Uso de drone por pizzaria está sendo investigado pela Anac

Por Redação | 15 de Dezembro de 2014 às 10h39

Quem diz que as novidades tecnológicas demoram a chegar no Brasil teve que engolir as palavras na última semana, quando a pizzaria Vero Verde, da cidade de Santo André, na região metropolitana de São Paulo, liberou as imagens de seu primeiro teste de entrega com drones. Realizado em outubro, o experimento foi capaz de levar o prato ao cliente em cinco minutos, metade do tempo necessário para que um motoboy percorresse o mesmo percurso, deixando-o lá sem problemas.

A ação, no entanto, gerou um impasse com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a FAB (Força Aérea Brasileira), que agora estão investigando o caso, de acordo com as informações do G1. Ainda não existe regulamentação para o uso de aeronaves não-tripuladas em território nacional e, de acordo com as organizações, a pizzaria nem mesmo pediu autorização para realizar os testes. O caso será investigado juntamente com uma ação das camisarias Colombo, que também fez uso indevido de drones na última edição da Black Friday.

Trata-se do mesmo imbróglio pelo qual passam empresas internacionais como a Domino’s, também do ramo das pizzarias, e a Amazon, a primeira a falar em um serviço de entrega por drones. Lá fora, ambas as empresas foram impedidas de aplicar o sistema na prática devido à ausência de normas que regulam o espaço aéreo compartilhado entre aeronaves comuns e as não-tripuladas.

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No Brasil, a situação é basicamente a mesma. Segundo a Anac, caso a pizzaria deseje substituir sua equipe de motoboys pelos drones, deverá aguardar por normas que regulem sua utilização. Além disso, o teste também deveria ter recebido autorização por parte da agência e, como isso não aconteceu, está sujeito a punições pela irregularidade.

De acordo com a agência, todas as decolagens de drones ou qualquer tipo de aeronave não-tripulada precisa ser autorizada pelo DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo). Mesmo em caso de testes, como o realizado pela Vero Verde, é necessária a emissão de um certificado de voo experimental, também aprovado pela Anac. Os responsáveis pela pizzaria se defendem afirmando que o teste foi uma operação de baixa altitude e, por isso, acreditaram não ser necessária autorização. É justamente isso que a agência vai investigar.

A Anac garantiu que a legislação em relação ao uso de drones já está em andamento e deve entrar em audiência pública em breve. Ainda não existe prazo para o estabelecimento das normas, mas o órgão diz estar conversando com outros países para garantir a aplicação de regras que visem a segurança, mas, na mesma medida, permitam a utilização comercial das aeronaves.

Motoboys "enciumados"

E, em uma nota no mínimo curiosa, parece que não foram só as agências governamentais que estão de olho no uso de drones para a entrega de pizzas. Ainda de acordo com o G1, os motoboys da pizzaria, os principais afetados pela aplicação de um sistema de entrega por drones, também se mostraram preocupados com a questão, brincando com o fato do robô ser incapaz de levar garrafas de refrigerante, máquinas de cartão de crédito ou até mesmo moedas para o troco.

O peso da própria pizza, de pepperoni, já foi citado como um empecilho pelo estabelecimento por, segundo eles, ser pesada demais. E olha que, nas imagens, dá para perceber que se trata de um prato individual. Além disso, o vento também foi citado como um fator que teria atrapalhado a realização dos testes, mesmo com a entrega acontecendo na metade do tempo que levaria caso fosse realizada por um motoboy.

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