Pesquisa: partidas de Tetris podem curar síndrome da 'visão preguiçosa'

Por Redação | 24 de Abril de 2013 às 11h35

Cerca de 3% da população sofre com uma disfunção oftálmica chamada ambliopia, mais conhecida como "olho preguiçoso", que causa a redução ou perda da visão em um dos olhos. Atualmente, o tratamento consiste basicamente em cobrir o olho mais "forte" para forçar aquele mais fraco, ou preguiçoso, a melhorar seu comportamento. Mas isso funciona apenas em crianças, durante determinado período de tempo, e tem se mostrado ineficaz em adultos.

Mas alguns pesquisadores da McGill University, no Canadá, estão trabalhando em uma maneira bem mais divertida de tratar essa disfunção: jogando Tetris. De acordo com a pesquisa liderada pelo Dr. Robert Hess e divulgada no site da Universidade, jogar o famoso game pode ajudar a treinar os olhos a trabalharem juntos, já que a informação é distribuída entre eles de forma complementar. "A chave para melhorar a visão dos adultos, que atualmente não têm outras opções de tratamento, foi a criação de condições que permitam que os dois olhos cooperem pela primeira vez em uma determinada tarefa", explica o Dr. Robert Hess.

A ambliopia é causada por falta de processamento no cérebro, que conduz o olho dominante a suprimir o funcionamento do mais fraco. Ao conectar os blocos de diferentes formatos que caem no Tetris, os olhos são forçados a cooperar, aliviando a supressão do olho mais fraco e requalificando o cérebro para que ambos funcionem igualmente.

Para verificar a eficiência da tese, os pesquisadores testaram 18 adultos com ambliopia. Nove jogaram Tetris com o olho mais forte tapado e nove jogaram usando óculos especiais, que permitiam a um olho focar nos objetos que caem enquanto o outro focava apenas nos objetos parados.

Duas semanas depois, o grupo que utilizou os óculos especiais e os dois olhos para jogar apresentou uma melhora drástica na visão do olho mais fraco e até mesmo na percepção de imagens 3D, enquanto o grupo que usou o tapa-olho mostrou apenas uma melhora moderada. A equipe agora pretende testar essa abordagem em crianças ainda este ano em um estudo clínico que abrange a América do Norte.

Oftalmologista

Imagem: Universidade McGill

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