Hora do Código pode mudar de data em 2015 para atrair mais escolas no Brasil

Por Rafael Romer | 11 de Dezembro de 2014 às 11h23
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Começou nesta segunda-feira (10) o desafio Hora do Código, iniciativa global criada no ano passado pela organização Code.org que tem como objetivo estimular o interesse de pessoas no aprendizado de programação e mostrar que qualquer um é capaz de programar através de exercícios simples.

A iniciativa, que aconteceu durante a semana internacional de educação da Ciência da Computação, foi um sucesso. Mais de 600 milhões de linhas de código foram escritas e cerca de 20 milhões de pessoas participaram.

Neste ano, a meta foi ainda mais "agressiva": a ideia era engajar cinco vezes mais pessoas no projeto. Até o final da tarde desta quarta-feira (11), 72 milhões de pessoas já tinham participado em todo o mundo. O próprio presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu uma ajuda ao projeto, gravando um vídeo no qual fala sobre a importância de se aprender a programar e ele mesmo programando sua primeira linha de código.

Além disso, a Code.org procurou parceiros internacionais que pudessem ajudar a disseminar a campanha para seus países, que, no Brasil, foi é realizada pela Fundação Lemann, ONG focada no avanço da qualidade do aprendizado de alunos brasileiros.

A ideia é engajar ao menos 1 milhão de brasileiros para interagir com códigos através de atividades simples propostas pela iniciativa. Até o fim do dia de ontem, 527 mil pessoas já haviam participado no Brasil.

"Uma hora é legal para você atrair, é um chamariz para as pessoas, para elas perderem o medo, ver que conseguem e entendem o que é programação", explicou o coordenador de projetos da Fundação Lemann, Lucas Rocha. "No momento que você utiliza a programação no seu dia-a-dia ou no aprendizado, você está exercitando uma capacidade de descobrir coisas novas, de tentar, não ter medo de errar, persistir naquela tentativa".

Por aqui, a iniciativa tem outra função importante: ajudar a levar a discussão do ensino de código para dentro das escolas. Apesar de ser "atribulado" de conteúdo, como avalia o organizador, o Brasil não possui hoje nenhum currículo escolar unificado que integre matérias de programação.

A proposta, então, é que a Hora do Código estimule o ensino de programação de maneira interdisciplinar e integrada com outras matérias já existentes no currículo escolar. "Seria até uma certa irresponsabilidade inserir mais uma disciplina nesse currículo da forma como ele está hoje", explica Rocha. "O caminho é muito mais integrar com disciplinas existentes ou utilizar os momentos de descontração".

Com a experiência da organização na primeira edição do evento no país, os organizadores da Hora do Código já têm alguns planos para a próxima edição.

Um deles é a possibilidade de trocar a data do evento para auxiliar na divulgação e engajamento principalmente de estudantes. Diferente de países do hemisfério norte, onde as férias de inverno são mais curtas, por aqui a iniciativa acontece em um período em que muitas escolas já entraram em férias, o que impediu que ele fosse feito dentro de mais escolas - ainda que 429 eventos tenham sido programados para o Brasil

Outra mudança de planejamento será na maior divulgação da Hora do Código junto às escolas públicas e secretarias de educação. Para divulgar a primeira edição da iniciativa no Brasil, os organizadores usaram uma estratégia de mídia através de divulgação por personalidades da websfera brasileira - como youtubers e blogs.

No ano que vem, no entanto, o foco deverá ser maior nas escolas, principalmente aquelas de tempo integral, onde haveria mais espaço para esse tipo de conteúdo. "O que garante um número imenso de participantes é o trabalho de ir falando com as redes de ensino, secretarias, para que elas se registrem para aderir ao movimento e para que os professores passem a criar momentos com os alunos. É uma estratégia que a gente vai focar no ano que vem ", disse Rocha.

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