Livrarias físicas deixarão de existir por causa da Amazon, dizem especialistas

Por Redação | 22 de Agosto de 2014 às 11h45
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Se você tem o costume de comprar livros pela internet e está sempre à procura dos melhores preços, certamente já deve estar sabendo que a Amazon começou a vender títulos impressos aqui no Brasil. Lançada na última quinta-feira (21), a seção de livros em papel já conta com 150 mil livros de 2,1 mil editoras brasileiras, com preços e vantagens bem interessantes para quem não dispensa uma boa leitura.

Embora os preços dos livros vendidos pela Amazon sejam bastante atraentes para o consumidor brasileiro, há quem discorde das políticas praticadas pela companhia. Oren Teicher, presidente da American Booksellers Association, é uma das personalidades que é contra a Amazon nos Estados Unidos. Para ele, as livrarias precisam se transformar em espaços de convivências para sobreviver e não tentar repetir o que a Amazon faz – no que ele acredita ser uma estratégia para monopolizar o setor.

"A Amazon é um gigante cujas práticas não fizeram bem à indústria editorial dos EUA. Porque ela não vende só livros, mas qualquer produto. Eles usam o livro para capturar o cliente e vende para ele televisões, roupas, fraldas, tudo o que você imaginar. A Amazon não é saudável para o mercado livreiro", disse em entrevista ao jornal O Globo.

Segundo Teicher, os livros representam uma porcentagem mínima do faturamento total da Amazon dos EUA. "Jeff Bezos [CEO da Amazon] começou a vendê-los porque percebeu que o comprador de livro é um bom cliente. A ideia é usar a base de leitores e convertê-los em outro tipo de consumidor. Por isso eles dão descontos agressivos".

Teicher admite que os descontos são o principal motivo para fazer com que o usuário compre o livro em uma loja e não em outra. Contudo, o especialista vê essa manobra como algo que irá impactar negativamente o mercado como um todo no futuro. Mesmo acreditando que os livros impressos não serão extintos, Teicher afirma que a Amazon causará uma ruptura conforme amplia seus negócios no Brasil, principalmente nas livrarias físicas. "Ainda haverá mudanças que nem podemos imaginar, mas os livros físicos não vão desaparecer", comentou.

Será mesmo o fim das livrarias?

Livraria

O presidente da American Booksellers Association não é o único a defender a ideia de que as livrarias como espaços físicos terão de lutar contra empresas como a Amazon para sobreviverem. Jason Merkoski também vê anos difíceis para esses locais físicos. Para quem não sabe, Merkoski foi o primeiro evangelista (responsável por disseminar novas tendências) da Amazon, além de ser um dos membros da equipe que desenvolveu o primeiro leitor de livros digitais Kindle, lançado em 2007.

No último domingo, em entrevista ao pessoal do Link, do jornal O Estado de São Paulo, o executivo deu detalhes de como os livros impressos podem chegar ao fim, com base em sua obra Burning the Page: The eBook Revolution and the Future of Reading (ainda sem título em português). "As lojas de livros não conseguirão sobreviver e vão desaparecer. Sobrarão apenas algumas, especializadas em livros impressos, como as que vendem discos de vinil. Vão permanecer no mercado Google e Amazon, infelizmente", disse.

Segundo Merkoski, o que mais influencia a popularidade dos livros em formato digital é justamente a seleção de títulos. Uma vez que as pessoas consigam encontrar 80% dos livros que buscam no digital, a chance delas migrarem para e-books é de 100% – um processo que demora cerca de três anos a partir do momento que os livros digitais estão disponíveis em um país. Mesmo assim, Merkoski afirma que está cada vez mais difícil trabalhar com editoras hoje porque o mundo delas está em colapso. "As editoras estão confusas e com medo".

Ele também acredita que essa sensação de falência nas editoras é causada pelo monopólio de varejistas como a Amazon, que retém todos os dados dos clientes (para aprender quem eles são), tudo isso em busca do lucro. "Conheço as pessoas da Amazon. E elas não se importam com o que você quer como consumidor. Elas se importam em como conseguir mais lucro. Uma maneira de fazer isso é empurrando livros populares, negligenciando outros. E infelizmente as pessoas vão aceitar. A curadoria de títulos está na mão dos varejistas", conclui.

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