Dar choques no cérebro pode ajudar as pessoas a aprender matemática

Por Redação | 23 de Maio de 2013 às 09h50

Estudar matemática não é uma atividade adorada por muitos, mas parece que os cientistas descobriram uma maneira de acelerar o processo de aprendizagem de novas operações aritméticas: estímulo elétrico do cérebro.

A publicação do estudo apareceu na revista especializada 'Current Biology' na última semana, e sugeria que quando os cientistas estimulavam o cérebro dos voluntários com correntes elétricas fracas enquanto eles aprendiam novos cálculos, o seu desempenho aumentava em cerca de 30% a 40%. Essa porcentagem foi percebida após cerca de seis meses.

Porém, resultados a curto prazo também foram obtidos. Aqueles que receberam estímulos elétricos no cérebro durante as sessões de estudo, que duraram cinco dias consecutivos, aprenderam cinco vezes mais rápido do que aqueles que não receberam os estímulos.

O estudo em questão não é o primeiro a mostrar uma melhora na cognição matemática por meio de estimulação cerebral. Em 2010, os cientistas relataram que as pessoas são capazes de aprender um novo conjunto de números com base em símbolos arbitrários de maneira mais rápida quando uma leve corrente elétrica é aplicada no lobo parietal direito do cérebro. A diferença é que a nova pesquisa avançou um passo em relação à anterior, pois mostra que a estimulação elétrica também pode melhorar a capacidade dos indivíduos de executar cálculos.

Além disso, o tipo de estimulação utilizado neste novo estudo é diferente daquele aplicado em 2010, quando eles utilizaram a 'Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua' (ETCC), que fornece uma corrente fraca, mas constante para o cérebro através de eletrodos colocados no crânio.

O novo estudo optou pelo uso da 'Estimulação por Ruído Aleatório Transcraniana' (TRNS), que acontece quando a corrente flutua de forma aleatória dentro de certos limites. Para os pacientes, a diferença prática é que a ETCC pode causar um formigamento no couro cabeludo, enquanto com a TRNS eles geralmente não sentem nada.

Os pesquisadores notaram que o processo causa uma mudança fisiológica, que pode ser notada inclusive durante a monitoração do fluxo sanguíneo na região estimulada do córtex dos voluntários. Mas os cientistas advertem que as pessoas não devem tentar fazer isso em casa. "Os eletrodos devem ser ligados apenas no lugar certo e o treinamento cognitivo também tem de ser bem feito", explicou Cohen Kadosh, cientista da Universidade de Oxford e líder do estudo.

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