Estudantes brasileiros vão participar da final de torneio mundial de robótica

Por Redação | 17 de Abril de 2014 às 08h21
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Construir robôs e outros equipamentos é uma tarefa um tanto complicada. Mas um time de 18 estudantes brasileiros do ensino médio do Colégio Marista Pio XII, da cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, promete colocar todo seu conhecimento em robótica na final do First Robotics Competition, torneio mundial que acontece desde 1989 para incentivar jovens alunos a optarem pelas áreas da ciência e tecnologia.

De acordo com o G1, a competição ganhou notoriedade nos últimos anos, principalmente entre grandes empresas que começaram a apoiar o evento, entre elas Qualcomm, Microsoft e a Agência Espacial Americana, a NASA, além de parceiros como a Força Aérea dos Estados Unidos e a Agência Central de Inteligência (CIA). O torneio é tão conhecido que chega a ser comparado à final da Liga de Futebol Americano (NFL).

O objetivo do evento é promover o aprendizado entre jovens e adolescentes apaixonados por robótica e não há prêmios em dinheiro aos times vencedores - as equipes recebem bolsas para facilitar a vinda ao torneio no ano seguinte. Neste ano, o mundial será realizado na cidade de St. Louis, no Missouri, entre os dias 23 e 26 de abril. Ao todo serão 400 equipes de várias partes do mundo que vão disputar o título e são esperadas mais de 20 mil pessoas.

Brasileiros na competição

Os estudantes do colégio gaúcho conseguiram se classificar para o torneio após vencer a etapa regional de Long Island, nos EUA, no fim de março. O time, batizado de Under Control, também passou para a etapa posterior, em Nova Iorque, onde conquistaram o segundo lugar e se classificaram para a final.

Contudo, o trabalho da equipe começou muito antes do First Robotics Competition, ainda durante as férias escolares em janeiro. É nesse mês que a associação organizadora do evento informa as regras e as características da modalidade a ser disputada. Nesse caso, as equipes possuem seis semanas para construir seu robô até o início das disputas regionais. Ao final do prazo, o robô de cada time é levado para o local do torneio via FedEx, outra empresa parceira da competição.

"Eles abrem mão de curtir as férias e voltam à escola para construir o robô para o desafio", diz o mentor da Under Control, Felipe Ghesla, estudante de engenharia de 21 anos. O jovem ainda comenta que algumas equipes nem chegam a treinar suas máquinas devido ao curto espaço de tempo entre a construção e o envio do equipamento aos Estados Unidos.

"O mais surpreendente desse grupo é que no verão, em plenas férias, eles estavam dentro da escola empenhados em algo maior", afirma Kátia Antoniolli, vice-diretora do Pio XIII. Para ela, esse é o "melhor troféu" que a escola e os alunos poderiam ganhar.

Neste ano, a modalidade mistura fundamentos do futebol e do basquete. Cada equipe teve de construir um robô capaz de arremessar bolas por um gol posicionado próximo ao solo ou entre uma abertura retangular elevada, como ocorre em partidas de basquete. O objetivo inicial é marcar gols, mas a pontuação do time é elevada se, antes de acertar a bola, os robôs fizerem jogadas entre si, como passar a bola ou se deslocar do campo de defesa para o de ataque. A forma como a equipe se prepara também rende pontos extras.

Under Control

(Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal/Felipe Ghesla)

A final do First Robotics Competition começa só na semana que vem, mas a Under Control já venceu duas etapas antes de voltar ao Brasil nesta terça-feira (8). Em Long Island, a equipe levou o Prêmio Empreendedorismo pela gestão empresarial a fim de levantar custos. Ghesla conta que o custo total da viagem foi de R$ 70 mil, o que inclui a ida dos estudantes aos EUA, pagamento da inscrição no concurso e construção do robô. Allém disso, os alunos tiveram de conseguir patrocínio para ajudar a pagar as máquinas, que custaram R$ 3,5 mil.

"A gente foi atrás de contratos, pegou a lista telefônica e foi ligando. Só nesse ano a gente ligou para 300 empresas e conseguiu alguns 'sim', mas a maioria foi 'não'", disse. Das 300 companhias que a equipe entrou em contato, apenas 12 toparam ajudar os estudantes.

Já em Nova Iorque, a Under Control recebeu o Prêmio de Inovação em Controle por terem criado um sistema de comando de robôs com sensores. Basicamente, esse mecanismo ajuda os pilotos das máquinas a posicioná-las no melhor lugar para fazer os arremessos da bola no gol.

Os jovens brasileiros estão confiantes de que os resultados da final serão ainda melhores. "Com os [troféus] que vieram agora, já estávamos considerando montar uma estante nova. Se conseguirmos trazer mais algum do campeonato mundial agora, aí sim precisaremos", brinca Bruno Toso, estudante responsável pela programação da equipe gaúcha.

"É realmente uma competição muito inspiradora, que muda a perspectiva que a gente tem da ciência e tecnologia", diz Marcela Penna, integrante da Under Control.

Under Control

(Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal/Felipe Ghesla)

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