Como um matemático encontrou o 'par perfeito' após hackear um site de namoro

Por Redação | 24 de Janeiro de 2014 às 08h15
photo_camera Divulgação

Na era da informação digital, encontrar o chamado "par perfeito" parece estar cada vez mais complicado. Até existem sites especializados em unir casais e promover o encontro real de pessoas que estão em busca do amor verdadeiro, mas nenhuma dessas páginas traz algo realmente preciso. Na verdade, a maioria delas utiliza questionários pré-determinados que são combinados com os de outros usuários aparentemente compatíveis – estejam eles dizendo a verdade ou não.

O matemático Chris McKinlay, de 35 anos, resolveu se aproveitar dessa falha para usá-la em um trabalho na faculdade. E de um jeito que só um matemático conseguiria fazer: McKinlay, que faz doutorado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), hackeou o OkCupid, um dos maiores sites de relacionamento dos Estados Unidos, para descobrir a compatibilidade "perfeita" com outra internauta. O resultado saiu na Wired.

Tudo começou quando McKinlay percebeu que os parâmetros utilizados pelo OkCupid faziam com que sua compatibilidade com as mulheres fosse muito ruim – o site pede que os usuários respondam a cerca de 350 questões sobre sexo, família, política e outros assuntos. A partir daí, o matemático teve a ideia de se basear em números e programação para hackear a página e utilizar a experiência como sua dissertação do doutorado.

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Primeiro, McKinlay criou 12 perfis diferentes e falsos no sistema do site de encontros e os gerenciou através de um script em Python. Como o roteiro foi escrito pelo próprio McKinlay, ele conseguiu direcionar as buscas automaticamente para um público-alvo específico, no caso mulheres heterossexuais ou bissexuais entre 25 e 45 anos. O script então visitava as páginas delas e procurava todo tipo de informação disponível, como etnia, altura, fumante ou não-fumante e signo.

Em seguida, para encontrar as respostas da pesquisa [de compatibilidade], McKinlay configurou seu script para que respondesse as questões de forma aleatória e montou um banco de dados de 6 milhões de respostas. Para quem não sabe, é possível ver as respostas de outros usuários no OkCupid, mas apenas para as perguntas que você também respondeu. Além disso, o site não bloqueou os 12 perfis falsos criados pelo matemático porque ele fez seus bots parecerem mais humanos nas respostas.

Seguindo com o trabalho, Chris McKinlay conseguiu montar um grupo de mulheres altamente compatíveis. Ele passou por mais de 55 encontros, sendo que apenas três levaram a um segundo encontro e só um levou a um terceiro. Mesmo assim, ele ainda recebia vinte mensagens por dia de mulheres interessadas em sair com ele, que continuou encontrando-as e anotando toda a experiência em um pequeno caderno.

Chris McKinlay

O que o matemático não esperava é que em um desses encontros ele iria conhecer Christine Tien Wang, uma artista de 28 anos que tinha 91% de compatibilidade com ele. No primeiro encontro, Wang contou para McKinlay que havia editado o perfil dela só para poder falar com o rapaz. Ao ver a sinceridade da jovem, ele explicou todo o esquema para hackear o site, incluindo o script e os perfis falsos – e ela adorou.

Em entrevista à Wired, McKinlay contou que ele e Wang deletaram seus perfis no OkCupid semanas depois de saírem algumas vezes. O matemático ainda disse que os dois vão se casar em breve.

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