto de roupa que cobria o seu corpo, algo que Joss Whedon escreveu magistralmente em Astonishing X-Men ao colocar a mutante intangível em oposição à Emma Frost. Ainda na Marvel, Agente Carter e Jessica Jones são ótimos exemplos da evolução feminina na cultura geek. As séries de ambas são claramente feministas e lidam muito bem com problemas da vida real.

Antes mesmo da indústria dos quadrinhos perceber o machismo que existia em suas páginas, duas mulheres eram destaque na ficção científica: Princesa Leia e Tenente Uhura. A líder da Aliança Rebelde contra o Império de Darth Vader fugia dos padrões femininos, assim chamando atenção de várias jovens que não se identificavam com a visão indefesa do gênero. Enquanto isso, Nichelle Nichols foi um símbolo de representatividade tanto pelo seu posto na USS Enterprise quanto por ser uma mulher negra.

Leia

Nos últimos anos, esse protagonismo feminino ganhou definitivamente espaço em Hollywood. Katniss Everdeen é o símbolo máximo do que significava os Jogos Vorazes, realçando uma mulher lutando pela sobrevivência e defendendo propósitos maiores. Hermione Granger era o cérebro e a força, segundo o rosto de Draco Malfoy, do trio principal de Harry Potter. Além de resistir a um mundo que poderia vê-la como alguém menor por não ser de família bruxa, a personagem ainda lutou pela liberdade dos elfos domésticos no livro O Cálice de Fogo. Curiosamente, Jennifer Lawrence e Emma Watson, atrizes que fizeram tais papéis, respectivamente, lutam pela igualdade dos gêneros.

Essa representatividade é importante para que as mulheres se sintam inseridas devidamente em diversas obras da ficção, assim como o John Boyega é relevante em relação aos negros em O Despertar da Força e o casamento do Estrela Polar aos homossexuais. É natural criar empatia com quem você admira por determinadas características ou por se sentir parecido, mesmo que seja por algo que soe ínfimo para muitos.

Furiosa

A evolução feminina na cultura geek não se limita aos exemplos citados acima e não devem parar por aí, afinal ainda há muito a ser trabalhado com tantas personagens ricas dos quadrinhos, cinema, games, séries, etc. Que novas personas de Rey, Ellen Ripley, Furiosa, Hermione, Katniss, Jessica Jones, Kitty Pryde, Kamala Khan e Trish Walker ganhem os holofotes nos próximos anos!

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